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domingo, 30 de agosto de 2009

sábado, 29 de agosto de 2009

Elenco estelar numa farsa hollywood-tupiniquiniana.

Por: Daniel Pepe e Duh Secco








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Às 19h de 06 de junho de 1983 estreava “Guerra dos Sexos”, um marco da teledramaturgia que Sílvio de Abreu escreveu com a colaboração de Carlos Lombardi, contando com a direção de Jorge Fernando e Guel Arraes, supervisionados por Paulo Ubiratan. O autor resumia toda a história em apenas uma linha em entrevista ao Jornal do Brasil, concedida em maio de 1983: “Guerra dos Sexos é, de certa forma, a briga entre machistas e feministas, mostrando o quanto o radicalismo, neste caso, é desnecessário e ineficaz”. Mas a novela não se resumia a isso!

As novidades de Guerra dos Sexos começavam pelo quarteto estelar de protagonistas: o casal maior do teatro que se encontrava pela primeira vez em outro veículo – Fernanda Montenegro e Paulo Autran – e o casal maior da TV, que já havia namorado em inúmeras produções, desta vez aparecia em pé de guerra – Tarcísio Meira e Glória Menezes.
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Vídeo: chamada de estréia.


Vídeo: TV Resgate
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A trama teve do início ao fim uma estrutura rígida da narrativa, amarrada na idéia inicial de Sílvio de Abreu (mencionada acima), não tendo se perdido praticamente em nenhum momento. Pelo contrário. Na altura da metade da novela, o protagonista Otávio (Paulo Autran) teve problemas de saúde e precisou se afastar por dois meses. E nem por isso o autor deixou a peteca cair. Criou o entrecho do desaparecimento do personagem, que mesmo ausente se fazia presente para atormentar a prima Charlô (Fernanda Montenegro). Um desses artifícios foi o de mandar três mulheres, cada uma a seu tempo, para instigar a curiosidade da prima e da criada Olívia (Marilu Bueno) sobre ele ter outras relações e sobre o que fazia quando pintava o bigode de preto e saía com o fiel e companheiro motorista desajeitado Nando (Mário Gomes). Elas deram vida às chamadas “mulheres do bigode preto”, em participações super especiais de Renata Sorrah, Suely Franco e Regina Duarte.

Vídeo: Regina Duarte é Alma, uma das “mulheres do bigode preto”.
Vídeo: rhsherwood

Participações especiais não faltaram em “Guerra dos Sexos”. Outras bem marcantes foram as ex-mulheres de Felipe (Tarcísio Meira), interpretadas por Eva Wilma, Aracy Balabanian, Suzana Vieira, Irene Ravache e Renée de Vielmond, que apareceram juntas para atormentar o ex-marido.

Se a estrutura da novela era linear, ao mesmo tempo conseguia ser anárquica e debochada, cheia de cenas nonsense, de acontecimentos surreais que partiam de algum entrecho importante no desenrolar da história. Como na situação em que Charlô cai do “Minhocão” depois de uma perseguição, atrás de Otávio e de Nando, numa das tentativas de desvendar o “segredo do bigode preto”. No hospital, convalescendo, ela canta para os outros doentes como Susan Hayward em “Meu Coração Canta”. E logo em seguida, se finge de moribunda para Otávio, cena inspirada no filme “A Dama das Camélias” .

Vídeo: Charlô finge estar à beira da morte como em “A Dama das Camélias”.

Vídeo: rhsherwood



Essas foram uma das muitas referências a Hollywood. Talvez a maior citação tenha sido a festa em que Charlô deu em homenagem à amiga Roberta Leone (Glória Menezes), na qual os convidados deveriam ir fantasiados de atores hollywoodianos. Como sempre, Charlô surpreendeu e foi vestida de Theda Bara, atriz polêmica para a sua época. Otávio apareceu de Rodolfo Valentino, maior galã do cinema mudo. Roberta encarnou Doris Day; Felipe se fantasiou de Rock Hudson; Juliana (Maitê Proença), de Rita Hayworth; Vânia (Maria Zilda), de Jean Harlow; Manoela (Ada Chaseliov), de Elizabeth Taylor; Kiko (Diogo Vilella), de Elvis Presley e Analu (Ângela Figueiredo), de Shirley Temple. O Gordo e o Magro também estavam presentes nos empregados Olívia e Ismael (Wilson Grey).



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Sílvio de Abreu chegou a solicitar, inclusive, uma trilha sonora internacional composta somente de temas do cinema americano, já que vários deles pontuaram inúmeras cenas da novela. Só que a essa altura, as músicas que compunham a trilha internacional da trama já estavam selecionadas. Porém, não foi a discordância com relação à trilha sonora que tirou o brilho de “Guerra dos Sexos”. A novela tinha em seu elenco, alguns dos maiores nomes da teledramaturgia.

Além do quarteto principal, outros atores davam à história uma qualidade diferenciada. Uma delas foi Yara Amaral, que interpretou magistralmente a paulistana de ascendência italiana do bairro da Mooca, que tinha como qualidades ser fofoqueira, encrenqueira, ignorante e preconceituosa, sem com isso deixar de ter um grande carisma e ser bastante querida como quase todas as mulheres reais que existiam no bairro e que continuam lá até hoje. Não bastasse tudo isso, Nieta era noveleira! Característica perfeita para fisgar de vez o telespectador.

Sônia Clara também esteve bem na pele da espiã atrapalhada de Otávio, Verusca, que quase sempre metia os pés pelas mãos. E ainda fez uma ótima parceria com o trambiqueiro Nenê, papel bem à vontade de Hélio Souto.

Ada Chaseliov vivia Manoela, a neurótica que não dava sossego ao marido Fábio (Herson Capri), que tinha um romance secreto com Juliana (Maitê Proença). Ela era a neta romântica de Charlô e sonhava um dia em se casar com o príncipe encantado, que no princípio era Fábio, seu amor desde a adolescência. Mas mais tarde seu coração foi mesmo fisgado por Nando, que passou a novela inteira dividido entre ela e Roberta.

Maria Zilda representou a mulher independente financeira e emocionalmente que morava sozinha e não tinha planos de se casar nem de ter filhos. Apenas curtia a vida e as paixões sem compromisso. Por outro lado, Leina Krespi mudava o tom e vivia uma tia solteira, dona Semíramis, às voltas com sua sobrinha, Frô, a feiosa que se julgava deslumbrante, numa criação perfeita de Cristina Pereira. Quem também mudava de ares era Helena Ramos, musa da pornochanchada, que encarou o desafio de viver a boa e recatada Lucilene. Já Lucélia Santos era Carolina, a mocinha com cara de anjo que na verdade era um diabinho que enganava e prejudicava quem quer que fosse para atingir seus objetivos, entre eles ser a mulher de Felipe.

Fechavam o elenco ainda Ary Fontoura, Edson Celulari, José Mayer, Tatiana Issa, Terezinha Sodré, Paulo César Grande, Fernando José, Lys Beltrão entre outros.

