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sábado, 30 de outubro de 2010

CAPA DA REVISTA MEMÓRIA DA TV - EDIÇÃO II
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Ilustração: Eduardo Secco
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EDITORIAL

Meu Deus! Como é difícil publicar uma revista! Conseguir a colaboração dos repórteres; revisar todas as matérias; cuidar do designer gráfico, enfim. Zelar por cada detalhe para oferecer o melhor ao leitor. Acredito que, depois deste trabalho árduo, conseguimos atingir o nosso objetivo. E espero que, assim como nós que produzimos esta edição, você possa se envolver e se deliciar com os textos publicados.

A segunda edição da Revista Memória da TV mantém o espírito da primeira publicação, feita no ano passado. São matérias de apaixonados por televisão em geral, membros do grupo Memória da TV, que visam promover o resgate da nossa história televisiva. É assim que neste número, por exemplo, você encontra uma ótima análise da também ótima Rainha da Sucata, realizada pelo querido Wesley Vieira. Matéria tão boa que levou a capa desta edição! Ainda na linha resgate, Guilherme Staush analisa Dancin’ Days, sucesso de Gilberto Braga, exibido em 1978, e disponível para download na internet graças a aficionados por telenovelas, responsáveis também pelas inúmeras comunidades Media Share espalhadas pelo Orkut, que servem de tema para uma matéria minha em parceira com Daniel Pepe. De minha autoria também é a reportagem que traça os perfis de Cláudia da Silva e Joana Flores, mocinha e vilã, se que é podemos classificar assim, de Fera Radical.
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Guilherme Staush também assina uma segunda matéria, desta vez voltada para as velhas músicas presentes em novas aberturas, referentes aos temas utilizados na exibição dos créditos das novelas exibidas nesta última década. Música também é o tema da matéria assinada por Thiago Henrick, sobre os Festivais que tanto sucesso fizeram em outros tempos nas nossas emissoras de televisão.

Nossa revista também tem espaço para biografias. É o caso do texto de Fábio Costa sobre o dramaturgo Jorge Andrade. E para curiosidades, como a matéria de Walter Cerqueira sobre a evolução dos sites das novelas globais e a de Rodrigo Ferraz, a respeito dos talentos revelados na Malhação. Para as leitoras (e leitores também, por que não?), Aline Reis traz tudo sobre os esmaltes que estão fazendo sucesso nas novelas atuais. Vale a pena conferir!

É isso, queridos. Espero que gostem do conteúdo de nossa revista e comentem o mesmo. Nós, da redação, agradecemos desde já.

Boa leitura!
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Eduardo Secco

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ÍNDICE

Memória Da TV: Folhetim
Sucateira!
A luta da emergente Maria do Carmo contra a falida Laurinha Figueroa (Wesley Vieira)

Memória Da TV: Resgate
Dancin’ Days revisitada
Os embalos de Júlia Matos 32 anos depois (Guilherme Staush)

Memória Da TV: Documento
Em cena, no clicar do mouse
As comunidades Media Share resgatam grandes sucessos (Daniel Pepe e Eduardo Secco)

Memória Da TV: Mídia
Novela também na rede!
A evolução dos sites das novelas globais (Walter Cerqueira)

Memória Da TV: Clássicos
Tem música na tela!
Os festivais da canção fizeram a cabeça do público nos anos 70 e 80 (Thiago Henrick)

Memória Da TV: Música
Velhas músicas para novas aberturas
Os temas de abertura das novelas na última década (Guilherme Staush)

Memória Da TV: Biografia
O crítico da sociedade paulistana
A vida e a obra do dramaturgo Jorge Andrade (Fábio Costa)

Memória Da TV: Beleza
Bombando com as manicures!
Os esmaltes que fazem a cabeça das personagens e das telespectadoras (Aline Reis)

Memória Da TV: Curiosidades
Celeiro de talentos
Os grandes nomes revelados na Malhação (Rodrigo Ferraz)

Memória Da TV: Personagem
Uma mocinha vilã ou uma vilã mocinha?
O antagonismo das protagonistas de Fera Radical (Eduardo Secco)
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AGRADECIMENTOS


Agradeço a todos os amigos que se dispuseram a colaborar para que o lançamento dessa segunda edição da Revista Memória da TV fosse realizado. É muito bom saber que existem pessoas que estão sempre prontas a ajudar nessas horas, e todos os colaboradores, que escreveram esses artigos maravilhosos: Aline, Daniel, Fábio, Rodrigo,Thiago, Walter, e Wesley foram nota 10!

Um agradecimento mais do que especial ao meu amigo Eduardo Secco (Duh), responsável absoluto por essa edição. Sem ele, teria tudo ficado só no projeto. Não me envolvi com absolutamente nada. Foi ele quem intimou os colaboradores, fez toda a organização da revista, escreveu o editorial, e realizou as belíssimas ilustrações que acompanham todas as postagens, além de escrever dois artigos. Muito obrigado de coração!
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Guilherme Staush
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Jorge Andrade, um intelectual incompreendido.
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por Fábio Costa



Talvez esteja equivocado ao chamar Aluísio Jorge de Andrade Franco de “intelectual incompreendido”. Ou não. Saudado entre os maiores dramaturgos do teatro brasileiro moderno, com sua obra permeada pela troca de mãos do poder dos fazendeiros cafeicultores para a burguesia representada em especial pelos imigrantes que enriqueceram, tema recorrente junto do conflito de gerações, de valores e o embate entre a tradição e a modernidade.
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Este paulista de Barretos nascido em 1922, principalmente depois de se tornar autor de novelas de televisão se viu entre o teatro, em que era tido como autor cuja qualidade dramática era elitista e requintada demais, e a televisão, em que igualmente seu texto era visto como “de muita qualidade” para o veículo. Um contra-senso, quando nos lembramos do conceito que Jorge Andrade fazia do trabalho de novelista quanto a poder propagar as ideias de suas peças para muito mais pessoas ao mesmo tempo, se as expressasse por meio das telenovelas, de tão grande alcance. Pensamento este, aliás, compartilhado por Dias Gomes, também nascido em 1922 (e morto em 1999) e que também passou do teatro à televisão por enxergar no veículo condições de propagar os ideais de seus personagens a muito mais gente simultaneamente.

São de sua autoria peças que marcaram a evolução do teatro brasileiro no século XX como A Moratória, Os Ossos do Barão, A Escada, Vereda da Salvação, além de Pedreira das Almas, Senhora da Boca do Lixo, Milagre na Cela e outras. Seu nome é um marco quando se reconstitui o significado do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) para a história do teatro no Brasil.

Era sabido que, por defender sua arte e o trabalho artístico possível mesmo num veículo considerado menor por muitos intelectuais, pouco ligava para números de audiência ou pesquisas de opinião ao conduzir suas histórias, desenvolver em capítulos os dramas de seus personagens. Tampouco Jorge Andrade se acreditava influenciável pelo desempenho dos atores, ao ver o trabalho no ar, para desenvolver o que ainda estaria por vir.

Tinha por hábito, sempre que acertava a escrita de uma novela, o desenvolvimento de uma sinopse de volume considerável e descrições detalhadas de características dos personagens, chegando a três ou quatro laudas para cada um deles. Bem como tinha toda a história que pretendia contar predeterminada, construída, e com isso mesmo justificava seu dar de braços para o Ibope ou para pesquisas encomendadas pela emissora a respeito de pares românticos, temáticas etc.
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A estreia de Jorge Andrade como autor de telenovelas deu-se em 1973 quando, convidado pela Rede Globo, iniciou o trabalho de adaptação de sua peça Os Ossos do Barão para a televisão. O horário era o das dez da noite, e a novela substituiria O Bem-amado, de Dias Gomes, primeira em cores produzida no Brasil e marcada pelo sucesso.
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Na novela, Andrade juntou os eixos principais de duas peças: além da que intitulava o trabalho e tratava da busca de um ex-colono italiano, hoje industrial poderoso, por um título de nobreza, figurava também A Escada com o tema dos patriarcas que, já idosos, levam os filhos a considerar a ideia de interná-los num asilo. Egisto Ghirotto, o italiano, foi interpretado por Lima Duarte. Antenor e Melica, os velhinhos cujos filhos se viam em torno da decisão de internar ou não, eram Paulo Gracindo e Carmem Silva. Junto a eles, um elenco estelar: Leonardo Villar, Dina Sfat, José Wilker, Lélia Abramo, Maria Luiza Castelli, Sandra Bréa, Renata Sorrah, Elza Gomes, José Augusto Branco, Gracindo Júnior, Ruth de Souza, Edney Giovenazzi e Bibi Vogel, entre outros. A direção foi de Régis Cardoso. Como diz Ismael Fernandes em seu Memória da Telenovela Brasileira (Brasiliense, 1994), “a fusão das duas peças teatrais foi o esteio funcional de toda a novela, as obras se ajustaram dando possibilidade de criação em que uma completava as indagações da outra”. Os outrora poderosos barões de café, enfraquecidos e pobres, moravam agora nas cidades, em apartamentos que correspondiam a frações ínfimas de suas casas senhoriais, acompanhando impotentes a ascensão de outros grupos que ocupavam o lugar que outrora foi deles.

