2008

Resumo da novela A FAVORITA, exibido no Novelão da Semana, do Vídeo Show (de 22 de abril a 3 de maio de 2013).
Agradecimento: Sr. Leão (pelo upload do vídeo)
Novelão - A Favorita [2008] por LeaodasCavernas




A atriz Rosita Thomas Lopes(1920-2013) morreu às 20h45 desde sábado
(9), no apartamento em que morava na Rua Henrique Dumont, em Ipanema,
Zona Sul do Rio. Segundo a nora da atriz, Bárbara Harrington, a causa da
morte apontada pelos médicos foi falência múltipla dos órgãos.



Em 1977, ainda era possível que uma novela das 6
tivesse como protagonista uma senhora de quase 60 anos, que se despia de todas
as vaidades, e aparecia no vídeo com a cara lavada, sem nenhuma maquiagem,
figurinos simples, e os cabelos sem pintura, presos por grampos. Yara Côrtes
segurou a novela Dona Xepa no
talento, e que talento! A atriz deitou e rolou como a feirante humilde,
analfabeta, levemente escandalosa, mas com um coração enorme, que dava o que
podia e o que não podia para os filhos ingratos. Duelos memoráveis entre mãe (Yara) e
filha (Nívea Maria).
A poderosa e malvada embaixatriz Renata Dummond, que escondia sua origem simples e seu nome de
batismo - Agetilde Rocha - foi um papel sob medida para o talento de Tereza
Rachel em interpretar grandes vilãs. Em Louco Amor
ela esteve irretocável na pele de uma das megeras mais famosas de Gilberto Braga.
Não faltaram as mais diversas situações clássicas, típicas dos folhetins do autor:
chantagens envolvendo gravações em fita cassete, tentativas de homicídio,
armação de flagrantes, e por aí vai. Um prato cheio para a atriz usar e abusar da voz e das expressões facias, deliciando os telespectadores.
Nunca houve na teledramaturgia uma dupla de
comediantes, atuando como mãe e filha, tão perfeitas como Consuelo Leandro e
Regina Case - Lili Bolero e Tina Pepper, respectivamente. Qualquer
cena das duas é diversão garantida em Cambalacho,
a melhor novela de Sílvio de Abreu, na minha opinião. A primeira escondia seu
passado nebuloso, omitindo a paternidade da filha, e inventando que tinha
levado uma rasteira da cantora Ângela Maria, que conseguira vencer um concurso
da rádio subornando o maestro para que ele desafinasse no momento em que sua
concorrente cantasse. Já a segunda, nutria o sonho de ser rica a qualquer
preço, e conseguir o homem de seus sonhos, nem que para isso fosse preciso
fazer um pacto com a Salamandra. Regina e Consuelo deram um verdadeiro show em
cena!
Um dos papeis mais marcantes da carreira de Arlete
Salles foi, sem dúvida, a alpinista social Kika
Jordão, que em suas inúmeras perseguições à socialite Laís Souto Maia
(Suzana Vieira), fez o público delirar com suas insanidades. Seus planos
mirabolantes para conseguir abrir as portas douradas da sociedade, e ficar
amiga da “translumbrante” Laís, renderam os melhores momentos de Lua Cheia de Amor. É num momento desses
que o telespectador percebe a importância de se ter a atriz certa para uma
personagem. Arlete fez Kika entrar para a história. A novela é mais lembrada
justamente por sua personagem.
A caricatura de Perpétua
- quase uma bruxa malvada saída de um conto infantil - não impediu que Joana
Fomm exercitasse, de forma bem humorada, seu papel predileto nas telenovelas –
o da grande vilã. Assim, a irmã feia de Tieta
infernizou a vida dos habitantes de Santana do Agreste, e colocou a personagem
em um lugar de destaque na imensa coleção de vilãs da atriz. Não tem como
esquecer da tribufu, que por muito pouco, não levantou voo montada numa
vassoura.
Em seu segundo papel na TV, a atriz Maria Luisa
Mendonça já enfrentava um dos maiores desafios de sua carreira – o de viver uma
personagem tão complexa, criada por Nelson Rodrigues. Letícia foi a alma da minissérie, e a atriz roubou todas as cenas em que
apareceu ao lado da protagonista – Cláudia Raia. Maria Luísa viveu com maestria, não deixando
nada a desejar se comparada às atrizes veteranas, a história da menina que
nutria uma paixão desmedida pela prima, e que a levou até as últimas
conseqüências, moldando com perfeição a trajetória da personagem nas duas fases da minissérie. A cena do suicídio de Letícia, no último capítulo,
é uma das mais bonitas da teledramaturgia.