Em depoimento ao site Memória Globo, Fernanda Montenegro diz que ""Guerra dos Sexos" foi uma linguagem ousada. Mas ousamos na medida certa. Foi uma loucura certa." Loucura ou não, foi a novela certa, na hora certa. Quando o gênero dava sinais de cansaço, “Guerra dos Sexos” sacudiu o cenário da teledramaturgia, deixando sua marca na história da televisão brasileira. E uma marca maior ainda na lembrança de todos os que puderam conferir esse grande espetáculo.

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ENTREVISTA com
ELIANE GIARDINI


por: Aline Reis



No ar em Caminho das Índias, Eliane Giardini fala nesta rápida entrevista sobre suas memórias televisivas e sobre o resgate da memória da televisão brasileira na internet.


Quais as tuas melhores memórias da televisão? Quais programas que marcaram a tua vida? Por quê?

Minhas memórias televisivas são bem antigas. Minha familia teve uma tv bem no começo, não me lembro exatamente quando, mas os programas que eu mais gostava eram as novelas, programas de humor e musicais. Acho que a primeira novela que vi era com o Sergio Cardoso e a Nivea Maria. Outro programa, acho que chamava Times Square, um musical, eu me lembro perfeitamente do Daniel Filho ainda casado com Dorinha Duval cantando. E havia também um programa sobre memória musical chamado Essa Noite Se Improvisa, onde Chico Buarque e Caetano Veloso brilhavam...
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Sites como o YouTube são uma grande fonte de programas antigos de televisão, boa parte deles não reprisados pelas emissoras nem lançados comercialmente para venda. Muitas vezes as emissoras, incomodadas, solicitam a retirada dos vídeos do ar. Qual a tua opinião sobre esses vídeos antigos postados na internet?

Eu adoro, visito muito.

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Ainda sobre o assunto anterior, por que tu achas que as emissoras mantêm essa postura? A falta de qualidade dos programas antigos e o combate a pirataria podem ser citados como fatores que influenciam a decisão de tirar os vídeos de sites como o YouTube?
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Eu acho que a internet está trazendo um continente novo a ser descoberto, mapeado , regularizado etc. Acho que tanto a música como a imagem estão se adaptando e achando novas formas de se acomodar a essa nova realidade. Tudo, aliás, está se reconfigurando a partir do novo paradigma que a revolução científica do século XX nos legou. Então, acho que há todos esses motivos citados acima e mais alguns, claramente econômicos.
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Boa parte dos teus personagens na televisão são sucesso de público, permanecendo na memória do telespectador. Dentre eles, de qual ou quais tu guardas as melhores recordações? Por quê?
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São poucos os que não me trazem boas recordações. É muito tempo em cada um deles, uma novela leva perto de 10 ou 11 meses de convivência. Nossa mente, muito sabiamente vai editando as cenas prediletas, com as melhores conversas de camarim, novas amizades, algumas paixões, reencontro de antigas grandes amizades, a música que mais tocou, tudo vira uma outra novela, uma novela particular que é só minha. Aí fica difícil destacar uma ou outra. É claro que há personagens que se destacaram, e hoje, eu percebo que o mérito é quase inteiramente do autor. Ou de um momento de feliz coincidência de um autor e ator inspirados. Destaco nesse sentido, a Dona Patroa do Benedito Ruy Barbosa, a Nazira e a Neuta da Gloria Perez, a Caetana e a Tarsila da Maria Adelaide Amaral.
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Invariavelmente, o resgate de antigas produções na internet contempla produções em que tu participaste. Como atriz, tu comparas o teu trabalho de hoje com os anteriores?
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Inevitável.
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As Transas e os Caretas numa curiosa novela oitentista.