Foi um trabalho de êxito de crítica e de público, no ar de outubro de 1973 a março de 1974, dirigido por Walter Avancini. Sua segunda investida, dois anos depois e no mesmo horário das dez, já não pode ser considerada da mesma forma. O Grito, exibida de outubro de 1975 a abril de 1976, enfrentou muitos problemas. Principalmente por exibir São Paulo de uma maneira considerada fora da realidade da cidade, quando na verdade a mostrava como era e é: caótica, claustrofóbica, confusa. O grito do título tanto era o de Paulinho (Marcos Andreas), o filho da ex-freira Marta (Glória Menezes) que gritava de madrugada devido a uma doença, perturbando o sono dos moradores do Edifício Paraíso (espécie de microcosmo da cidade) e gerando um movimento para expulsá-los de lá, como podia ser o do homem urbano, oprimido pela cidade grande, seus conflitos, problemas, questões que mexem com a vida de todos, mas para as quais poucos atentam, que tem em Gilberto (Walmor Chagas) grande representante. O Paraíso, décadas antes construído para abrigar famílias abastadas, passa por adaptações e aceita como moradores pessoas de classe média e baixa, enquanto no andar superior moram os aristocratas Edgar (Leonardo Villar) e Mafalda (Maria Fernanda).
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Apenas três anos depois, em maio de 1979, e agora na Rede Tupi, é que Jorge faria sua terceira investida no gênero telenovela. Exibida às nove da noite, num esquema parecido com o “quando acabar a novela da Globo” que o SBT adota, ia ao ar Gaivotas, cuja trama trazia como protagonista Daniel (Rubens de Falco), um empresário riquíssimo que reúne seus amigos de colégio trinta anos depois da formatura da turma.
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Certo, mas para quê? Desejo de ensinar a eles como dar certo na vida tal qual ele, vontade de humilhá-los como faziam com ele, agora que está em condições? Simplesmente passar uns tempos com eles, quem sabe tentar conhecê-los melhor e dar início enfim a amizades verdadeiras, passada a juventude? Rever o grande amor, com a desculpa da reunião da turma? Puro saudosismo? Essa indagação permanece ao longo de toda a trama, mesmo quando se sabe que ele, acusado injustamente de ter parte na morte da professora Norma (Selma Egrei), quer provar sua inocência e descobrir o verdadeiro culpado.
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De origem pobre, Daniel só conseguiu estudar graças a uma bolsa que ganhara no Externato Pacheco, de propriedade de Dona Idalina (Márcia Real). Os alunos, em especial Maria Emília (Yoná Magalhães), seu grande amor, o desprezavam. Nos trinta anos que se seguiram à humilhação da formatura, Daniel ascendeu espantosamente enquanto os colegas decaíram, embora hoje permaneçam apegados a valores e hábitos de antes – em especial Maria Emília, que conserva a altivez. Durante alguns dias, a reunião da turma no solar de Daniel traz de volta o passado que une a todos num segredo comum e mostra como o presente pode ser determinado de forma decisiva pelo passado. Não à toa, o slogan promocional da história era “O reencontro do tempo perdido, trinta anos depois”. Exibida até outubro, Gaivotas tinha o “Libertango” de Piazzolla na abertura e, no elenco, Isabel Ribeiro, Altair Lima, Cleyde Yaconis, Berta Zemmel, John Herbert, Wilson Fragoso, Laura Cardoso, Elizabeth Gasper, Serafim Gonzalez, Paulo Hesse, Abrahão Farc, Gésio Amadeu, Geórgia Gomide, Francisco Milani, entre outros, além de atores jovens que depois se consagrariam no gênero: Edson Celulari, Cristina Mullins, Paulo Castelli. A direção foi de Antonio Abujamra, Henrique Martins e Edison Braga.
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Entre 1981 e 1982, adaptou o romance O Fiel e a Pedra, de Osman Lins, para o projeto Tele-romance da TV Cultura, e assumiu a autoria de duas telenovelas “com o bonde andando”, na Rede Bandeirantes: Dulcinéa Vai à Guerra, de Sérgio Jockyman, e Os Adolescentes, de Ivani Ribeiro.
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Em substituição a Os Adolescentes, a emissora estreou em abril de 1982 no horário (21h15) Ninho da Serpente, grande momento da obra do autor. O título fazia referência à mansão do Jardim América, São Paulo, praticamente cenário único da história, e à matriarca Guilhermina Taques Penteado (Cleyde Yaconis) reinava soberana junto a filhos, genros, netos e criados, todos às voltas com a herança de Cândido Taques, seu irmão, que ao morrer deixa a dinheirama para Matheus (Kito Junqueira), seu enfermeiro (e, sabemos depois, seu filho). A herança move todos os personagens, tanto que o título da novela, dirigida por Henrique Martins e Antonio Abujamra, quase foi Os Herdeiros.
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Ainda que desprestigiada pelo testamento do irmão, Guilhermina não perde a pose, apegada que é às tradições quatrocentonas, importando para ela manter sua família no poder, de que forma for. Assim, não vê obstáculo no casamento de Matheus com sua neta Lídia (Eliane Giardini), embora ele tenha origem pobre, mas é terminantemente contrária ao romance do irmão de Lídia, Karl (Paulo César Grande), com a jovem Marinalda (Mayara Magri), uma das empregadas da casa, que termina morta após ser enforcada em seu quartinho.
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Um mês após a estreia, Ninho da Serpente passou para as oito da noite, passando a competir com Janete Clair e sua Sétimo Sentido na Globo, numa cartada em que a emissora usou o slogan “A novela das oito mudou de canal”. No elenco, ainda as presenças de Beatriz Segall, Laura Cardoso, Márcia de Windsor, Luiz Carlos de Moraes, Antônio Petrin, Carmem Silva, Selma Egrei, Othon Bastos, Imara Reis, Jairo Arco e Flexa, Raymundo de Souza, Sônia Oiticica, Nydia Lícia e Juca de Oliveira, entre outros. Ainda, destaque para a presença da atriz Denise Stoklos, de raros trabalhos em televisão, vivendo Oriana, uma das criadas.
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O último trabalho de Jorge Andrade na telenovela, Sabor de Mel, foi lançado em abril de 1983 pela Rede Bandeirantes de forma audaciosa, o que se verifica no slogan “A novela das oito mudou de canal”, novamente utilizado nas propagandas, valendo-se do fato de a Rede Globo então estar com uma reprise em pleno horário nobre, a de O Casarão (1976), de Lauro César Muniz. A protagonista era Laura (Sandra Bréa), a “esfinge do Morumbi”, mulher riquíssima que resolve anunciar no jornal que pagará 50 milhões de cruzeiros a quem conseguir decifrar um enigma que propõe.
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A convivência de Laura com os diversos interessados que se apresentam, suas histórias de vida e propósitos para o que fazer com o dinheiro, era o mote principal. E a emissora também oferecia aos telespectadores a oportunidade de ganhar dinheiro desvendando o enigma de Laura, a saber: “Não existiu, mas aprisionou e torturou; envenenou e corrompeu; atormentou, levando à ignorância e ao medo. Suplício do qual o homem, cumprindo seu destino, libertou-se e transcendeu. Dragão maligno, que os jovens de hoje venceram com a espada da esperança.” A resposta era “o pecado”.
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No elenco milionário contratado pela emissora estavam Raul Cortez, Flávio Galvão, Gianfrancesco Guarnieri (que substituiu Paulo Autran pouco antes da estreia), Célia Helena, Eva Todor, Carmem Silva, Françoise Forton, Mila Moreira, Karin Rodrigues e Odilon Wagner, entre outros, além da presença de Clodovil Hernandez de forma quase biográfica. Infelizmente, o impacto dos capítulos iniciais, de boa audiência foi sufocado pela Rede Globo com a antecipação da estreia de Louco Amor, de Gilberto Braga, para o dia 11 de abril, uma semana depois. Assim, Sabor de Mel acabou perdendo público e terminou como fracasso de audiência, sendo inclusive encurtada (terminou em julho) e rendendo a Jorge um afastamento, por se negar a “baixar o nível” a fim de melhorar os números.
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Jorge Andrade faleceu em 1984, entristecido pela condição de sua obra, perdida entre a aceitação teatral e televisiva. Um caso de autor “perseguido” não pela falta de qualidade de seus trabalhos, mas justamente por apresentá-la em excesso, quem sabe. Para nós, principalmente considerando suas peças teatrais, fica o legado de um autor que, através de seus personagens apegados a valores ultrapassados, títulos de nobreza, “pedigree”, e seus embates com aqueles que os querem fazer compreender o mundo moderno, que dispensa esse tipo de coisa, apresentou uma representação da construção da sociedade paulista e brasileira, abordando seus problemas para que, a partir dessa abordagem, eles fossem discutidos e, quem sabe, solucionados. Declarou ele certa vez que “só através da cultura e da compreensão dos seus problemas é que o homem se liberta”. Faz sentido.
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DANCIN' DAYS - REVISITADA
Os Embalos de Júlia Matos 32 anos depois.


por Guilherme Staush



Algumas novelas são sempre lembradas por causa de suas tramas centrais; outras por conta de personagens ou atuações marcantes, e há ainda as que são lembradas pelo modismo que criaram ou ajudaram a proliferar na época em que foram exibidas. “Dancin’ Days” certamente está classificada nesta última categoria. A novela escrita por Gilberto Braga e dirigida por Daniel Filho e Gonzaga Blota, exibida no horário das 8, em 1978, pela Rede Globo, é , na maioria das vezes, lembrada pelos agitos da discoteca Frenetic Dancin’ Days, do personagem Hélio, interpretado por Reginaldo Faria. Embora as meias de lurex, óculos de gatinha, e roupas coloridas tenham servido apenas como adereços totalmente irrelevantes às tramas da novela, não há como não lembrar do show de dança da personagem de Sônia Braga juntamente com o dançarino Paulette, que fez parar a referida discoteca.
Era a moda transcendendo a trama da novela.

