
Arte: Duh Secco
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Sites como o YouTube são uma grande fonte de programas antigos de televisão, boa parte deles não reprisados pelas emissoras nem lançados comercialmente para venda. Muitas vezes as emissoras, incomodadas, solicitam a retirada dos vídeos do ar. Qual a tua opinião sobre esses vídeos antigos postados na internet?
Eu acho que a internet está trazendo um continente novo a ser descoberto, mapeado , regularizado etc. Acho que tanto a música como a imagem estão se adaptando e achando novas formas de se acomodar a essa nova realidade. Tudo, aliás, está se reconfigurando a partir do novo paradigma que a revolução científica do século XX nos legou. Então, acho que há todos esses motivos citados acima e mais alguns, claramente econômicos.
São poucos os que não me trazem boas recordações. É muito tempo em cada um deles, uma novela leva perto de 10 ou 11 meses de convivência. Nossa mente, muito sabiamente vai editando as cenas prediletas, com as melhores conversas de camarim, novas amizades, algumas paixões, reencontro de antigas grandes amizades, a música que mais tocou, tudo vira uma outra novela, uma novela particular que é só minha. Aí fica difícil destacar uma ou outra. É claro que há personagens que se destacaram, e hoje, eu percebo que o mérito é quase inteiramente do autor. Ou de um momento de feliz coincidência de um autor e ator inspirados. Destaco nesse sentido, a Dona Patroa do Benedito Ruy Barbosa, a Nazira e a Neuta da Gloria Perez, a Caetana e a Tarsila da Maria Adelaide Amaral.
Essa era a história principal de “Transas e Caretas”, curiosa novela de Lauro César Muniz, produzida e exibida pela Rede Globo do dia 9 de janeiro a 21 de julho de 84 no horário das 19h. A novela teve a difícil missão de substituir o mega-sucesso “Guerra dos Sexos”, e se não teve o mesmo êxito, pelo menos marcou época por conta das excentricidades cibernéticas inseridas em sua trama, tais como o Atari da abertura e o robô Alcides. Que tal relembrarmos a história dessa novela que é a cara dos “modernos” anos 80?
Do outro lado da história, está a bela Marilia (Natália do Valle). Ela é filha de Joaquim (Joffre Soares) e Dalva (Yolanda Cardoso) e irmã da sofrida Ana (Aracy Balabanian), casada com o machista Marcos (Jece Valadão). A família passa por uma difícil situação financeira devido aos problemas de saúde de Joaquim.
primeiro bebê que vai nascer. Liana tem um menino e vai para o CTI. Antes, pede a Sofia que cuide de seu filho. Já Marilia tem uma menina a quem chama de Natália. Ela se reconcilia com Tiago. Francisca respira aliviada. Agora o nome da família vai prevalecer por todos os séculos. Ela que passou a história sendo assediada pelos dois ex-maridos, se acerta com Roberto e todos comemoram com um big casamento tendo inclusive Liana que conseguiu sobreviver. O buquê é jogado e quem pega é a mesma macaca que quase se casou com Tiago. Final feliz para uma curiosa história onde o passado e o presente se uniram e provaram que ninguém é exatamente tão careta e também nem tão moderno assim.
Uma das características da infelizmente extinta Rede Manchete de Televisão certamente foi a ousadia e espírito pioneiro de estar sempre um passo a frente das demais emissoras de sua época. Detentora de grandes sucessos como as telenovelas Pantanal, Dona Beija, Ana Raio e Zé Trovão, dentre outras, a emissora deu um grande passo com a produção da minissérie Mãe de Santo, da autoria de Paulo César Coutinho e dirigida por Henrique Martins, exibida de 09 de outubro a 2 de novembro de 1990 às 22:30 e reprisada de 18 de maio a 09 de junho de 1992.
Além de Lílian, deram vida a essas mulheres Maitê Proença, Regina Duarte (esta por três vezes), Vera Fischer, Christiane Torloni e a próxima será Taís Araujo.