por: Wesley Vieira


Uma mãe controladora e seus dois filhos. Um é recatado e vive à moda antiga. O outro é boa-vida e cercado de modernidades. Solteirões convictos, a mãe arruma uma mulher para se casar com um deles e lhe dar um herdeiro. Essa era a história principal de “Transas e Caretas”, curiosa novela de Lauro César Muniz, produzida e exibida pela Rede Globo do dia 9 de janeiro a 21 de julho de 84 no horário das 19h. A novela teve a difícil missão de substituir o mega-sucesso “Guerra dos Sexos”, e se não teve o mesmo êxito, pelo menos marcou época por conta das excentricidades cibernéticas inseridas em sua trama, tais como o Atari da abertura e o robô Alcides. Que tal relembrarmos a história dessa novela que é a cara dos “modernos” anos 80?
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O MOTE PRINCIPAL
A mãe controladora é a velha senhora Francisca Moura Imperial (Eva Wilma), conhecida como FMI, uma milionária excêntrica e mãe de dois filhos: Jordão (Reginaldo Faria), fruto de seu casamento com Jacinto Cintra (Henrique Martins), e Tiago (José Wilker), descendente do seu relacionamento com Roberto Leme (Paulo Goulart). Jordão e Tiago são completamente diferentes. Enquanto o primeiro é adepto às tradições seculares e totalmente retraído em relação às mulheres, o outro é ligado às novas tecnologias e vive rodeado de mulheres charmosas. Daí vem o título TRANSAS, representando Tiago e CARETAS, fazendo alusão ao sisudo Jordão.
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QUEM É A NOIVA?
Sabendo que Francisca anda questionando sobre os rumos da família, Tiago resolve se casar com uma misteriosa mulher. No entanto todos ficam surpresos quando surge uma macaca no lugar da noiva. Para se vingar da brincadeira de mau gosto do filho, Francisca não titubeia e rasga todos os documentos da doação de seus bens que faria aos filhos.
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PLÁSTICA E CHARUTOS
Mas Francisca quer mais e decide mudar de vida. Ela se interna numa clínica e faz uma cirurgia plástica ficando 20 anos mais jovem. Tiago e Jordão estranham a nova atitude da mãe, principalmente com a sua nova mania: fumar charutos. Se não bastasse todas as mudanças de comportamento, Francisca inaugura o Centro das Artes e com a ajuda de Dusa promove um concurso para escolher a Musa do local. Na verdade essa Musa será a mulher escolhida para se casar com um de seus filhos e lhe dar um neto.
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O ANTIGO E O MODERNO
Jordão vive num apartamento antiquado e tem aulas de violino e cravo com a tímida e apaixonada Sofia (Renata Sorrah). Além disso, ele tem em Dorinha (Zezé Motta) uma excelente amiga e serviçal, fazendo as vezes de mucama. Já Tiago, morando num flat modernoso, apresenta aos amigos o seu moderno mordomo: um robô chamado Alcides. Usando o novo mordomo como pretexto, Tiago atrai todas as mulheres para seu habitat.
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UMA LINDA MULHER
Do outro lado da história, está a bela Marilia (Natália do Valle). Ela é filha de Joaquim (Joffre Soares) e Dalva (Yolanda Cardoso) e irmã da sofrida Ana (Aracy Balabanian), casada com o machista Marcos (Jece Valadão). A família passa por uma difícil situação financeira devido aos problemas de saúde de Joaquim.
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A MUSA DO CENTRO DAS ARTES
Marilia namora Dirceu Valente (Paulo Betti), um artista plástico que tenta se impor no mercado das artes. As histórias se unem quando Dirceu procura Francisca para mostrar o seu trabalho. É assim que ele fica sabendo pela procura da musa do Centro das Artes e convence a namorada a se inscrever. Um coquetel é promovido para escolher a musa e os jurados escolhem a espevitada Catarina (Cristiane Torloni). No entanto, Francisca não vai com a cara da moça e já de posse dos seus argumentos, ela diz que Marilia é a verdadeira ganhadora.
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O PLANO DE FRANCISCA
A partir daí as confusões se iniciam. Marilia aceita seduzir Jordão em troca de uma boa mesada. Ela deixa Dirceu de lado e começa um jogo de mentiras com o propósito de atrair o tímido filho de Francisca e tendo a própria como mentora de todas as situações.
Numa festa que Francisca preparou para que Marilia fisgasse Jordão, ocorre um acaso quando Tiago e ela se beijam. Ela some misteriosamente e Tiago passa a procurar pela linda mulher. Durante um tempo, Marilia namora os dois irmãos ao mesmo tempo e se mostra extremamente dividida.
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A DESCOBERTA
Então, através das armações da dupla Luciana (Lidia Brondi) e Claúdia Cowboy (Monica Torres), Tiago descobre que Marilia é a namorada de seu irmão. Magoado, ele, que sempre foi um conquistador cercado de mulheres, percebe que está apaixonado, mas decide se separar.
Não demora muito para Francisca marcar o casamento de Marilia e Jordão. É nesse momento que Marilia descobre estar apaixonada por Tiago e tomada por um impulso, ela abandona o noivo na porta da igreja. Ela e Tiago se escondem e vivem momentos de felicidade.
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A REVIRAVOLTA
Jordão fica arrasado e vai curar as mágoas numa boate. No meio do caminho ele dá carona á dançarina Liana (Lady Francisco) e acaba dormindo em sua casa. Percebendo o interesse da moça, Jordão decide assumi-la como namorada e diz a Francisca que vai se casar. É claro que FMI é contra o casamento e investigando o passado de Liana, descobre que ela já foi presa. Com provas que a incriminam, Francisca tenta tirar Liana da vida de seu filho, mas a moça é irredutível e luta para se impor diante da poderosa mãe. Apesar do risco por conta da idade, Liana decide dar um filho á Jordão.
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O BEBÊ DE OURO
Tiago e Marilia surgem e assumem o romance, mas uma armação de Luciana faz com que ele se vingue de Marilia, por considera-la interesseira. Uma fita de vídeo, onde Marilia assume que foi comprada é a prova para acabar com a sua imagem de boa moça. Então, se achando muito esperto, ele convoca um ator para se passar por juiz no intuito de promover um falso casamento com Marilia. Porém, para sua surpresa, Francisca pagou um juiz de verdade e o casamento foi válido. Agora eles estão casados e diante das circunstâncias, se separam. Essa separação veio no momento exato em que Francisca criou mais uma brincadeira: a corrida ao bebê milionário. O primeiro neto que nascer vai ganhar um bilhão.
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UM OUTRO AMOR
Enquanto isso, Marilia continua separada de Tiago e inicia atividades na empresa de Régis (Claudio Correa e Castro). Ele é exatamente como Francisca e também deseja que o seu único filho, Douglas (Claudio Cavalcanti), lhe dê um herdeiro. Ele percebe que Marilia pode resolver o seu problema e aposta todas as suas fichas nesse romance.
Paralelamente á essa trama, Tiago se vê envolvido em estranhos acontecimentos com o seu robô Alcides e recebe o convite para uma viagem sem volta pelo mundo cósmico. Inconformado pela perda de Marilia, ele pensa em partir com Alcides, mas diante da nave espacial que o levará para outro mundo, Tiago desiste e se despede do Robô.
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FINAL FELIZ
Próximo ao final, Marilia viaja para os Estados Unidos e retorna seis meses depois com um barrigão. Ela e Liana entram em trabalho de parto na mesma época e todos apostam suas fichas no primeiro bebê que vai nascer. Liana tem um menino e vai para o CTI. Antes, pede a Sofia que cuide de seu filho. Já Marilia tem uma menina a quem chama de Natália. Ela se reconcilia com Tiago. Francisca respira aliviada. Agora o nome da família vai prevalecer por todos os séculos. Ela que passou a história sendo assediada pelos dois ex-maridos, se acerta com Roberto e todos comemoram com um big casamento tendo inclusive Liana que conseguiu sobreviver. O buquê é jogado e quem pega é a mesma macaca que quase se casou com Tiago. Final feliz para uma curiosa história onde o passado e o presente se uniram e provaram que ninguém é exatamente tão careta e também nem tão moderno assim.



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HUMOR

Por: Fernando Shimada
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Já imaginaram se as novelas mudassem de nome?
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Há 16 anos, Mulheres de Areia fazia sucesso na faixa das 18h.