Entretanto, “Dancin’ Days” foi muito mais do que uma novela que acompanhou o sucesso do filme Os Embalos de Sábado à Noite, com John Travolta. A trama apresentou personagens marcantes, densos e diversas cenas emocionantes, reflexo de um texto muito bem escrito, em uma época em que se valorizava mais o ator, e os personagens tinham bem mais conteúdo. Se por um lado, muitos dos personagens (incluindo os protagonistas) da novela eram insatisfeitos, angustiados, depressivos - o que se tornaria uma marca do autor Gilberto Braga, pelo menos em suas duas novelas seguintes: Água Viva e Brilhante - por outro, eram pessoas que não mediam esforços para ir em busca da felicidade, ainda que metendo os pés pelas mãos nessa tentativa.



A ANGÚSTIA DOS PROTAGONISTAS

Júlia Matos (Sônia Braga) foi condenada a 22 anos de prisão por se envolver em um assalto a um armarinho que vendia lança-perfumes, e, durante sua fuga, teve o azar de atropelar e matar um homem. Depois de cumprir metade da pena, ela ganha liberdade condicional. Só então ela descobre que sua sentença não foi só passar um longo período na penitenciária, mas conviver diariamente com as feridas que marcaram a sua vida no passado: ela teria que percorrer um longo caminho até ser aceita pela sociedade, vencendo as barreiras do preconceito e da intolerância. Seu maior objetivo seria aproximar-se e conquistar o amor da filha que teve aos 17 anos, Marisa (Glória Pires).

Carlos Eduardo (Cacá) (Antônio Fagundes) é um diplomata frustrado que vive em Brasília, longe dos pais Franklin (Cláudio Corrêa e castro) e Celina (Beatriz Segall) e do irmão caçula Beto (Lauro Corona). A fraqueza e a falta de determinação de Cacá fizeram com que o ele seguisse uma carreira imposta pela mãe. Profundamente infeliz, sem obter realização no trabalho e no amor, ele resolve abandonar a carreira da diplomacia, voltar ao Rio de Janeiro e fazer um teste vocacional, para desespero dos pais, ainda que beirando os 30 anos de idade. Na verdade, os problemas emocionais de Cacá vão muito além. O rapaz não aceita a condição financeira e social da família e quer construir sua vida, ainda que medíocre, com seu próprio esforço, ainda mais quando se vê apaixonado por uma misteriosa mulher, a quem ele passa a chamar de “gata”. Na verdade, a tal “felina” é Júlia Mattos, que por receio de ser rejeitada, oculta seu nome e seu passado.

Yolanda Pratini (Joana Fomm) é a irmã de Júlia. Uma alpinista social (figura que se tornaria recorrente nas novelas do autor) que viu em seu casamento com Horácio (José Lewgoy) a segurança financeira e a entrada para a alta sociedade carioca.
Foi Yolanda quem criou Marisa após Júlia ter sido presa. O excesso de proteção e uma educação superficial, sempre atendendo aos interesses pessoais de Yolanda, fizeram de
Marisa uma pessoa mimada, fútil, infantil e desprovida de cultura. De fato, Yolanda preparou “a filha” para fazer bonito como uma mulher de sociedade, falando vários idiomas, aprendendo a se portar bem à mesa, a conversar sobre diversos assuntos, e
principalmente caçar um homem rico, e Yolanda não hesita em jogar a filha nos braços (e na cama) de Beto (Lauro Corona), de quem Marisa engravida com apenas 17 anos de idade, mesma
idade que sua mãe legítima tinha quando engravidou dela, e, dessa forma, consegue fazer com que a filha se case com o um rapaz de família rica. Porém, o casamento de Marisa e Beto é um verdadeiro desastre, pois ele, assim como Marisa, só quer saber de curtir as coisas boas da vida e não tem o mínimo de maturidade e responsabilidade para criar um filho.
Mais tarde Beto encontra a felicidade nos braços da madura Verinha (Lídia Brondi), por quem, de fato, sempre foi apaixonado.
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O grande erro de Júlia talvez tenha sido querer se igualar a irmã para tentar conquistar o amor de Marisa. Júlia vê na ascendência social a porta de entrada para sua almejada aproximação com a filha, e através do ingênuo, tímido e apaixonado Ubirajara (Ary Fontoura), ela consegue viajar para a Europa com sua amiga Solange (Jaqueline Laurence), e tomar um banho de loja e de cultura, voltando para o Brasil completamente modificada. A humilde e carinhosa Júlia dá lugar a uma mulher sensual, decidida e com uma leve arrogância como arma de defesa.
Ao mesmo tempo em que acontece a ascendência social de Júlia Mattos, a vida de Yolanda desmorona quando esta pede o divórcio para o marido por não aguentar mais conviver com ele, sustentando um casamento que sobreviveu de aparências durante 20 anos. As dificuldades financeiras de Yolanda e a rejeição de Hélio (Reginaldo Faria), por quem ela é apaixonada, dão início a derrocada da personagem.
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GAROTA-CABEÇA

Com o afastamento de Júlia, Cacá conhece Inês (Sura Berditechewsky). Filha de Áurea (Yara Amaral) e Aníbal (Ivan Cândido), ela é uma moça liberal, inteligente e bem a frente de seu tempo. Inês claramente não quer seguir os mesmos passos da mãe e se tornar uma dona de casa, dependendo financeiramente do marido, e tendo que pedir permissão até mesmo para ir à praia. Muito mais do que um bom casamento, Inês almeja, acima de tudo, terminar sua faculdade e conseguir um bom emprego para tornar-se uma mulher independente, e esta foi a razão do rompimento de seu noivado com Raulzinho (Eduardo Tornaghi), um jovem e promissor médico, que viaja para a Amazônia, sozinho, frustrado pelo fato de Inês não tê-lo acompanhado.
O relacionamento de Cacá e Inês foi mais uma afinidade intelectual do que amorosa. Ele admirava as idéias transgressoras e a inteligência dela, e ela, por sua vez, admirava os ideais do rapaz rico que abandonava uma carreira promissora e rejeitava sua condição social. Na verdade, Cacá sempre foi apaixonado por Júlia, e Inês por Raulzinho. O relacionamento dos dois foi uma válvula de escape para ambos.


A ELEGÂNCIA DECADENTE DE UM NOBRE PLEBEU.

Alberico Santos é um velho morador da zona sul do Rio de Janeiro. Marido de Estér (Lourdes Mayer) e pai de Carminha (Pepita Rodrigues) e Áurea (Yara Amaral), ele vive em um mundo completamente fora de sua realidade, e as dificuldades financeiras da família jamais o preocuparam. No passado, Alberico ficou bastante conhecido por promover bailes bem sucedidos para a alta sociedade carioca, o que lhe renderam algumas amizades de prestígio. Porém, aos 70 anos de idade, Alberico é um sonhador, capaz de ter as idéias mais disparatadas, e não hesitar em aplicar um dinheiro que não tem a fim de realizá-las. Ele inaugurou a primeira empresa carioca para formadores de copeiros, por exemplo, que não tardou a ir à falência, além de tentar levar adiante um projeto mal elaborado de criação de rãs.
Para Alberico, não havia crise financeira. As pessoas se preocupavam demais com dinheiro. Sua elegância e sua fineza jamais lhe permitiam preocupar-se com assuntos de pouca importância. Eram coisas muito pequenas, “coisas de gentinha”, como costumava dizer, para desespero de sua família.