Heróico foi o ato da Helena de “Laços de Família”, em 2000, desta vez vivida por Vera Fischer. Uma mulher que renuncia a própria felicidade por amor a filha. Diante da doença de Camila (Carolina Dieckmann), que sofre de leucemia, Helena traz à tona a verdadeira paternidade da garota. E engravida novamente para salvar sua vida. Bem antes disso, a mãe abre mão do namorado Edu (Reinaldo Gianecchini) para que o rapaz possa namorar Camila. Esta foi a Helena que mais renunciou em favor de uma filha.
Até hoje criticada e considerada como a protagonista mais apagada de Manoel Carlos, Christiane Torloni foi a Helena da vez na crônica do cotidiano “Mulheres Apaixonadas”, em 2003. Infeliz com o casamento morno, ela resolve se separar de Théo (Tony Ramos) para buscar a felicidade. E reencontra o seu amor da juventude, o médico César (José Mayer), agora namorado de sua enteada, Luciana (Camila Pitanga). Paralelo a esse romance secreto, Helena é a pessoa mais solicitada para ouvir e ajudar a resolver os problemas dos outros. Heloísa (Giulia Gam), Hilda (Maria Padilha), Raquel (Helena Ranaldi), Santana (Vera Holtz) eram as que mais sentavam no “divã” da professora Helena.
Em 2006, em “Páginas da Vida”, Regina Duarte é pela terceira vez protagonista de Maneco, vivendo uma médica obstetra apaixonada pelo seu trabalho. E desta forma ela faz o parto de emergência de Nanda (Fernanda Vasconcellos), uma jovem que dá a luz a um casal de gêmeos, Clara e Francisco, e depois morre. Clara, portadora de síndrome de down, é rejeitada pela avó Marta (Lilia Cabral) que cria apenas Francisco. Temendo o futuro daquela garotinha, Helena a dá como morta perante a família, mas a adota e a cria com muito amor. O difícil é esconder dos avós e do pai das crianças, depois de tantos anos, que a menina sobreviveu.
Histórias que podem ser até parecidas, mas contadas de forma diferente. Cada uma delas é única. É por isso que este é um papel tão bem selecionado pelo autor. Cabe agora, em 2009, a Taís Araújo engrossar o time destas mulheres fortes. Será a primeira negra e a com menos idade entre delas – até então, era Maitê Proença, com os seus 33 anos. As outras estavam na faixa dos quarenta. A Helena de Taís, em “Viver a Vida”, será uma ex-modelo e se envolverá com um homem mais velho, tendo dificuldades com a filha dele que tem a mesma idade dela. Fica a responsabilidade para a jovem atriz.
O mote da trama foi o vislumbre que Fátima teve no seu aniversário de 21 anos. Cansada da vida de classe média na pequena cidade de Foz do Iguaçu, ela coloca na cabeça que deseja subir na vida a qualquer custo e parte para o Rio de Janeiro, onde inicia uma jornada de golpes que justificavam o tal do “vale tudo”. Ao realizar todas as atrocidades para se dar bem na vida, Fátima revelava que suas escolhas se davam por meios imorais e sem ética. Para ela, o que importava era apenas o resultado final. Assim, a moça arrivista foi capaz de vender a casa onde morava deixando sua mãe na rua. Ela também destruiu o namoro de sua amiga com o intuito de dar o golpe do baú e depois de ser desmascarada e punida, ousou vender o próprio filho. Ao mesmo tempo em que trilhou esse caminho, nunca deixou de ter compaixão pela mãe. Sempre se dispôs a ajudá-la desde que estivesse do seu lado, ou seja, sendo conivente com o seu modo de vencer. Mas Raquel nunca aceitou isso, e diante das circunstâncias nas quais a filha a deixou, viu-se na obrigação de reconstruir sua vida. Corajosamente, começou a vender sanduíches na praia e com muito talento terminou a novela como uma empresária bem-sucedida, dona de uma cadeia de restaurantes.