por: Duh Secco


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“Irmãs gêmeas que disputam o mesmo homem”. Uma idéia recorrente nos folhetins brasileiros, mas que Ivani Ribeiro soube desenvolver com primazia, quando idealizou o grande sucesso Mulheres de Areia.
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Inspirada na rádio-novela As Noivas Morrem no Ar, Mulheres de Areia ganhou a tela da tv em 1973, ainda em preto-e-branco, no horário nobre da Rede Tupi de Televisão. Vinte anos depois, mais precisamente em 1º de fevereiro de 1993, a Rede Globo colocava no ar a segunda versão da história, agora com elementos O Espantalho, outra obra de Ivani Ribeiro. Mulheres de Areia tinha como mote, o clichê citado anteriormente, sobre irmãs gêmeas disputando o mesmo homem. Apostava ainda em outro clichê recorrente em histórias envolvendo gêmeos: como pode duas pessoas idênticas na aparência, serem tão diferentes na personalidade?
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Ruth e Raquel Araújo (criações brilhantes de Glória Pires) eram as gêmeas em questão. A primeira, boa ao extremo, professora dedicada, sem vaidades e sem maiores pretensões para a sua vida. A segunda, egoísta, ambiciosa, carreirista, obstinada a enriquecer do modo mais fácil. Eram diferentes até mesmo com relação ao amor. Enquanto Ruth se mostrava contida, denotando um certo medo de se entregar ao homem que amava, Raquel fazia acontecer em sua explosiva relação com o vigarista Wanderley (Paulo Betti).
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As duas gêmeas eram tão diferentes que chegavam a colocar até os seus pais em lados opostos: enquanto Floriano (Sebastião Vasconcelos) venerava Ruth, chegando a dar o nome dela para o seu barco, Isaura (Laura Cardoso) protegia sempre a filha mau-caráter. Uma relação que poderia parecer estranha, levando o público a tomar a mãe das gêmeas por vilã. No fundo, Isaura sabia que os caminhos que Raquel trilhava só poderiam culminar na derrocada da filha, e por isso, dispensava sua total atenção à gêmea má.
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Raquel, realmente, seguiu por caminhos tortuosos. Fez-se passar pela irmã para conquistar o milionário Marcos Assunção (Guilherme Fontes). Descoberta a farsa, deu um jeito de ludibriar o rapaz e leva-lo para o altar. Marcos era o galã romântico que pecava pelo excesso de ingenuidade. Criado com mãos-de-ferro pelo pai, Virgílio Assunção (Raul Cortez), escapou da tirania dele ao se casar, mas acabou caindo nas garras da esposa, tão autoritária quanto o velho empresário.
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Virgílio fora o responsável pela entrada de Raquel em sua família, quando, logo no início da trama, paga uma boa quantia para que ela o ajude a separar Marcos da “caiçara” Ruth. Mal sabia ele que Raquel se tornaria mais um de seus desafetos. Além da nora indesejada, Virgílio tinha atritos constantes com a filha Malu (Vivianne Pasmanter, que só fez crescer ao longo da trama) e com o cunhado, Breno (Daniel Dantas), prefeito de Pontal d’Areia, fictícia cidade do litoral fluminense, onde se desenrolava a história. A relação de Breno e Virgílio foi extraída de O Espantalho, trama que Ivani produziu em 1977, quando era contratada dos Estúdios TVS. Breno proibia o banho de mar nas praias de Pontal, devido à poluição das águas. Virgílio, dono do maior hotel da região, era contra a atitude do cunhado. A princípio, agia pelas costas do prefeito, fingindo apóia-lo. Até que resolveu partir para a chantagem, usando do passado da mulher de Breno, a bela Vera (Isadora Ribeiro) para desestabiliza-lo (Vera era dançarina de uma boate, fora do país). Virgílio também lançou mão de um espantalho, usado para simbolizar o prefeito espanta-turistas. Mas o feitiço virou contra o feiticeiro e Virgílio acabou sendo perseguido pelo artifício que criara. Tônia (Andréa Beltrão, sempre ótima), comerciante local e partidária de Breno, se travestia como o espantalho para amedrontar o empresário (sua identidade fora revelada apenas no final). As peças que pregava nele se intensificaram após a morte do irmão de Tônia, o menino Reginho (Fabrício Bittar), que mergulhou nas águas poluídas de Praia do Pontal. Tão fortes eram os sustos que Virgílio acabou enfartando, em uma das noites na qual Tônia, como espantalho, o perseguiu.
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Antes, porém, Virgílio
atormentou e muito a pobre Ruth. Esta assumira a identidade de Raquel, após um acidente de barco na qual a gêmea má fora dada como morta. Ruth, exímia nadadora, tentou segurar a irmã no mar revolto, mas acabou ficando apenas com a aliança dela em suas mãos. Assim que fora resgatada, teve a aliança colocada em seu dedo pelo atormentado Tonho da Lua (Marcos Frota), grande amigo de Ruth e alvo fácil das maldades de Raquel. Decidido a ver a amiga (e amor platônico) feliz, Tonho convence a mesma a se passar pela irmã e ficar ao lado de Marcos. Mas Ruth não contava com tanto sofrimento. Acaba sendo acusada de assassinar Wanderley, com um tiro no peito. No tribunal, revela sua verdadeira identidade. Logo após, Raquel ressurge. A princípio, como um fantasma que atormenta Da Lua. Depois de forma definitiva, decidida a tomar de volta o lugar que mantinha na família Assunção. Após inúmeras brigas com a irmã, Raquel acaba vítima de um acidente, deixando enfim o caminho livre para Ruth e Marcos.
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Mulheres de Areia é a terceira maior audiência do horário das 18h e uma das maiores da faixa de reprise vespertina “Vale a Pena Ver de Novo”. Mérito de Ivani Ribeiro, da direção competente de Wolf Maya, e do elenco afiado, composto por grandes nomes: Humberto Martins como o xucro e sensível peão Alaor (em ótima parceria com Vivianne Pasmanter), Eloísa Mafalda e Carlos Zara como os comerciantes Manuela e Zé Pedro, Nicette Bruno como a tresloucada Juju, Ricardo Blat com o amargurado Marujo, e Paulo Goulart, em um personagem diferente de tudo o que costuma fazer, o dono dos barcos Donato, protegido de Iemanjá e responsável por todo o tormento sofrido por Tonho da Lua. Este, apesar de seus problemas mentais, era um talentoso escultor. Passava os dias pela Praia do Pontal, fazendo esculturas de mulheres na areia. Esculturas que testemunharam esta grande história; de uma única linha transformada em 201 capítulos, recheados de grandes emoções...
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TRILHAS


SOL DE VERÃO - Nacional
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por: Guilherme Staush
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Seguindo a tendência das trilhas de novelas lançadas no início dos anos 80, “Sol de Verão”, de 1982, é composta essencialmente por grandes nomes da MPB mesclados ao que havia de melhor no pop rock, ritmo em ascendência na época.
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O disco abre com um clássico do rock brasileiro: “Você não soube me amar”, primeiro grande sucesso da banda Blitz, que faria história naquela década como uma dos grupos mais significativos do gênero. A música não foi muito executada na novela, mas nem precisou ser. Já havia estourado em todo o país antes mesmo da novela começar. Em razão disso, serviu para ajudar (e muito!) nas vendagens do disco da novela.

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Dalto era outro grande nome que despontava para o sucesso. Ele aparece com “Muito Estranho (cuida bem de mim)”, tema do protagonista Abel, vivido por Tony Ramos.

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Na sequência, um clássico da MPB: “Bilhete”, de Ivan Lins e Vitor Martins, imortalizada com a brilhante interpretação de Fafá de Belém. A canção foi tema de Raquel (Irene Ravache).

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Na área da MPB, aparecem também Djavan, com “Esfinge”, uma música “lado b” do cantor, que fez um razoável sucesso como tema de Heitor, interpretado pelo ator Jardel Filho, que morreria antes do final da novela; Nara Leão com a linda canção “Questão de Tempo”, de Kleiton & Kledir. A música embalava os sonhos românticos de Rogério (Oberdan Junior) com a menina Glorinha (Monique Curi); A dupla gaúcha assinava também o tema de abertura, “Tô que Tô”, interpretada por Simone, extraída do disco “Corpo e Alma” da cantora; Paulinho da Viola e Beth Carvalho aparecem com as apagadas “Só o Tempo” e “Tendência”, respectivamente, e Wando fecha o disco com a simpática “Sumida”.

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Na área pop rock, merecem destaque a bonita canção “Coisas de Casal”, tema de Germano (Helber Rangel) e Flora (Isabel Ribeiro). A música foi gravada pelo Rádio Táxi, que ganhou esta composição de presente de Rita Lee; Lulu Santos entrava de vez para o cenário pop-rock brasileiro com a canção “Tempos Modernos”, um dos clássicos da década; Ricardo Graça Mello, que fez algumas gravações na época, aparece com “Tempo Quente”, e Guilherme Arantes assina “O Melhor Vai Começar”, a cara do verão brasileiro!
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A grande surpresa do disco fica por conta do belíssimo dueto de Lucinha Araújo e Vital Lima em “Tal Qual Eu Sou”. Sem dúvida, uma das faixas mais bonitas do disco. Essa é de arrepiar!

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Enfim, a trilha mescla muito bem a típica MPB da época com os primórdios do pop-rock brasileiro em faixas muito bem editadas, e cumpre, com louvor, a tarefa de ser uma trilha quente, tão quente quanto aquele inesquecível verão de 83.

