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Ilustração: Eduardo Secco
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Talvez esteja equivocado ao chamar Aluísio Jorge de Andrade Franco de “intelectual incompreendido”. Ou não. Saudado entre os maiores dramaturgos do teatro brasileiro moderno, com sua obra permeada pela troca de mãos do poder dos fazendeiros cafeicultores para a burguesia representada em especial pelos imigrantes que enriqueceram, tema recorrente junto do conflito de gerações, de valores e o embate entre a tradição e a modernidade.
ou ajudaram a proliferar na época em que foram exibidas. “Dancin’ Days” certamente está classificada nesta última categoria. A novela escrita por Gilberto Braga e dirigida por Daniel Filho e Gonzaga Blota, exibida no horário das 8, em 1978, pela Rede Globo, é , na maioria das vezes, lembrada pelos agitos da discoteca Frenetic Dancin’ Days, do personagem Hélio, interpretado por Reginaldo Faria. Embora as meias de lurex, óculos de gatinha, e roupas coloridas tenham servido apenas como adereços totalmente irrelevantes às tramas da novela, não há como não lembrar do show de dança da personagem de Sônia Braga juntamente com o dançarino Paulette, que fez parar a referida discoteca.
Júlia Matos (Sônia Braga) foi condenada a 22 anos de prisão por se envolver em um assalto a um armarinho que vendia lança-perfumes, e, durante sua fuga, teve o azar de atropelar e matar um homem. Depois de cumprir metade da pena, ela ganha liberdade condicional. Só então ela descobre que sua sentença não foi só passar um longo período na penitenciária, mas conviver diariamente com as feridas que marcaram a sua vida no passado: ela teria que percorrer um longo caminho até ser aceita pela sociedade, vencendo as barreiras do preconceito e da intolerância. Seu maior objetivo seria aproximar-se e conquistar o amor da filha que teve aos 17 anos, Marisa (Glória Pires).
Carlos Eduardo (Cacá) (Antônio Fagundes) é um diplomata frustrado que vive em Brasília, longe dos pais Franklin (Cláudio Corrêa e castro) e Celina (Beatriz Segall) e do irmão caçula Beto (Lauro Corona). A fraqueza e a falta de determinação de Cacá fizeram com que o ele seguisse uma carreira imposta pela mãe. Profundamente infeliz, sem obter realização no trabalho e no amor, ele resolve abandonar a carreira da diplomacia, voltar ao Rio de Janeiro e fazer um teste vocacional, para desespero dos pais, ainda que beirando os 30 anos de idade. Na verdade, os problemas emocionais de Cacá vão muito além. O rapaz não aceita a condição financeira e social da família e quer construir sua vida, ainda que medíocre, com seu próprio esforço, ainda mais quando se vê apaixonado por uma misteriosa mulher, a quem ele passa a chamar de “gata”. Na verdade, a tal “felina” é Júlia Mattos, que por receio de ser rejeitada, oculta seu nome e seu passado.
Yolanda Pratini (Joana Fomm) é a irmã de Júlia. Uma alpinista social (figura que se tornaria recorrente nas novelas do autor) que viu em seu casamento com Horácio (José Lewgoy) a segurança financeira e a entrada para a alta sociedade carioca.
Outro grande destaque da novela foi a personagem Áurea, muito bem defendida pela saudosa Yara Amaral (1936 – 1988). Ela é irmã de Carminha (Pepita Rodrigues), mãe de Inês, e tem um casamento infeliz com o mulherengo Aníbal.

Saudações aos leitores do Memória da TV. Sabemos que a música brasileira é riquíssima e sempre teve vez na mídia e nos meios de comunicação. Especificadamente na televisão, houve um tempo em que o espaço delimitado para nossa música era imenso! Dezenas de festivais de música eram disponibilizados ao público em horários nobres e acessíveis, fazendo a família toda se reunir e torcer com fervor pelos shows televisionados e suas competições realizadas. Mais ainda: muitos artistas consagraram suas carreiras graças a aparições lendárias em programas diversos. 

para os ex-maridos. No início da história ela namora Gérson (Gérson Brenner) “uma das filhinhas” da impagável Dona Armênia (Aracy Balabanian), mas o seu primeiro amor volta e meia vem revirar as suas lembranças. Trata-se de Edu Figueroa (Tony Ramos), um bon-vivant da alta sociedade que no passado foi um dos responsáveis por humilhá-la em pleno baile de formatura quando teve um balde de lavagem despejado em sua cabeça. Engana-se quem pensa que Do Carmo relembra esse passado com ódio. Apesar de ter sofrido naquela noite, ela ri toda dona de si, levanta a cabeça e mostra que é uma vencedora.
Edu revela que sua família está falida e o escândalo toma conta da primeira página de jornal. Isso é o bastante para levar Maria do Carmo à mansão dos Figueroa, onde pretende oferecer seus préstimos em troca de um lugar na alta sociedade. Nesse momento, ela reencontra Edu, mas terá que enfrentar a fúria de sua madrasta Laurinha Albuquerque Figueroa (Glória Menezes), uma socialite metida e inescrupulosa, eternamente apaixonada pelo enteado.
Laurinha é uma dessas vilãs memoráveis. No início da história, ela decide participar dos negócios de Do Carmo com o seu prestigio em troca de dinheiro, enquanto a sucateira também a usa para se tornar reconhecida nas altas rodas da sociedade. O pacto entre as duas não dura muito, pois assim que Laurinha percebe o interesse de Do Carmo em seu enteado, trata de usar as suas garras. Entre outras coisas, a megera explorava a empregada Lena (Lolita Rodrigues) que fazia banquetes para festas de outros grã-finos. Ela ainda renegava o estilo de vida de seus dois filhos: Rafael (Mauricio Mattar), um instrutor de pára-quedismo sem grandes ambições e Adriana Ross (Claudia Raia), a “bailarina das coxas grossas” que era o desastre em pessoa e sonhava estrelar um grande musical... Além de outras crueldades, para acelerar a morte do marido Betinho (Paulo Gracindo), Laurinha trocava os seus remédios e lhe dava doces, mesmo sabendo que ele era diabético. Todas essas tramas diabólicas são acompanhadas de longe pelo misterioso Jonas (Raul Cortez), o mordomo. Ele se emprega na mansão dos Figueroa e atua como se fosse um detetive, analisando cada passo dos patrões.
trapalhadas do casal Caio e Adriana, que viviam perseguidos por Nicinha (Marisa Orth), a noiva “purgante” que, de mulher recatada, se torna uma vulgar. O caso de amor da francesinha Ingrid (Andréa Beltrão) com as três “filhinhas” de Dona Armênia também deu o que falar. E claro, a própria Dona Armênia, a excêntrica senhora que misturava o armênio com um sofrível português e tinha ganância por dinheiro, se tornou uma das maiores personagens populares da história da teledramaturgia. Sem falar das participações mais que especiais como a de Fernanda Montenegro no papel da amiga de Neiva (Nicette Bruno) e amante do marido da própria por mais de 40 anos. Ela dá um show na cena em que Onofre é enterrado e acaba morrendo ali mesmo no cemitério.