Apesar de ser um velho de difícil convívio, Alberico é extramente carinhoso com a mulher e os filhos. O ator Mário Lago (1911 – 2002) defendeu magistralmente este maravilhoso personagem. É dele e Lourdes Mayer uma das cenas mais emocionantes da novela: após uma festa de comemoração de 50 anos de casamento, ele e a mulher, sozinhos na sala de seu apartamento, dançam e relembram quando se conheceram, repetindo os mesmos diálogos daquela época.
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UM GRANDE PAPEL PARA UMA GRANDE ATRIZ

Outro grande destaque da novela foi a personagem Áurea, muito bem defendida pela saudosa Yara Amaral (1936 – 1988). Ela é irmã de Carminha (Pepita Rodrigues), mãe de Inês, e tem um casamento infeliz com o mulherengo Aníbal.
Áurea é do tipo que se anulou completamente como mulher, como ser humano, em favor de um casamento de aparências. Mesmo conhecendo bem o marido que tinha, ela não hesitava em dizer que ele era um marido maravilhoso e um chefe de família exemplar. Com a morte prematura de Aníbal em um acidente de carro, ela se vê obrigada a tomar conta dos negócios da família, tomar decisões e a trabalhar em um cargo público para sustentar a casa, já que o marido deixou mãe e filha em péssima situação financeira. As dificuldades de Áurea começam quando ela se mostra completamente despreparada para a vida. Assim como a maioria das mulheres da época, só havia sido educada para ser uma mulher do lar, assim como sua mãe.
O envolvimento amoroso de Áurea com um misterioso homem, que mais tarde ela descobre ser casado e pai de três filhos, agravaram a situação neurológica da personagem, que acaba sendo internada para fazer um tratamento psiquiátrico. Aliás, nunca uma novela explorou tanto a análise psiquiátrica como Dancin’ Days. O protagonista Cacá também recorreu à análise e teve inúmeras cenas com suas infindáveis sessões sendo retratadas. Yolanda também se recolheu a um tratamento ao romper o relacionamento com Hélio.
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UMA SECRETÁRIA PSICOPATA E UM ADVOGADO MAU CARÁTER

Franklin Cardoso (Cláudio Corrêa e Castro) é um advogado bem sucedido, que casou com Celina (Beatriz Segall) por interesse. É pai de Cacá e Beto, e vive um casamento conturbado por causa da insegurança e desconfianças da esposa.
Depois da morte de Celina, Franklin vê a chance de se aproximar de Carminha, por quem é apaixonado, mas vê seus planos desmoronarem ao se confrontar com a secretária Neide (Regina Vianna), que assume a personalidade de Celina, e passa a chantagear Franklin, já que possui um documento de Celina que incrimina o advogado.
Neide passa a se vestir com as roupas de Celina, a usar o mesmo penteado, e a agir como a ex-patroa. Apaixonada por Franklin, ela exige que ele se afaste de Carminha.
Interessante observar que o comportamento de Neide faz com que ela pareça ter sido apaixonada por Celina, e não por Franklin, pelo fato de assumir a personalidade dela e de contemplar a ex-patroa em excesso, pois não faria sentido ela tentar conquistar Franklin assumindo a personalidade de sua esposa, visto que o advogado rejeitava tanto a mulher.

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UM AMIGO PARA TODAS AS HORAS E A REVELAÇÃO DO SEGREDO DE FRANKLIN.

O documento que incrimina Franklin é finalmente retirado das mãos de Neide com a ajuda de Jofre (Milton Moraes), o amigo de todas as horas de todos. Ele finge interessar-se por Neide, e, aos poucos, ela entrega todos os seus segredos, inclusive o documento deixado por Celina.
O advogado, querendo dar o golpe do baú em Celina, e estando próximo de casar-se com ela, entrou de conchavo com um amigo, e ambos falsificaram uma certidão de nascimento para ganhar dinheiro com a morte de um homem rico e sem herdeiros. O pai de Celina descobriu tudo após o casamento da filha, mas o escândalo foi abafado, restando um documento escrito por Celina que denunciava o marido.
Jofre fez tudo por amor a Carminha, por quem foi rejeitado no passado. Ela estava prestes a abandonar sua vida no Rio de Janeiro para viajar com o advogado para o exterior, sem nem mesmo saber o porquê dessa fuga repentina dele. Obviamente, Carminha reconhece que Jofre sempre foi o homem de sua vida.
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AS VÍUVAS DA MIGUEL LEMOS E UM SOLTEIRÃO MUITO ESTRANHO

Nem todas eram viúvas, mas Alzira (Gracinda Freire), Solange (Jaqueline Laurence), e Emília (Cleyde Blota) formavam um time de mulheres em busca de um príncipe encantado nas agitadas areias de Copacabana.
É impossível , pelo menos para mim, falar de Dancin’ Days sem mencionar a personagem Alzira, uma das mais engraçadas personagens da novela. Ainda que com um passado triste, a viúva, irmã de Jofre, não se deixava levar pelas dificuldades da vida, e parte para cima dos solteirões da novela com todo seu “charme e discrição”. Extremamente pão-dura, gritona, espalhafatosa, e sem senso do ridículo, Alzira rendeu os melhores momentos de humor da novela. Foi agraciada com um final feliz: terminou nos braços do rico Ubirajara (Ary Fontoura), um homem cheio de mistérios, que, no início da novela, acreditava-se que fosse homossexual por interessar-se por fotos de homens sarados da academia de ginástica da qual era proprietário. Mais tarde, porém, descobre-se que ele usava essas fotografias para corresponder-se com mulheres, já que era um homem muito tímido e desprovido de beleza exterior. Na verdade, ele colecionava fotos de mulheres nuas em sua sala particular da academia, e era apaixonado por Júlia, com quem quase se casou no decorrer da novela.
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O AMIGO MAIS FIEL DA ALPINISTA SOCIAL

Everaldo (Renato Pedrosa) não era só o mordomo exemplar da socialite Yolanda Pratini, mas seu amigo mais fiel. Talvez o único. Apaixonado por Greta Garbo, ele via na patroa o retrato de sua diva.
Everaldo sabia de todos os segredos da patroa. Era seu confidente mais fiel. Mesmo com as dificuldades financeiras de Yolanda, ele jamais a abandonou.
É com ele que Yolanda compartilha um dos momentos mais ternos da novela: Everaldo senta-se à mesa com Yolanda durante a ceia de natal e lhe dá um presente, um singelo anjinho musical, além de confessar toda a sua devoção a ela. Um dos raros momentos de humanização da personagem Yolanda, que chora com o gesto humilde do fiel copeiro.
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AS ATRIZES NEGRAS DA NOVELA

Chica Xavier (Marlene) e Neuza Borges (Madá) representaram as atrizes negras da novela. Em uma época onde a teledramaturgia já havia dado o seu primeiro passo para retirar os atores negros da cozinha (Milton Gonçalves já havia interpretado um médico na novela Pecado Capital), a novela não apresentou grandes inovações nesse sentido. A primeira era uma empregada doméstica na casa de Alberico, que a chamava “carinhosamente” de bruxa velha. A segunda, uma ex-presidiária, companheira de Júlia na penitenciária, que acaba virando cantora no final.
Estranhamente, por vezes era possível observar um discurso racista através dessas personagens . Em uma determinada cena, por exemplo, a personagem de Chica Xavier recebe a incumbência de ir ao banco descontar um cheque para Carminha. A empregada, então, argumenta: “Ah! A senhora sabe que eu detesto ir ao banco. Sempre que eu entro lá ficam me olhando meio esquisito, pensando que é assalto”. O que deveria soar como uma crítica, chega ao telespectador como uma piada.
Em outra cena, indagada por Júlia que tipo de trabalho Madalena arranjou após ser posta em liberdade, ela resmunga: “Ah! Empregada doméstica, né? O que mais poderia ser?”
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FINAL FELIZ

Após Marisa descobrir quem é seu verdadeiro pai, um sujeito bronco, que trabalha em um posto de gasolina, e, sem coragem de se aproximar dele, e, também pelo fato de entender o que significava ter a responsabilidade de ser mãe aos 17 anos, ela perdoa a mãe.
Júlia e Cacá se reconciliam após Franklin ter separado os dois, argumentando que Cacá havia desistido da carreira pelo fato de Júlia ser uma ex-presidiária, e culpá-la por afundar a vida do rapaz. Mas Júlia, como toda a heroína que se preza, deixou a vingança de lado, e livrou Franklin da prisão, já que possuía o documento que o incriminava, mas decidiu por rasgá-lo.
As irmãs Júlia e Yolanda, depois de tanto se confontarem pelo amor de Marisa, travam um duelo final corpo a corpo, na inauguração do clube de Alberico e Jofre, e no final, fazem as pazes, em uma cena antológica.

Como podemos observar, a novela apresentou vários personagens consistentes e bem delineados. Muitos deles tristes, angustiados, depressivos, como Cacá, Julia, Carminha, Hélio, Áurea,e até mesmo a própria Yolanda, que mesmo sendo a antagonista, não caiu na mesmice de uma vilã de novela das 8. A novela conseguiu fugir do maniqueísmo típico dos folhetins. Ela era uma pessoa de carne e osso, com defeitos e qualidades, e lutava por aquilo que acreditava. Suas ações tinham uma razão plausível, verossímil.

REMAKE DA NOVELA?