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CURIOSIDADES:
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- O disco traz dois dos maiores sucessos da década de 80, e que virariam referência no cenário pop-rock brasileiro: “Tempos Modernos “e “Você Não Soube me Amar”. Os respectivos álbuns de Lulu Santos e da Blitz estariam entre os mais citados pelos especialistas como dois dos melhores álbuns pop-rock daquela década.
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- Rita Lee faz uma pequena participação na faixa "Coisas de Casal", composição dela, gravada pelo Rádio Táxi. Ela faz um backing vocal quase imperceptível, limitando-se a pronunciar apenas uma palavra: "coisas", no meio da música.
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- A música “O Melhor Vai Começar”, de Guilherme Arantes, foi também utilizada, na época, em um comercial de bronzeador, que teve o mesmo nome da novela.

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Músicas da trilha:
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01 - Você Não Soube Me Amar - Blitz
02 - Muito Estranho - Dalto
03 - Bilhete - Fafá de Belém
04 - Tempo Quente - Ricardo Graça Mello
05 - Tempos Modernos - Lulu Santos
06 - Questão De Tempo - Nara Leão
07 - Tô Que Tô - Simone
08 - Esfinge - Djavan
09 - O Melhor Vai Começar - Guilherme Arantes
10 - Tendência - Beth Carvalho
11 - Tal Qual Eu Sou - Lucinha Araújo - Partic. Especial Vital Lima
12 - Coisas De Casal - Rádio Táxi
13 - Só O Tempo - Paulinho Da Viola
14 - Sumida - Wando
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REDE MANCHETE APRESENTA: MÃE DE SANTO
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Por Walter Cerqueira
walter_cerqueira2@yahoo.com.br

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Uma das características da infelizmente extinta Rede Manchete de Televisão certamente foi a ousadia e espírito pioneiro de estar sempre um passo a frente das demais emissoras de sua época. Detentora de grandes sucessos como as telenovelas Pantanal, Dona Beija, Ana Raio e Zé Trovão, dentre outras, a emissora deu um grande passo com a produção da minissérie Mãe de Santo, da autoria de Paulo César Coutinho e dirigida por Henrique Martins, exibida de 09 de outubro a 2 de novembro de 1990 às 22:30 e reprisada de 18 de maio a 09 de junho de 1992.
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Apesar da pouca repercussão segundo os números do Ibope e da crítica ter considerado a serie confusa por não ter uma trama central (cada episódio tratava de uma trama isolada), esta minissérie foi e é muito bem aceita pelo chamado povo de santo (adeptos das religiões de matriz africana como Candomblé e Umbanda), e é comercializada até hoje sob forma de DVD em vários sites da internet, além de ter os vídeos disponibilizados no site YouTube e em outros sites para download. Isto é uma prova de que a tal “baixa repercussão” é questionável.
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A maior contribuição da Rede Manchete com esta minissérie na história da televisão brasileira foi o primeiro beijo homossexual masculino, no décimo primeiro episódio, que contava a história de Lucio e Rafael (interpretado por Daniel Barcelos), embora a Rede Globo insista que tal beijo ocorreu na minissérie Queridos Amigos em 2008. Um aspecto relevante sobre o homossexualismo que foi retratado na trama da Manchete consistiu em associá-lo a aspectos arquetípicos da mitologia dos Deuses Africanos (os Orixás), deixando a mensagem de que a diversidade sexual está na Terra desde que os homens existem, e que tal diversidade deve ser respeitada. E este beijo, além de homossexual foi inter-racial, entre um negro e um branco, levantando mais uma vez a questão do racismo existente até hoje no Brasil.

Além da questão do homossexualismo a minissérie abordou outros temas polêmicos como a AIDS, no episódio ligado ao orixá Omolu, relações entre uma mulher mais velha com um homem mais novo, no episódio de Oxumarê, traição e “bigamia”, no episódio de Nanã, intolerância religiosa no episódio de Oxalá entre outros.


Cenas do episódio Nanã, que trata da questões como bigamia, traição e perdão tendo como base um mito que fala do triângulo amoroso dos orixás Nanã, Oxalá e Iemanjá.
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A minissérie apresentou uma boa pesquisa sobre a mitologia dos Deuses Africanos e rituais tradicionais do Candomblé, associando-os a fatos do dia-a-dia abordados nas tramas de cada episódio, sem ter caráter doutrinário ou de menosprezar outras propostas religiosas.
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Curiosidades sobre créditos de novelas e minisséries

Por: Fábio Costa e Fernando Russowsky


Os atores abaixo já interpretaram protagonistas, mas seus nomes nunca foram os primeiros nos créditos:
Armando Bogus
Dina Sfat
Lauro Corona
Marcos Pasquim
Maria Zilda
Milton Moraes

Atores que abriram créditos uma única vez:
Leonardo Villar – Estúpido Cupido
Ary Fontoura - À Sombra dos Laranjais
Yara Cortes – Dona Xepa
Jorge Dória - O Pulo do Gato
Stênio Garcia – Padre Cícero
Carlos Vereza – Pacto de Sangue
Betty Faria – Tieta
Grande Otelo – República
Hugo Carvana – Gente Fina
Débora Bloch – A E I O Urca

Eram protagonistas, mas não vinham em primeiro nos créditos:
Milton Moraes – O Espigão (Cláudio Marzo)
Ziembinski – O Rebu (Lima Duarte)
Sônia Braga – Gabriela (Paulo Gracindo)
Tony Ramos – Pai Herói (Glória Menezes) e Baila Comigo (Reginaldo Faria)
Paulo Figueiredo – Marron Glacê (Lima Duarte)
Dina Sfat – Os Gigantes (Francisco Cuoco)
Luís Gustavo – Elas por Elas (Reginaldo Faria)
Maria Zilda - Hipertensão (Paulo Gracindo)
Maitê Proença - Felicidade (Tony Ramos)
Cássio Gabus Mendes – O Mapa da Mina (Malu Mader)
Christiane Torloni – A Viagem (Antônio Fagundes)
Mariana Ximenes – Chocolate com Pimenta (Murilo Benício)
Priscila Fantin – Alma Gêmea (Eduardo Moscovis)
Alessandra Negrini – Paraíso Tropical (Fábio Assunção)

Eram protagonistas, mas apareciam “como”:
Ary Fontoura - Amor com Amor se Paga
Lauro Corona – Vida Nova
Fernanda Montenegro - As Filhas da Mãe
Lima Duarte em O Salvador da Pátria foi caso único. Após FRANCISCO CUOCO/BETTY FARIA e JOSÉ WILKER/MAITÊ PROENÇA, aparecia “LIMA DUARTE como” enquanto o título da novela vinha surgindo na tela.

Protagonistas “vítimas” do “elenco em ordem alfabética”:
Tarcísio Meira – Espelho Mágico
Luiz Gustavo – Te Contei?
Edson Celulari – Fera Ferida e Explode Coração
A Indomada apresentava seu elenco em ordem alfabética. Mas, por algum motivo, a protagonista, Adriana Esteves, vinha em primeiro...
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Helenas que amamos sermos cúmplices.

por: Paulo Ricardo Diniz


Helena. Para o novelista Manoel Carlos este é um nome que remete a mulher forte. Não à toa que esta virou uma das marcas do autor. As protagonistas de suas novelas levam sempre este nome, exceto em seus primeiros trabalhos na Rede Globo: “Maria Maria” (1978), “A Sucessora” (1979) e “Sol de Verão” (1982). Entre as duas últimas, surge a primeira Helena, vivida por Lílian Lemmertz, em “Baila Comigo”, de 1981. Trama cuja personagem tem dois filhos gêmeos, que desconhecem a existência um do outro.