Brasileira, sucessos que explodiam nas rádios num saudoso tempo onde os objetivos puramente comerciais e descartáveis ainda não tinham contaminado totalmente a indústria do disco. Um tempo em que numa mesma trilha era possível encontrar gravações maravilhosas de artistas do calibre dos baianos Maria Bethânia, Gal Costa, Walter Queiróz e Moraes Moreira, bem como de outros brasileiros de peso como Djavan, Quarteto em Cy, Alceu Valença, Fafá de Belém, Geraldo Azevedo, MPB-4, e João Bosco, como observado na trilha sonora da novela Gabriela, lançada em 1975.
abertura da novela), Belô Veloso cantando Por te Querer (tema que embalou Esmeralda, personagem da Camila Pitanga), Ivete Sangalo que cantava A Lua que Eu te Dei, tema da Dulce (Paloma Duarte) e do Rodrigo (Kadu Moliterno), Carlinhos Brown cantando Crendice, tema da Socorrinho de Mônica Carvalho e Dinamarca na voz de Gilberto Gil e Milton Nascimento foi o tema de Guma (Marcos Palmeira), protagonista da novela. Além desses também fazem parte da trilha sonora de Porto dos Milagres Daniela Mercury, cantando Só no Balanço do Mar, Dorival Caymmi com a canção O Bem do Mar e Dori Caymmi com É Doce Morrer no Mar, da autoria de seu pai Dorival.
Em Tieta (Globo, 1989/1990) a quantidade de cantores baianos foi bem menor quando comparada com Porto dos Milagres, contudo, os hits cantados pelos artistas foram grandes sucessos, começando pelo tema de abertura cantado pelo “rei do axé” Luís Caldas, o tema de locação Meia Lua Inteira na voz de Caetano Veloso e o tema da protagonista Tieta (Betty Faria) e Ricardo (Cássio Gabus Mendes), Tenha Calma, na voz de Maria Bethânia.
No dia 14 de agosto de 1989, entrava no ar pela Rede Globo de Televisão, o primeiro capítulo de “Tieta”, novela de Aguinaldo Silva, adaptada do romance de Jorge Amado, escrita por Aguinaldo, Ana Maria Moretsohn e Ricardo Linhares, com direção de Reynaldo Boury, Ricardo Waddington e Luiz Fernando Carvalho e direção geral de Paulo Ubiratan. Com todas essas feras reunidas, só poderia ser garantia de sucesso! A trama da cabrita rebelde (Claudia Ohana e sua brejeirice) que é expulsa da cidade e volta 25 anos depois para se vingar parou o país.
O elenco é um capítulo à parte. Poucas vezes uma novela contou com um elenco tão bom, vivendo uma galeria de personagens tão carismáticos. Seria até injustiça destacar um ou outro, pois todos os núcleos fizeram muito sucesso. Joana Fomm, inesquecível como o ressentido tribufú Perpétua, deu uma aula de interpretação. Ela soube transitar entre o dramático e o farsesco texto de Aguinaldo com uma competência ímpar. Moralista ao extremo e viúva eterna do Major Cupertino, usurpava a irmã Tieta, moralizava a cidade, mas escondia um mistério dentro de sua caixa branca. Verdadeiro show!
Agora, como falar de “Tieta” sem mencionar aquela que considero a alma e o coração da novela? A protagonista, vivida magistralmente por Betty Faria. Bruno Barreto já disse uma vez, acertadamente, que Betty Faria não interpreta, ela se transforma na própria personagem, tamanha a sua entrega. Na pele de Tieta não foi diferente. Certamente a personagem mais marcante de sua vitoriosa carreira na televisão, a atriz esbanjou vigor, beleza, sensualidade e talento, tanto nas situações hilárias em que sua heroína se metia, quanto nos momentos mais emocionantes e intensos. Aliás, intensa é a palavra que a melhor define. Betty Faria soube fazer de sua Tieta um manifesto ao amor e à liberdade e suas cenas emocionam até hoje.