A discoteca que dá nome à novela (sugestão de Daniel Filho) é meramente um ambiente onde as personagens se encontram, onde jovens aparecem dançando, trazendo um charme todo especial à novela.
As especulações de um possível remake da novela me fazem pensar que seja perfeitamente possível. O nome pode ser mudado, já que "Dancin' Days"não faz sentido nos dias de hoje, assim como a locação da discoteca é totalmente dispensável à trama. Mas, será que atualmente, com um público tão exigente e ansioso por tramas mais inovadoras, a história de duas irmãs, uma ex-presidiária e uma mulher da sociedade, que lutam pelo amor de uma menina, ainda renderia uma novela de sucesso?
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BOAS OU MÁS
Fera Radical trouxe mocinha e vilã de personalidades e condutas praticamente idênticas
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Por Eduardo Secco


“O demônio se veste de anjo para melhor enfeitiçar”. Com esta frase, Joana Flores (Yara Amaral) alertava o filho Fernando (José Mayer) dos perigos que a aparentemente inofensiva Cláudia (Malu Mader) poderia trazer ao rapaz. “Ela foi lá dar a última cartada. Ela foi lá pra me matar!” Assim, Cláudia rebatia as acusações de Joana, tendo como interlocutor o mesmo Fernando. Responsáveis pelo conflito central de Fera Radical, trama de Walter Negrão exibida em 1988, Cláudia e Joana fugiam do maniqueísmo vigente em quase todas as telenovelas, deixando de lado os perfis clássicos de mocinha e vilã. As duas possuíam contornos semelhantes e lutavam, cada uma a sua forma, pelo mesmo intento: defenderem suas famílias. Enquanto Cláudia almejava vingança contra os responsáveis pela chacina que dizimou os Silva, Joana tentava evitar a dissolução dos Flores, iniciada após a chegada da analista de sistemas à pequena cidade de Rio Novo, no interior fluminense.

Atendendo ao chamado de Heitor (Thales Pan Chacon), Cláudia passa a trabalhar no frigorífico da família Flores, escondendo consigo o real motivo que a fez aceitar tal emprego: descobrir o responsável pela morte de seus pais e vingar-se do mesmo. Lançando mão de sua aparente fragilidade e de seu charme, Cláudia consegue conquistar Heitor e Fernando, balançando a relação entre os irmãos, e ganha a confiança de Altino (Paulo Goulart), patriarca da família a quem Cláudia atribuía, de início, a autoria do crime do qual buscava vingança.






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Joana se incomodava com a presença da intrusa e tentava, de modo discreto, livrar-se da moça, sempre contando com o respaldo de sua filha, Olívia (Denise Del Vecchio), e de Marília (Carla Camuratti), noiva de Heitor e apaixonada por Fernando. Conforme Cláudia ganha terreno, Joana perde sua sanidade e passa a recorrer a artifícios como chantagens, dissimulação e até mesmo atos de terrorismo, como quando ateia fogo à cinco bonecos, que simbolizavam a família de Cláudia, amedrontando esta, que sofre com constantes pesadelos relacionados ao dia da chacina.

No confronto final, Joana, munida de um revólver, sai à procura de Cláudia, a esta altura provando o vestido de noiva que usaria em seu casamento com Fernando. No embate entre as duas, Cláudia aperta o gatilho, disparando contra Joana e conseguindo, enfim, concretizar sua vingança. Era o final do conflito de duas mulheres de personalidade forte, com objetivos parecidos e atitudes semelhantes. Era a fuga do óbvio, da mocinha clássica incapaz de pegar em uma arma e da vilã que agia somente por maldade. Fuga esta que transformou Fera Radical na segunda maior audiência da faixa das 18 horas, e marcou para sempre as trajetórias de Malu Mader e Yara Amaral, perfeitas na criação de Cláudia e Joana. Mais dois grandes personagens para a galeria de tipos inesquecíveis da nossa teledramaturgia.











UNHAS DE NOVELA

Os salões de beleza se rendem aos esmaltes das recentes tramas globais.

Por Aline Reis

Faltam vidrinhos para atender a crescente demanda de esmaltes no mercado brasileiro de cosméticos. A estimativa é que mais de 180 milhões de unidades sejam vendidas durante o ano, sem contar as compras internacionais. E a procura pelos esmaltes das personagens das novelas reflete o comportamento das consumidoras.

Na CAT, Central de Atendimento ao Telespectador, da Rede Globo, é possível perguntar praticamente tudo sobre o figurino das novelas, roupas utilizadas por apresentadores, etc. Quase tudo porque, muitas vezes, alguns acessórios são do acervo pessoal e a atriz/apresentadora se reserva o direito de guardar segredo sobre onde compra suas roupas, a marca do seu esmalte ou da sua tinta de cabelo.

Voltando aos vidrinhos, eles hoje são um dos itens mais pedidos na CAT, e mostram que a busca não é só pelas cores das mocinhas. O item mais pedido até o mês de setembro pertencia a então trama das 6, Escrito nas Estrelas, e não era o usado por Viviane (Nathalia Dill), Beatriz (Débora Falabella) Suely (Giovanna Ewbank) ou Mariana (Carol Castro). Jandira Martini, aos 65 anos, ostentava o título de campeã com o Roxo Metálico, da linha Artística da Colorama, usado por sua Madame Gilda.




















Depois de passar por uma transformação no visual, as unhas de Viviane estavam esmaltadas com Audrey, da coleção Divas, da Impala. Da mesma coleção, Sofia (Zezé Polessa) usava o Jackie. Beatriz, como toda patricinha antenada com as últimas tendências, começou a novela usando um clássico, Ametista, da Colorama, para depois se render a moda dos esmaltes foscos, com o Pedra Granada, da coleção Jóias Místicas da Risqué, lançado na última coleção outono-inverno. Mariana (Carol Castro) usava o importado Cool Vibe, da marca norte americana Milani, que possui um similar nacional usado em outra novela. O curioso é que foi a própria Carol quem sugeriu o esmalte, que é seu, para a personagem. O tom é um rosa da mesma família do Rosa Pink usado por Suely. Também podemos destacar o Coral Chic usado por Luciana (Manuela do Monte), uma cor que sempre faz sucesso no verão e o Black que aparecia nas unhas enormes de Vanessa (Marina Ruy Barbosa), ambos da Colorama.




















No horário das 7, Ti-ti-ti foca o mundo da moda, então nada mais natural que uma coleção de esmaltes lançada especialmente para a novela. São 12 cores, Marta, Rebeca, Amanda, Marcela, Valquíria, Thaísa, Help, Mabi, Camila, Desirée, Jaqueline e Luisa, lançadas pela Hits Speciallità, uma das marcas mais cobiçadas pelas consumidoras. Em vários capítulos é possível identificar as cores nas unhas das atrizes. Mas, como as mulheres da vida real, as personagens às vezes aparecem com um esmaltinho diferente. Thaísa (Fernanda Souza) em sua fase rebelde trocou o cinza claro que leva seu nome por um vermelho. E as personagens sem que não ganharam esmaltes com seu nome nem por isso deixam de aparecer com belas unhas. Já no primeiro capítulo, Suzana (Malu Mader) aparecia com Licor, da Risqué.



















Como não poderia deixar de ser, os esmaltes de Passione também são copiados pelas telespectadoras. Como nas outras novelas, as cores utilizadas são escolhidas com base no perfil da personagem. Dessa maneira, Clara (Mariana Ximenez), por exemplo, intercala dois esmaltes, Renda Charmosa e Penélope Charmosa. O primeiro, clarinho, foi usado quando estava trabalhando como enfermeira e em alguns momentos na Itália. O segundo, que é o gêmeo separado no nascimento do Cool Vibe usado na novela das seis, é usado em momentos de sedução. Lorena (Tammy Di Calafiori) e Fátima (Bianca Bin) seguem tendências internacionais. A ex de Agnello usa o Rio de Janeiro, da Balb Lacquer. A marca não é encontrada com facilidade e um bom substituto é o Citrino Nude, Risqué. Já a filha de Felícia (Larissa Maciel) usa o verde Menta, da Risqué. Também da Balb Lacquer é o lilás usado por Stella (Maitê Proença), Passion. Similares a ele encontramos o Záz, da Impala e o 146, da Hits. As duas esposas de Berillo (Bruno Gagliasso) desfilam com unhas vibrantes. Jéssica (Gabriela Duarte) vai de Rosa Pitanga, da Risqué, um tom metálico que combina com seu jeito patricinha de ser. Agostina (Leandra Leal) mostra que não fica atrás no quesito esmalte e usa o Pipa, da Impala. Um dos grandes destaques da novela das 8 é a francesinha invertida usada por Melina (Mayana Moura), que consiste numa meia lua sem esmalte no sentido contrário ao da tradicional francesinha.





