Mentiras, segredos, erros, características bem comuns às heroínas de Maneco [como o autor é conhecido], o que as aproxima das mulheres da vida real. São humanas. Amam, erram. Casam, descasam. ‘Batem boca’, dão tapas. São amigas, são egoístas. Renunciam, defendem seus filhos. Agem com razão e emoção. ‘Metem os pés pelas mãos’.

Além de Lílian, deram vida a essas mulheres Maitê Proença, Regina Duarte (esta por três vezes), Vera Fischer, Christiane Torloni e a próxima será Taís Araujo.

Maitê Proença foi a protagonista do folhetim “Felicidade”, de 1991, que marcou a volta de Manoel Carlos à Globo. A mentira rege a história. Na novela, Helena esconde de Álvaro (Tony Ramos) que ele é pai de sua filha, Bia (Tatiane Goulart). O rapaz está prestes a se casar com Débora (Vivianne Pasmanter), então Helena resolve assumir sozinha a maternidade. Anos mais tarde, Helena vai trabalhar para a mãe de Álvaro. E uma forte amizade une Bia ao filho de Álvaro com Débora, sem saberem que são irmãos.

A primeira Helena de Regina Duarte, em “História de Amor”, de 1995, talvez seja a que mais se aproxima da mulher brasileira. Vai à feira, discute o preço do tomate no elevador, trabalha, anda de carro velho, é amiga da vizinha da mulher do ex-marido, conversa de igual para igual com o porteiro, briga na rua, briga com a filha e a acoberta também. Descobre o amor de sua vida e luta por ele. E claro, guarda um segredo, revelado apenas no final: a filha que ela criou com tanto amor, é na verdade sua sobrinha.

Dois anos depois, em 1997, Regina viveu sua segunda Helena. Para esta, o mundo tem apenas um nome, o de sua filha, Maria Eduarda (interpretada por Gabriela Duarte, filha da atriz). “Por Amor” e em segredo, Helena troca seu filho vivo pelo bebê morto de Eduarda, visto que a garota não poderá mais ter filhos. O amor materno fala mais alto, sem medir as conseqüências. A atitude pode ser considerada relativamente egoísta. Helena deixa para Atílio (Antonio Fagundes), o pai da criança, sentir a dor da perda de um filho. “Como você pode achar que o seu amor pela sua filha fosse maior do que o meu amor pelo meu filho?” – questiona ele, no momento da revelação. Com isso, Helena também subestima a força que a filha pode ter para enfrentar a dor.

Heróico foi o ato da Helena de “Laços de Família”, em 2000, desta vez vivida por Vera Fischer. Uma mulher que renuncia a própria felicidade por amor a filha. Diante da doença de Camila (Carolina Dieckmann), que sofre de leucemia, Helena traz à tona a verdadeira paternidade da garota. E engravida novamente para salvar sua vida. Bem antes disso, a mãe abre mão do namorado Edu (Reinaldo Gianecchini) para que o rapaz possa namorar Camila. Esta foi a Helena que mais renunciou em favor de uma filha.

Até hoje criticada e considerada como a protagonista mais apagada de Manoel Carlos, Christiane Torloni foi a Helena da vez na crônica do cotidiano “Mulheres Apaixonadas”, em 2003. Infeliz com o casamento morno, ela resolve se separar de Théo (Tony Ramos) para buscar a felicidade. E reencontra o seu amor da juventude, o médico César (José Mayer), agora namorado de sua enteada, Luciana (Camila Pitanga). Paralelo a esse romance secreto, Helena é a pessoa mais solicitada para ouvir e ajudar a resolver os problemas dos outros. Heloísa (Giulia Gam), Hilda (Maria Padilha), Raquel (Helena Ranaldi), Santana (Vera Holtz) eram as que mais sentavam no “divã” da professora Helena.

Em 2006, em “Páginas da Vida”, Regina Duarte é pela terceira vez protagonista de Maneco, vivendo uma médica obstetra apaixonada pelo seu trabalho. E desta forma ela faz o parto de emergência de Nanda (Fernanda Vasconcellos), uma jovem que dá a luz a um casal de gêmeos, Clara e Francisco, e depois morre. Clara, portadora de síndrome de down, é rejeitada pela avó Marta (Lilia Cabral) que cria apenas Francisco. Temendo o futuro daquela garotinha, Helena a dá como morta perante a família, mas a adota e a cria com muito amor. O difícil é esconder dos avós e do pai das crianças, depois de tantos anos, que a menina sobreviveu.

Histórias que podem ser até parecidas, mas contadas de forma diferente. Cada uma delas é única. É por isso que este é um papel tão bem selecionado pelo autor. Cabe agora, em 2009, a Taís Araújo engrossar o time destas mulheres fortes. Será a primeira negra e a com menos idade entre delas – até então, era Maitê Proença, com os seus 33 anos. As outras estavam na faixa dos quarenta. A Helena de Taís, em “Viver a Vida”, será uma ex-modelo e se envolverá com um homem mais velho, tendo dificuldades com a filha dele que tem a mesma idade dela. Fica a responsabilidade para a jovem atriz.

Mãe, mulher, amiga, amante... Médica, professora, esteticista, decoradora, corretora, modelo... Trintonas, quarentonas, cinquentonas... Entre verdades e mentiras, razões e culpas, estão elas. Helenas. Guerreiras Helenas. De alguma forma o público se identifica, as vê como alguém próximo, como a mãe, a tia, a irmã, a vizinha... Fica no ar a sensação de que as conhecemos, e com isso, nos tornamos cúmplices delas. Em tempos de mocinhas politicamente corretas, que beiram a chatice e ficam chorando pelos cantos, Maneco acerta a mão com suas heroínas que retratam quase que fielmente a mulher brasileira. Choram sim, mas também lutam, enfrentam... Acertando ou errando, elas agem por amor e pelo amor, em busca da felicidade suas ou de seus filhos.
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QUIZ


por: Guilherme Staush
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Teste os seus conhecimentos televisivos!

confira as respostas logo abaixo do quiz!










