sexta-feira, 13 de julho de 2007

Novela de Bráulio Pedroso
Direção de Walter Avancini e Jardel Mello
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Rede Globo - 1974/1975



ASSASSINATO TRANSFORMA UMA FESTA EM 'REBU'

Escrito por Rose Esquenazi
Publicado no Jornal do Brasil (09/01/93)


O povão não entendeu nada e também não gostou do que viu na TV. O rebu era uma trama sofisticada que não se parecia com nenhuma outra novela passada. O escritor Bráulio Pedroso fez com que uma festa de sete horas tivesse ganchos para ilustrar 110 capítulos. O assassinato de um dos 24 convidados obrigou o público a pensar: não era preciso descobrir apenas quem era o assassino (tarefa para 80 capítulos), mas também quem tinha sido a vítima (questão a ser desvendada nos primeiros 30 capítulos) e a razão do crime. As dicas eram dadas aos poucos. Algo que hoje pode lembrar Você decide.Os personagens iam mostrando as suas intenções antes do crime numa sucessão de flashs-backs, ao mesmo tempo que a polícia revelava o andamento das investigações, eliminando os inocentes da lista dos suspeitos. A requintada recepção oferecida pelo milionário Conrad Mahler, um banqueiro com toda pinta de gay, interpretado pelo ator e diretor Ziembinski, tinha como objetivo homenagear a princesa Olímpia Buoncompagni (Marília Blanco).
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Conrad morava numa mansão no Alto da Boa Vista com o seu filho adotivo Cauê (Buza Ferraz), provável herdeiro de todos os seus bens. Cauê mantinha um romance com Sílvia (Bete Mendes), e esse namoro não contava com a aprovação de Conrad.
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Para complicar a trama, aparece na história um personagem chamado Boneco (Lima Duarte), um ladrão inteligente que consegue se infiltrar na festa através de uma senhora de 60 anos com quem mantém uma amizade-colorida.Na verdade, todos os convidados, incluindo o anfitrião, podem ser considerados suspeitos. Tanto a grã-fina que é destaque numa escola de samba (Teresa Raquel), quanto o jogador de futebol (Wilton Pontes Eloy) ou o milionário à beira de uma crise esquizofrênica (Carlos Vereza). Entravam na lista o cirurgião plástico metido a conquistador (Felipe Wagner), um mergulhador que quer subir na vida (Rodrigo Santiago), uma mulher frustrada (Izabel Ribeiro) e outras figuras bastante complicadas.O rebu foi ao ar em 1974 sob a direção de Walter Avancini, obrigado a incutir problemas existenciais em todo o elenco. Mas as fossas e depressões não tinham nada a ver com as novelas mexicanas, onde o bem e o mal brigavam com todas as forças. Não se parecia tampouco com a novela-verdade que apareceu pouco antes como uma novidade e que cansou o público da mesma maneira.
Com O rebu nascia o thriler numa sociedade rica e perversa onde todos traem, não conseguem ser felizes e cultivam o mau-caratismo como esporte predileto.
Ah, além disso, valorizam a riqueza e a competição e por isso não entendem porque Mahler convidou para a festa seu arquimimigo nos negócios, o industrial Carlos Braga Vidigal (José Lewgoy).O rebu nasceu de uma cena que Bráulio Pedroso assistiu no filme Sunset, Boulevard, em que um corpo aparece boiando na piscina. Na novela a cena se repete e só no final o público descobre que quem matou Sílvia foi o banqueiro enciumado. Na Globo, às 22h, o autor de Beto Rockfeller e O cafona queria descobrir um pouco mais sobre os mistérios que movem os seres humanos. Bráulio gostava de repetir a primeira frase da novela, dita pelo milionário ao delegado: -Estranhas? Qualquer pessoa vista de muito perto é sempre muito estranha.
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VÍDEO
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Conheça a trama e as personagens da intrigante "O Rebu".
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BAIXE O VÍDEO (11,0M)
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Este vídeo está disponível no Memória da TV (YouTube)
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