As novelas, inúmeras vezes, servem de inspiração para quem as assiste. Lançam moda, apresentam tendências e ressuscitam estilos. Com os esmaltes, não poderia ser diferente.
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FESTIVAIS DE MÚSICA
Música boa era sinal de audiência alta na programação das emissoras de TV



Por Thiago Henrick


Saudações aos leitores do Memória da TV. Sabemos que a música brasileira é riquíssima e sempre teve vez na mídia e nos meios de comunicação. Especificadamente na televisão, houve um tempo em que o espaço delimitado para nossa música era imenso! Dezenas de festivais de música eram disponibilizados ao público em horários nobres e acessíveis, fazendo a família toda se reunir e torcer com fervor pelos shows televisionados e suas competições realizadas. Mais ainda: muitos artistas consagraram suas carreiras graças a aparições lendárias em programas diversos.


Esse prestígio era ofertado desde os primórdios das transmissões televisivas, no comecinho da dos anos 60. E, desde então, cada década teve seu expoente musical: artistas que faziam sucesso no rádio e os de maiores vendagens de discos eram imediatamente correlacionados à televisão e vice versa. A Jovem Guarda, por exemplo, chegou a ter um programa próprio exibido pela Record, em 1965. Na mesma década de 60, o movimento musical de cunho político, Tropicalismo, ganhou destaque graças a apresentações lendárias de artistas como Caetano Veloso nos festivais de música popular brasileira (esses, sem dúvidas, as mais lembradas expressões da música na história da televisão, tendo inúmeros tipos ainda nas décadas de 70 e 80).


Já na década de 80, MPB, rock e romantismo eram harmonicamente dispostos no programa Globo de Ouro, apresentando em horário nobre pela Rede Globo. Além disso, quem estava no auge logo se tornava convidado de programas de auditório ou tinha seus videoclipes apresentados com destaque na época do lançamento (o Fantástico, desde a década anterior, era perfeito pra isso!). A mesma emissora proporcionou com destaque, na década de 90 grandes especiais do estilo musical que dominava no momento, o Sertanejo (como o “Amigos”, onde as principais e mais famosas duplas sertanejas se encontravam a cantavam simultaneamente seus sucessos). E muito mais: a Rede Manchete era espetacular para apresentar especiais musicais-solos de artistas com destaque, fazendo merchan demasiado de seus shows (o de lançamento de Marisa Monte, com seu show “MM”, em 1988, é um grande exemplo); a MTV estreou com uma proposta muito maior do que simplesmente apresentar videoclipes – passou a produzir também acústicos de artistas nacionais, tal quais as demais filiais do mundo faziam, com destaque para os acústicos de Gilberto Gil (1994), Gal Costa (1997) e Cássia Eller (2001).


Hoje é que, infelizmente, o espaço pra novidades de nossa música fica restrito a programas de emissoras especializadas em cultura, como a própria TV Cultura. Globo e Record (atuais líderes de audiência), não dispõem mais horários para programas, senão em alguns bem alternativos, como o repaginado Som Brasil. Foi-se o tempo em que a música de qualidade era prestigiada tal qual final de capítulo de novela ou reality shows. Seria desinteresse do público? Ou da parte dos diretores de TV? Será que hoje em dia um especial de Maria Bethânia apresentando show novo seria contemplado com mesmo prazer do de décadas atrás? Dúvidas que permanecerão. Mas hoje é dia de relembrar! Então o Memória da TV faz um breve passeio sobre alguns festivais musicais de nossa trajetória televisiva. Fica a saudade e o lamento por um tempo não vivido por muitos.



1) FESTIVAL DE MÚSICA POPULAR BRASILEIRA (TV EXCELSIOR E TV RECORD)
Sem dúvidas, um dos programas mais lembrados e históricos para quem admira o gênero. Fez história em diversas emissoras, popularizou uma série de cantores que alcançaram logo o estrelato; divulgou outra dezena de compositores talentosos e até hoje é referência. A seguir, os relevantes acontecimentos do festival em diversas emissoras.


NA EXCELSIOR – A pioneira emissora foi escolhida para sediar o I Festival da Música Popular Brasileira, ocorrido em 1965. Elis Regina conquistou o primeiro lugar com a música “Arrastão”, composição de Edu Lobo e Vinicius de Morais. Inegável constatar que a grande projeção de Elis se deu graças a esta interpretação.


NA RECORD – A emissora de Edir Macedo sediou duas edições lendárias do referido Festival. Em 1966, na II Edição, a dupla Chico Buarque e Nara Leão – uma das mais clássicas da nossa MPB, levava o troféu “Viola de ouro” com a festiva canção “A Banda”. Ao lado deles, Jair Rodrigues e os trios Maraiá e Novo também eram premiados com “Disparada”, de Geraldo Vandré. Notem que os compositores eram tão ovacionados quanto seus intérpretes, diferente de hoje em dia.


Em 1967 acontecia a III edição do festival onde competiam Chico Buarque, Roberto Carlos, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Edu Lobo. Foram apresentações tão lendários que rendeu um filme-documentário, intitulado Uma Noite em 67, de Ricardo Calil e Renato Terra. No primeiro lugar, “Ponteio” de Edu Lobo e Capinam. No segundo, os novatos Mutantes venceram com a conhecidíssima e lúdica “Domingo no Parque” e se apresentaram junto a seu compositor Gilberto Gil, com um arranjo mais “guitarreiro”. Chico Buarque e a fantástica “Roda Viva” levou o bronze, e se apresentou com o MPB-4. Caetano alegrou o festival com a emblemática “Alegria Alegria” ficando em quarto colocado. E o nem tão rei nesse dia Roberto Carlos ficou em quinto, com Maria Carnaval e Cinzas. Quem mais também queria ter visto?


As edições seguintes também foram bem sucedidas, mas nem de longe alçaram a popularidade da edição de 67. Convém destacar que Gal Costa foi a revelação absoluta nesse período, cantando “Divino maravilhoso”, de Caetano Veloso e Gilberto Gil. A baiana, de início, causou estranheza no público, que logo se rendeu à magistral interpretação que eternizou nossa grande cantora. Rita Lee, Tom Zé e Aguinaldo Rayol foram destaques dessas edições.



2) FESTIVAL INTERNACIONAL DA CANÇÃO (REDE GLOBO)


Eis que a emissora de Roberto Marinho também se manifesta e desde seus primeiros anos abre espaço para os festivais musicais, trazendo fama a uma infinidade de artistas que depois se consagrariam. Os shows eram no Maracanãzinho e o prêmio era o Galo de Ouro.
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A primeira edição do festival, contudo, aconteceu na TV Rio em 1966, com Nana Caymmi premiada. A segunda, já, na Globo propriamente dita, Milton Nascimento teve seu talento revelado no festival ao cantar “Travessia”, histórica parceria sua com Fernando Brant e que foi a canção vice-campeã. Na terceira edição, em 68, Beth Carvalho ganhou fama nacional com a melhor interpretação da canção Andança, de Danilo Caymmi, Edmundo Souto e Paulinho Tapajós. A clássica “Pra Não Dizer que não falei das flores’, de Geraldo Vandré, também fica super conhecida nesse ano, que também teve como momento marcante Caetano deliberadamente ostentando contra a censura com seu hino “É Proibido Proibir”.

E a Globo seguiu religiosamente com o festival até 72, quando Jorge Ben foi o compositor vencedor por “Fio Maravilha”.


3) DEMAIS FESTIVAIS (várias)


a) FESTIVAL NACIONAL DA MÚSICA POPULAR BRASILEIRA – Aconteceu na extinta TV Excelsior, no ano de 1966. Esse festival marcou por ter apresentado Chico Buarque ao Brasil, com a música “Pedro pedreiro” onde demonstra bem o estilo do cantor com versos rigorosamente trabalhados unindo um estilo morfológico único e a politização que virou sua marca registrada. Apesar da projeção em cima de Chico, não foi ele quem levou o primeiro lugar. Ee sim Geraldo Vandré, com a música “Porta-Estandarte”. No mesmo ano, Chico venceria com Elis no festival na Record, como mostrado no tópico anterior.


b) FESTIVAL ABERTURA (REDE GLOBO, 1975) – Destaques: Carlinhos Vergueiro, Alceu Valença e Luiz Melodia, cantor e compositor e “Ébano”, apresentada no festival; Djavan chamou atenção também neste evento, com a interpretação de “Fato Consumado” dando início a uma consagrada carreira de MPB romântica do alagoano.


c) FESTIVAL DA MPB (TV TUPI, 1979) – Destaque para Fagner, Walter Franco, Oswaldo Montenegro (com a ótima “Bandolins”) e “A Cor do Som” interpretando “Palco”, de Gilberto Gil.

d) MPB 80 (REDE GLOBO, 1980) – A Rede Globo, por um bom tempo permaneceu porta-voz dos festivais de MPB e a cada ano criava um novo. Esse foi histórico por suas participações. SANDRA SÁ (como a cantora assinava na época) ficou conhecida nesse especial com a excelente “Demônio colorido”. Cantaram também nesse festival: EDUARDO DUSEK (Nostradamus), FÁTIMA GUEDES (Mais uma boca) e LECI BRANDÃO (Essa tal criatura). O programa rendeu um elogiado cd, com Oswaldo Montenegro abrindo o disco com sua “Agonia” (inclusive, um vídeo recentemente disponibilizado no Memória da TV).


e) MPB SHELL (REDE GLOBO) – A primeira edição ocorreu em 1981 e já teve uma grande polêmica: Lucinha Lins vencia interpretando “Purpurina”, de Jerônimo Jardim, mas foi exposta a uma vaia de quase dez minutos, vinda dos fãs de “Planeta Água”, de Guilherme Arantes, a então aclamada pelo público como melhor canção. Já a edição de 82 consagrou Emílio Santiago, que vencia com “Pelo Amor de Deus”, de Paulo Debétio e Paulinho Rezende.
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f) FESTIVAL DOS FESTIVAIS (REDE GLOBO) – Este ocorreu em 1985 e sempre será lembrado por ter o mérito de ter projetado a carreira de Leila Pinheiro, até então pouco conhecida, com a música “Verde” que na mesma época estourou nas rádios. Porém, “Escrito nas Estrelas”, de Paulo Debétio e Paulinho Rezende, interpretada pela vanguardista Tetê Espíndola, levou o primeiro lugar. Foi o grande sucesso nacional daquele ano.