Respostas do Quiz:

1. Algemas de Ouro - 2. Éwerton de Castro - 3. Isabela Garcia - 4. Raio Laser - 5. Brava Gente - 6. Cara & Coroa - 7. Camomila e Bem-me-quer - 8. J. Silvestre - 9. Cinderela 77 - 10. 1995.
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Mãe e filha. Duas formas de subir na vida. Qual é a mais certa?
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Por Daniel Pepe e Wesley Vieira

A teledramaturgia brasileira é, sem dúvida, um dos mais importantes produtos culturais do Brasil, seja por representar o momento político ou por se tornar objeto de análise social e comportamental da sociedade. Em 1988, a Rede Globo produziu uma telenovela que conseguiu reunir todos esses campos importantes junto com as nuances do folhetim, partindo de uma pergunta contundente e agressiva a todos os brasileiros: “Vale a pena ser honesto no Brasil?”. “Vale Tudo”, escrita por Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, foi uma telenovela sarcástica e realista, principalmente por fazer uma dura crítica social ao país tratando de temas como ética, honestidade e moralismo de uma forma nunca antes vista na TV.
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Em “Vale Tudo” ninguém era exatamente honesto. Alguns eram assumidamente corruptos e inescrupulosos. Outros, aparentemente, tinham bons princípios, mas dependendo das circunstâncias, não mediam esforços para conseguir o que queriam, como no caso de Ivan (Antonio Fagundes) que aceita um suborno para facilitar os negócios de Odete Reutemann (Beatriz Segall). Até mesmo Raquel cometeu alguns delitos, sempre se arrependendo depois, como na ocasião em que ela se torna a amante de Ivan. Apesar de apresentar uma trajetória baseada na honestidade, ela mostrou que é capaz de cometer alguns erros.
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O mote da trama foi o vislumbre que Fátima teve no seu aniversário de 21 anos. Cansada da vida de classe média na pequena cidade de Foz do Iguaçu, ela coloca na cabeça que deseja subir na vida a qualquer custo e parte para o Rio de Janeiro, onde inicia uma jornada de golpes que justificavam o tal do “vale tudo”. Ao realizar todas as atrocidades para se dar bem na vida, Fátima revelava que suas escolhas se davam por meios imorais e sem ética. Para ela, o que importava era apenas o resultado final. Assim, a moça arrivista foi capaz de vender a casa onde morava deixando sua mãe na rua. Ela também destruiu o namoro de sua amiga com o intuito de dar o golpe do baú e depois de ser desmascarada e punida, ousou vender o próprio filho. Ao mesmo tempo em que trilhou esse caminho, nunca deixou de ter compaixão pela mãe. Sempre se dispôs a ajudá-la desde que estivesse do seu lado, ou seja, sendo conivente com o seu modo de vencer. Mas Raquel nunca aceitou isso, e diante das circunstâncias nas quais a filha a deixou, viu-se na obrigação de reconstruir sua vida. Corajosamente, começou a vender sanduíches na praia e com muito talento terminou a novela como uma empresária bem-sucedida, dona de uma cadeia de restaurantes.

A ascensão das duas deu-se de forma paralela, sendo que até certo ponto Raquel ainda dava chances para a filha se redimir. Mas, depois de uma intriga que Fátima fez para separar Raquel de Ivan, seu grande amor, o rompimento entre as duas pareceu ser definitivo. Ao mesmo tempo em que Fátima trilhava por um caminho obscuro, Raquel usava métodos honestos e ao final conseguiu vencer com os seus valores. Não era segredo para ninguém que a ética e a honestidade sempre foram primordiais em sua vida.
No caso de Raquel, a subida foi um sucesso sem volta. Já no de Fátima, seu mundo ruiu e suas mentiras foram descobertas. Depois de algum tempo ela recorre à mãe que a princípio lhe vira as costas. Mas Fátima parece ter mudado de comportamento. Ela se redime e aceita criar o filho junto com a mãe. Porém, novamente numa festa de aniversário, dessa vez a do seu filho, ela percebe que aquele mundinho não lhe pertence. O último fio de esperança de Raquel foi cortado quando Fátima decide fugir com César (Carlos Alberto Riccelli), o seu eterno parceiro. Ela pede à mãe que crie a criança e prova que na verdade não mudou... Continuava sendo a mesma arrivista e não iria desistir dos seus sonhos. Para isso, aceita se casar por conveniência com um príncipe milionário. Será que dessa vez o seu golpe daria certo?
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Vídeo: Fátima e Raquel apresentam divergências ideológicas



Vídeo: Narciso Guney
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TRILHAS


Baianos nas trilhas sonoras das novelas e séries brasileiras.



Por: Walter Ramos Pinto Cerqueira
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A Bahia e os baianos são conhecidos nacional e internacionalmente pela sua alegria e musicalidade, o que levou a um ditado popular na Terra de Todos os Santos que baiano não nasce, estréia! Tal musicalidade não se restringe unicamente à Axé Music e ao Pagode dos tempos atuais. A música da Bahia tem história, a qual se reflete na Memória da Televisão Brasileira, sucessos que explodiam nas rádios num saudoso tempo onde os objetivos puramente comerciais e descartáveis ainda não tinham contaminado totalmente a indústria do disco. Um tempo em que numa mesma trilha era possível encontrar gravações maravilhosas de artistas do calibre dos baianos Maria Bethânia, Gal Costa, Walter Queiróz e Moraes Moreira, bem como de outros brasileiros de peso como Djavan, Quarteto em Cy, Alceu Valença, Fafá de Belém, Geraldo Azevedo, MPB-4, e João Bosco, como observado na trilha sonora da novela Gabriela, lançada em 1975.



Ao longo dessas cinco décadas de história da TV Brasileira, as grandes produções televisivas focaram temas do eixo Rio-São Paulo, por lá se encontrarem as sedes das emissoras de Televisão. Contudo, vez por outra algumas obras de sucesso como a novela Gabriela mencionada anteriormente, e outras obras memoráveis como as minisséries Tenda dos Milagres e Tereza Batista, além das novelas Tieta e Porto dos Milagres (baseadas em romances de Jorge Amado), e, mais recentemente, a série Ó Pai Ó, tiveram como temática a Bahia, os baianos e suas histórias. A maioria das músicas da trilha de Porto dos Milagres (Globo, 2001) foi interpretada por cantores baianos. Entre eles, Gal Costa cantando Caminhos do Mar (tema de abertura da novela), Belô Veloso cantando Por te Querer (tema que embalou Esmeralda, personagem da Camila Pitanga), Ivete Sangalo que cantava A Lua que Eu te Dei, tema da Dulce (Paloma Duarte) e do Rodrigo (Kadu Moliterno), Carlinhos Brown cantando Crendice, tema da Socorrinho de Mônica Carvalho e Dinamarca na voz de Gilberto Gil e Milton Nascimento foi o tema de Guma (Marcos Palmeira), protagonista da novela. Além desses também fazem parte da trilha sonora de Porto dos Milagres Daniela Mercury, cantando Só no Balanço do Mar, Dorival Caymmi com a canção O Bem do Mar e Dori Caymmi com É Doce Morrer no Mar, da autoria de seu pai Dorival.


Em Tieta (Globo, 1989/1990) a quantidade de cantores baianos foi bem menor quando comparada com Porto dos Milagres, contudo, os hits cantados pelos artistas foram grandes sucessos, começando pelo tema de abertura cantado pelo “rei do axé” Luís Caldas, o tema de locação Meia Lua Inteira na voz de Caetano Veloso e o tema da protagonista Tieta (Betty Faria) e Ricardo (Cássio Gabus Mendes), Tenha Calma, na voz de Maria Bethânia.



Mas não é só em temáticas baianas que encontramos sucessos de cantores da Bahia, ao contrário – ao longo da história televisiva nos deparamos com grandes e inesquecíveis canções embaladas por grandes ícones da música baiana. De acordo com dados obtidos na Comunidade Memória da TV do Orkut, dentre os cantores baianos que mais se destacam em trilhas de novelas temos Caetano Veloso com 67 canções, seguido de Gal Costa com 63 e Maria Bethânia com 48 músicas (ver a tabela). Merece destaque também outros cantores da música baiana como Gilberto Gil que gravou o tema de abertura da série Amizade Colorida, e da nova geração o destaca-se Ivete Sangalo que gravou o tema de abertura da novela América (Globo, 2005) e temas de protagonistas como Deixo (tema de Dante – Reynaldo Gianechini e Clarisse – Giovana Antonelli, em 7 Pecados , Globo 2007-2008).