VELHAS CANÇÕES PARA NOVAS ABERTURAS
As músicas dos temas das aberturas de novela das últimas décadas.

por Guilherme Staush


A crise na indústria fonográfica nas últimas décadas tem refletido bastante na qualidade das trilhas sonoras de novelas lançadas nos últimos anos, e tem trazido como principais consequências: a repetição de músicas em trilhas sonoras dentro de um curto espaço de tempo entre as novelas, a regravação de músicas antigas por cantores da atualidade, e até mesmo a utilização de fonogramas originais antigos como temas das novelas atuais.

Antigamente, as músicas inseridas nas novelas serviam não só para dar o tom à cena e
identificar os personagens da trama, mas bem mais do que isso, as canções se confundiam com os próprios personagens da novela. É praticamente impossível ouvir “O Amor e o Poder”, interpretada por Rosana, sem lembrar de Jocasta, personagem de Vera Fischer na novela “Mandala” (1987), ou então, escutar “Coração do Agreste” na voz de Fafá de Belém e não lembrar de Tieta (Betty Faria) caminhando nas dunas de Santana do Agreste. Era possível até mesmo identificarmos a época em que uma novela tinha ido ao ar através das músicas que compunham sua trilha sonora. Hoje, as canções são reutilizadas nas novelas sem nenhum critério de época ou de importância da canção na história da teledramaturgia. A mesma gravação de uma determinada música é utilizada em duas ou três novelas diferentes dentro de um curto espaço de tempo entre elas, fazendo com que a canção que ficou marcada com um determinado personagem passe a identificar um outro, tirando o brilho e a importância que um registro musical tem dentro de um contexto da teledramaturgia, fazendo com que o telespectador desvincule som, imagem e época.

Essa repetição de repertório nas novelas das últimas décadas não ficou restrita aos temas dos personagens, mas também aos temas das aberturas das novelas, que na maioria das vezes primavam por músicas inéditas, mas que agora, estão cada vez mais escassas.

Na década de 80, por exemplo, tivemos várias canções ainda desconhecidas do grande público, extraídas de discos de cantores de sucesso para tornarem-se temas de aberturas de novelas: “Flagra” (Final Feliz), “As Vitrines” (Sétimo Sentido), “Tô que Tô” (Sol de Verão), entre outras. Algumas canções chegaram até mesmo a serem compostas especialmente para as aberturas, como: “Luiza” (Brilhante), “Nosso Louco Amor” (Louco Amor), e “Tieta”, da novela homônima. Ainda assim, houve algumas regravações também, como “Brasil” (Vale Tudo) de Cazuza, na voz de Gal Costa, “Tão Beata, Tão a Toa” (Corpo a Corpo) gravada inicialmente por Ângela RoRo, e posteriormente por Marina, e “Comeu” (A Gata Comeu) de Caetano Veloso, regravada pelo grupo Magazine, para citar alguns exemplos.

Entretanto, na década de 90 e na primeira década dos anos 2000, o número de regravações aumentou consideravelmente, havendo até mesmo alguns casos em que gravações originais antigas foram utilizadas como temas de abertura: “Alô, Alô, Marciano” (Cobras & Lagartos) e “Redescobrir” (Ciranda de Pedra), ambas interpretadas por Elis Regina; “Pela Luz dos Olhos Teus” (Mulheres Apaixonadas) e “Sei lá” (Viver a Vida), ambas gravadas por Tom Jobim e Miúcha e “E Vamos à Luta” (Duas Caras), de Gonzaguinha, citando algumas.
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DADOS DAS ÚLTIMAS DÉCADAS
Os números abaixo mostram a classificação dos temas de aberturas utilizados em todas as faixas de horário das novelas da Rede Globo na década de 90 e na primeira década dos anos 2000. As músicas foram classificadas em:

- Músicas inéditas (temas feitos especialmente para a abertura ou fonogramas extraídos de álbuns de cantores na época em que a novela foi ao ar);

- Regravações (temas antigos que foram regravados por um outro cantor);

- Gravações antigas (fonogramas antigos extraídos de álbuns lançados em anos anteriores ao lançamento da novela).

Veja o número de canções em cada faixa de horário que foram apresentadas nas aberturas das novelas segundo a classificação acima.














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* A novela “Vila Madalena” não foi contabilizada por não ter um tema específico para a abertura da novela. Foram usados todos os temas que compunham a trilha sonora em clips musicais.
















Os números acima mostram que, no geral, houve uma redução significativa em temas inéditos apresentados nas aberturas das novelas nos anos 2000 quando comparadas às novelas dos anos 90. É interessante observar que, nos anos 2000 tivemos um grande número de fonogramas antigos utilizados nas aberturas de novelas das 8 (Corcovado, E Vamos à Luta, Pela Luz dos Olhos Teus, Sei Lá, Love's Theme, entre outros) . É justamente neste horário que houve a maior diminuição de temas inéditos nas aberturas de novela. Estes cederam lugar às regravações e aos fonogramas antigos.



VELHOS TEMAS AINDA SÃO OS MAIS BONITOS

Meus 10 temas de abertura preferidos entre as novelas dos anos 2000 (todas as emissoras).


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10º lugar – PELA LUZ DOS OLHOS TEUS – Tom Jobim & Miúcha (Mulheres Apaixonadas - Globo).

9º lugar – SÁBADO EM COPACABANA – Maria Bethânia (Paraíso Tropical - Globo)

8º lugar – CARNE E OSSO – Zélia Duncan (Sete Pecados - Globo)

7º lugar – MAIS UM NA ESCURIDÃO – Erasmo Carlos e Marisa Monte (Pícara Sonhadora - SBT)

6º lugar – COMO UMA ONDA – Lulu Santos (Como Uma Onda - Globo)

5º lugar – CORCOVADO – Astrud Gilberto (com Tom Jobim, João Gilberto e Stan Getz) (Laços de Família - Globo)

4º lugar – PONTEIO – Edu Lobo e Zizi Possi (Cidadão Brasileiro - Record)

3º lugar – VOCÊ É LINDA – Caetano Veloso (Belíssima - Globo)

2º lugar – REDESCOBRIR – Elis Regina (Ciranda de Pedra - Globo)

1º lugar - AMANHECE UM OUTRO DIA – Sá, Rodrix e Guarabyra (Revelação - SBT)


Abertura da novela Revelação.



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A INESQUECÍVEL RAINHA DA SUCATA

Sucesso de 1990, a novela de Sílvio de Abreu focava na mudança de mãos pela qual o dinheiro passava.

Por Wesley Vieira
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“Seu corpo estremece e já não consegue parar. Seu sol se espalha na pele fazendo suar. Seu ritmo é quente, bate que bate com emoção. Te abraço, te roço, te esfrego, te sujo então...” Impossível esquecer esses versos da deliciosa lambada de Magal abrindo a inesquecível “Rainha da Sucata”, novela de Silvio de Abreu, exibida pela Rede Globo no horário das oito do dia 02 de abril até o dia 26 de outubro de 1990. No entanto, impossível mesmo é esquecer o embate das duas mulheres igualmente fortes: Maria do Carmo (Regina Duarte), empresária bem sucedida do ramo da sucata, e Laurinha Figueroa (Glória Menezes), socialite falida, porém com prestígio nas altas rodas.
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A novela “Rainha da Sucata” estreou em plena implantação do famigerado Plano Collor, quando o dinheiro das poupanças ficou retido nos bancos como medida preventiva contra a inflação. Com muita eficácia, Silvio reescreveu cenas dos primeiros capítulos e inseriu a medida econômica do governo no texto da novela. Como o dinheiro era praticamente a mola propulsora ou o tema principal da trama, nada mais justo do que falar da nova realidade do país de então. O maior mérito de Silvio que contou com a colaboração de Alcides Nogueira e José Antonio de Souza, foi fazer uma novela que tinha como proposta, dissertar sobre a nova sociedade que se formava naquele início dos anos 90: os novos emergentes, os verdadeiros donos do dinheiro que circulava no Brasil.
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DINHEIRO E FALTA DE STATUS X DECADÊNCIA E PODER
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A empresária Maria do Carmo Pereira, a rainha da sucata em questão, fez fortuna com os negócios do pai, que venceu na vida comercializando sucata, e se tornou uma empresária de sucesso, atuando num prédio da Avenida Paulista onde está instalada a sua concessionária de veículos. Para se aproximar da alta sociedade, coisa que ainda não conseguiu apesar de ter dinheiro, ela abre a Sucata, uma luxuosa casa de shows no alto do prédio que mais tarde se torna uma lambateria para ricos e espera se tornar conhecida ou em outras palavras, se tornar uma celebridade nas colunas sociais. O que ela quer de fato, é se tornar a Rainha da Sucata do Brasil.

Bonita e meio grossa, Do Carmo já foi casada duas vezes e paga pensão para os ex-maridos. No início da história ela namora Gérson (Gérson Brenner) “uma das filhinhas” da impagável Dona Armênia (Aracy Balabanian), mas o seu primeiro amor volta e meia vem revirar as suas lembranças. Trata-se de Edu Figueroa (Tony Ramos), um bon-vivant da alta sociedade que no passado foi um dos responsáveis por humilhá-la em pleno baile de formatura quando teve um balde de lavagem despejado em sua cabeça. Engana-se quem pensa que Do Carmo relembra esse passado com ódio. Apesar de ter sofrido naquela noite, ela ri toda dona de si, levanta a cabeça e mostra que é uma vencedora.
O passado vem bater novamente à porta de Maria do Carmo quando, no dia da desastrosa inauguração da Sucata, Edu descobre que sua aristocrática família está falida e bêbado, após uma aposta com um mendigo, decide se suicidar pulando do alto do edifício. Ele prefere morrer a ficar pobre e quando se joga, acaba ficando preso na placa da Sucata onde Paula (Claudia Ohana), uma jornalista cansada de matérias fúteis, o ajuda, ao mesmo tempo em que acha que ali está a grande matéria que lhe dará uma virada em sua carreira.

Edu revela que sua família está falida e o escândalo toma conta da primeira página de jornal. Isso é o bastante para levar Maria do Carmo à mansão dos Figueroa, onde pretende oferecer seus préstimos em troca de um lugar na alta sociedade. Nesse momento, ela reencontra Edu, mas terá que enfrentar a fúria de sua madrasta Laurinha Albuquerque Figueroa (Glória Menezes), uma socialite metida e inescrupulosa, eternamente apaixonada pelo enteado.
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COISAS DE LAURINHA!
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Laurinha é uma dessas vilãs memoráveis. No início da história, ela decide participar dos negócios de Do Carmo com o seu prestigio em troca de dinheiro, enquanto a sucateira também a usa para se tornar reconhecida nas altas rodas da sociedade. O pacto entre as duas não dura muito, pois assim que Laurinha percebe o interesse de Do Carmo em seu enteado, trata de usar as suas garras. Entre outras coisas, a megera explorava a empregada Lena (Lolita Rodrigues) que fazia banquetes para festas de outros grã-finos. Ela ainda renegava o estilo de vida de seus dois filhos: Rafael (Mauricio Mattar), um instrutor de pára-quedismo sem grandes ambições e Adriana Ross (Claudia Raia), a “bailarina das coxas grossas” que era o desastre em pessoa e sonhava estrelar um grande musical... Além de outras crueldades, para acelerar a morte do marido Betinho (Paulo Gracindo), Laurinha trocava os seus remédios e lhe dava doces, mesmo sabendo que ele era diabético. Todas essas tramas diabólicas são acompanhadas de longe pelo misterioso Jonas (Raul Cortez), o mordomo. Ele se emprega na mansão dos Figueroa e atua como se fosse um detetive, analisando cada passo dos patrões.
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SUCATEIRA!!!
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Embora ainda more em Santana, Zona Norte de São Paulo, Maria do Carmo sonha com os Jardins, onde vivem os Figueroa e acenando a sua conta bancária, propõe a Edu um casamento de conveniência em troca do patrocínio para a produção de um carro de corrida, a sua paixão. Apesar de amá-lo, Do Carmo quer se tornar reconhecida e morar ali na mansão, ao mesmo tempo em que acredita que vai despertar o amor no playboy falido que está apaixonado por Paula. Como não é boba e sabe o que quer, Maria do Carmo usa vários artifícios para fisgar o seu grande amor. Edu não aceita o casamento, até que, sem jeito para o trabalho, é obrigado a aceitar a união com a sucateira que já na noite de núpcias é rejeitada.
Mas as coisas não são simples e Laurinha passa a infernizar a vida da sucateira, sobretudo pelo estilo despachado que Maria do Carmo tem em relação à vida. Se não bastasse enfrentar essa perigosa mulher, ela toma uma rasteira do mau-caráter Renato Maia (Daniel Filho), o administrador das concessionárias de automóveis e gerente da Sucata que descobre pelo testamento de Onofre (Lima Duarte), o pai da sucateira, que Caio (Antonio Fagundes) e Mariana (Renata Sorrah) são seus filhos e herdeiros, fruto de um relacionamento secreto com a vizinha Salomé (Fernanda Montenegro).

Numa grande virada, Maria do Carmo perde as ações para Dona Armênia que quer colocar o prédio “na chón”, pois segundo esta, Onofre construiu o prédio num terreno que pertencia ao seu marido. Como é descoberto que tudo não passou de um golpe, Armênia quer implodir “a predinha” de qualquer jeito. Renato aproveita dessa situação e casa-se com a frágil Mariana ao descobrir que a fortuna da sucateira está no nome de Salomé e conseqüentemente pertence a ela. O casamento faz parte de um plano maquiavélico e perfeito para se apoderar da fortuna da sucateira. Renato faz com que a esposa ache que está enlouquecendo e conta com a ajuda do bandido Franklin (Ivan Candido) para matá-la.
Maria do Carmo perde as ações do prédio e corajosamente volta a vender sucata, assim como fez o pai no passado. O seu inferno astral piora quando Edu resolve se separar depois da instalação de sua fábrica de carros. Mas Do Carmo é forte e com a ajuda de Caio, obtém parte das ações e bate de frente com a tresloucada Dona Armênia e o perigoso Renato.

Próximo ao final, Laurinha arranca um brinco de Maria do Carmo e se joga no alto do edifício da Sucata numa cena surpreendente (o primeiro suicídio explícito da teledramaturgia). A sucateira é incriminada e depois de alguns percalços, consegue provar a sua inocência.
Durante uma festa de reinauguração da Sucata, entre outras coisas, Edu e Maria do Carmo selam o amor e Jonas, o misterioso mordomo, revela a todos os convidados presentes que na verdade ele é o autor de uma inesquecível novela de televisão: RAINHA DA SUCATA.

Apesar das criticas no início por conta da inserção do Plano Collor em seu enredo (parte da mídia acusou a Rede Globo de saber de antemão sobre os planos do governo) e também pelo excesso de comédia, expediente pouco comum no horário das 20h, “Rainha da Sucata” se tornou antológica. Não apenas pela história de Maria do Carmo e Laurinha, mas também pelas trapalhadas do casal Caio e Adriana, que viviam perseguidos por Nicinha (Marisa Orth), a noiva “purgante” que, de mulher recatada, se torna uma vulgar. O caso de amor da francesinha Ingrid (Andréa Beltrão) com as três “filhinhas” de Dona Armênia também deu o que falar. E claro, a própria Dona Armênia, a excêntrica senhora que misturava o armênio com um sofrível português e tinha ganância por dinheiro, se tornou uma das maiores personagens populares da história da teledramaturgia. Sem falar das participações mais que especiais como a de Fernanda Montenegro no papel da amiga de Neiva (Nicette Bruno) e amante do marido da própria por mais de 40 anos. Ela dá um show na cena em que Onofre é enterrado e acaba morrendo ali mesmo no cemitério.

As trilhas sonoras também se tornaram especiais. Na nacional, Roupa Nova com seu “Coração Pirata”, resumindo com perfeição o universo da sucateira que subiu na vida com muita luta. Milton Nascimento cantando “Coisas da Vida”, tema de Edu, Paralamas do Sucesso com “Lanterna dos Afogados”, Legião Urbana cantando “Meninos e Meninas”, tema de Paula e “Foi Assim”, celebrando o conturbado romance entre Edu e Maria do Carmo, além, é claro, da lambada que virou febre na época. Na Internacional, grandes sucessos como “Into My Life” de Colin Hay Band, “Rebel in Me”, tema romântico de Edu e Do Carmo, a linda balada “Forever” dos roqueiros da banda Kiss cantando o tema de Ingrid, Mariah Carey com o sucesso “Visions of Love”, Janet Jackson e outros...
Enfim, 20 anos se passaram e assim como outras novelas de sucesso, “Rainha da Sucata” continua viva no imaginário de muita gente. Uma novela de sucesso que povoa as nossas lembranças televisivas e provoca sentimentos de saudosismo.