CLIQUE AQUI para ver a relação de músicas de Caetano Veloso, Gal Costa e Maria Bethania em novelas e seriados da televisão brasileira.



Tieta: 20 anos - Parece que foi ontem!
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por: Vitor Santos
http://euprefiromelao.blogspot.com/
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Pois, é! Quem diria que já faz 20 anos que a moça da foto de lá de cima que ilustra nosso blog chegava em Santana do Agreste para abalar todas as estruturas. Mesmo sendo um adolescente na época, a sensação que tenho é de que o tempo voou.

No dia 14 de agosto de 1989, entrava no ar pela Rede Globo de Televisão, o primeiro capítulo de “Tieta”, novela de Aguinaldo Silva, adaptada do romance de Jorge Amado, escrita por Aguinaldo, Ana Maria Moretsohn e Ricardo Linhares, com direção de Reynaldo Boury, Ricardo Waddington e Luiz Fernando Carvalho e direção geral de Paulo Ubiratan. Com todas essas feras reunidas, só poderia ser garantia de sucesso! A trama da cabrita rebelde (Claudia Ohana e sua brejeirice) que é expulsa da cidade e volta 25 anos depois para se vingar parou o país.
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O elenco é um capítulo à parte. Poucas vezes uma novela contou com um elenco tão bom, vivendo uma galeria de personagens tão carismáticos. Seria até injustiça destacar um ou outro, pois todos os núcleos fizeram muito sucesso. Joana Fomm, inesquecível como o ressentido tribufú Perpétua, deu uma aula de interpretação. Ela soube transitar entre o dramático e o farsesco texto de Aguinaldo com uma competência ímpar. Moralista ao extremo e viúva eterna do Major Cupertino, usurpava a irmã Tieta, moralizava a cidade, mas escondia um mistério dentro de sua caixa branca. Verdadeiro show!

Mas Joana não brilhou sozinha. Como esquecer da adorável solteirona Carmosina (Arlette Salles), melhor amiga de Tieta, que vivia no “caritó” à espera de um marido? As cenas de Carmosina emocionaram o país e Arlette fez ótima dupla com Miriam Pires, a inesquecível Dona Milu e seu bordão “Mistéééério”! Cinira (Rosane Goffman) e Amorzinho (Lília Cabral), as fiéis escudeiras de Perpétua, também entraram para a galeria de tipos inesquecíveis. Talentosas, as atrizes souberam driblar a caricatura fácil de suas personagens e mostraram a faceta humana existente nelas. Para os mais românticos, tinha Imaculada (Luciana Braga), a rolinha mais rebelde que o Coronel Artur da Tapitanga (Ary Fontoura, esplêndido) jamais conseguiu domar. Imaculada vivia à espera de seu príncipe Ricardo (Cássio Gabus Mendes) e ele veio de cavalo branco e tudo no último capítulo. A Madalena arrependida Leonora (adorável Lídia Brondi), que chegou à cidade com sua “mãezinha” Tieta, também encantou na luta por seu amor pelo prefeito Ascânio (Reginaldo Faria). No quesito “saliência”, Modesto Pires (Armando Bogus) era catedrático e divertiu nas cenas com sua teúda e manteúda Carol (Luíza Thomé, um pitel), que por sua vez, não resistiu aos encantos do garanhão Osnar (José Mayer). A maltratada Tonha (Yoná Magalhães), que antes de se transformar em “uma nova mulher”, sofreu bastante nas mãos do marido, o avarento Zé Esteves (Sebastião Vasconcellos, perfeito!) também ganhou a simpatia do público. Inesquecível. E a galeria de personagens e atuações antológicas não param por aí. Como esquecer de Paulo Betti e seu hilário Timóteo, Tássia Camargo e sua sonhadora Elisa, Cláudio Correa e Castro, Ana Lúcia Torre, Elias Gleiser, Flávio Galvão, Cláudia Alencar, Renato Consorte, Bete Mendes, Otávio Augusto, Maria Helena Dias, Françoise Fourton e Roberto Bonfim? Ainda no elenco, Bemvindo Sequeira, como o endiabrado Bafo-de-Bode, que bem lembrado por Guilherme Staush, era o único personagem que sabia de tudo, sobre a vida de todos, e, apesar de ser um pudim de cachaça, era um dos mais lúcidos habitantes de Santana do Agreste. Interessante como no decorrer da novela, ele, por diversas vezes, falava pelo próprio autor.

“Tieta” foi uma novela que, sobretudo representou o sentimento de liberdade que o Brasil experimentava naquele período de abertura política. Tramas ousadas desfilavam em nossa tela tranquilamente como a relação incestuosa entre tia e sobrinho, um coronel que abusava sexualmente de meninas, uma mulher que se vestia de branco e atacava os homens à noite e um triângulo amoroso entre um comandante da Marinha e duas mulheres. Mas tanta ousadia não seria possível sem o inspiradíssimo e delicioso texto de Aguinaldo Silva e sua equipe. A novela tinha um tom deliciosamente malicioso e sensual, sem nunca descambar para o vulgar. A direção, além de saber compreender e captar perfeitamente a essência sacana e brincalhona sugerida pelo texto, nos brindou com imagens de Mangue Seco de tirar o fôlego.
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A trilha sonora também é um show. Com mais de 1.100.000 cópias vendidas na época, as canções foram escolhidas a dedo e até hoje, quando ouvidas, dão um nó na garganta dos admiradores mais entusiasmados (como eu) e nos transportam imediatamente para aquela época. Destaco a belíssima “Coração do agreste”, que marca a volta triunfal de Tieta com arranjo belíssimo e interpretação inspirada de Fafá de Belém. O sucesso foi tanto que na reprise da novela foi lançada uma compilação dos dois volumes da trilha.
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Agora, como falar de “Tieta” sem mencionar aquela que considero a alma e o coração da novela? A protagonista, vivida magistralmente por Betty Faria. Bruno Barreto já disse uma vez, acertadamente, que Betty Faria não interpreta, ela se transforma na própria personagem, tamanha a sua entrega. Na pele de Tieta não foi diferente. Certamente a personagem mais marcante de sua vitoriosa carreira na televisão, a atriz esbanjou vigor, beleza, sensualidade e talento, tanto nas situações hilárias em que sua heroína se metia, quanto nos momentos mais emocionantes e intensos. Aliás, intensa é a palavra que a melhor define. Betty Faria soube fazer de sua Tieta um manifesto ao amor e à liberdade e suas cenas emocionam até hoje.
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Além do retumbante e indiscutível sucesso popular, “Tieta” merece sempre ser lembrada como uma novela que representou uma feliz união de todos os seus elementos: texto, elenco, direção, trilha sonora, equipe técnica, tudo funcionando na mais perfeita harmonia. Lembranças felizes de uma época de exacerbação de liberdade e criatividade.
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Colaboraram neste post: Aladim Miguel, Guilherme Staush e Ivan Gomes.
Aos três, meu muito obrigado!
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