A hipocrisia de Celeste
Carneiro foi ressaltada com perfeição por Yara Amaral na minissérie de
Gilberto Braga. A mãe da protagonista Lurdinha (Malu Mader) vivia num mundo
sustentado por aparências, onde o falso moralismo permeava a vida infeliz da
megera. Mais um brilhante trabalho da atriz, que mesmo nos momentos de exagero
nas caras e bocas, não deixou a personagem cair na caricatura, dando o tom certo à uma mãe ensandecida ao descobrir que sua filha foi deflorada, e estava grávida do filho de uma desquitada.
Vilminha, a filha problemática de
Salviano Lisboa, deu à sua intérprete, Débora Duarte, todas as ferramentas
necessárias para que a atriz brilhasse em cena, desde os momentos de carência
da personagem, embalados pela linda flauta de Borelly, em “Dolannes Melodie”, até
os momentos de doideira total, quando extrapolava. Vilminha aprontou poucas e boas
na mansão dos Lisboa, quase levando o pai à loucura, e Débora imortalizou a personagem.
O que teria sido de Avenida Brasil sem Adriana
Esteves? Provavelmente o mesmo que Vale Tudo sem Beatriz Segall. A atriz, depois
de ser duramente criticada no início de sua carreira, deu a volta por cima e
criou um dos tipos mais odiados e amados (ao mesmo) pelos telespectadores. Carminha foi sucesso na TV, nos
jornais, nas revistas, nas redes sociais, nas salas e nas cozinhas de todo o
Brasil. A popularidade da novela foi algo jamais visto, e Adriana deu vida com brilhantismo à
uma personagem difícil: malvada, irônica e divertida – tudo na medida certa! E
colocou Carminha no grupo das maiores vilãs de todos os tempos. E não foi culpa da Rita, não!
A própria reencarnação do demônio – assim pode ser
definida Firma, a rival de Maria
Moura, da minissérie adaptada da obra de Raquel de Queiroz. Zezé Polessa criou
um tipo sádico e asqueroso, a começar pelo aspecto masculinizado e rude da personagem,
desprovida de qualquer educação, e pela crueldade que demonstrava –
principalmente com as mulheres – e o ódio que nutria por Maria
Moura.
E por falar em grandes vilãs,
Branca Letícia de Barros Motta não
era grande só no nome, não. A ironia e a inveja eram suas características mais
acentuadas. Além de se intrometer no casamento do filho, Marcelo (Fábio Assunção), a loira fazia
as maiores armações para separar a filha do namorado, e, de quebra, dava em
cima, descaradamente, de Atílio, o amor de sua vida. Seu passatempo predileto
era implicar com Leonardo (Murilo Brício), seu filho mais novo (e mais feio).
As heroínas de Janete Clair,
Lucinha (Betty Faria, em
Pecado Capital) e Lili (Elizabeth Savala, em O Astro) tinham muito em comum. Ambas eram
suburbunas, namoravam um rapaz da mesma classe social, e acabaram tendo um
envolvimento com um milionário. Lili
foi uma mocinha bem atípica. Desprovida de vaidades, tinha um visual meio
masculinizado, e executava tarefas normalmente realizadas por homens, na época:
foi taxista e trabalhou em uma barbearia. Sofreu com a diferença social entre
ela e Márcio Hayalla (Tony Ramos), chegando a ser presa em uma das armações de Clô (Tereza Rachel), mãe do
rapaz. Lucinha, por sua vez, sofreu
com a indiferença dos filhos de Salviano Lisboa (Lima Duarte), que não aceitavam o
relacionamento do pai, fosse por preconceito social ou por puro egoísmo.
As duas atrizes brilharam em
dois grandes sucessos de Janete, compondo personagens difíceis, que são
lembradas até hoje pelo público, e imortalizadas, embora as duas novelas tenham
tido um remake.
A única atriz que não é
brasileira da minha lista, a lisboeta São José Correia foi a grande sensação da
injustiçada Paixões Proibidas, exibida pela Band, em 2006.
O que acontece quando uma
grande atriz recebe a incumbência de defender uma personagem que, supostamente,
deveria ser a vilã da novela, e, sendo assim, fazer com que o público torcesse
contra ela?
Eloísa Mafalda merece todos
os prêmios e todas as honras a que uma atriz tem direito. Incansavelmente, fez
uma novela atrás da outra durante toda sua carreira, e sempre colecionando
personagens de muito sucesso. Gioconda
Pontes foi um dos grandes momentos da atriz na TV: uma mulher amargurada,
futriqueira, malvada, que, além de viver às turras com a filha desmiolada e
dominar o filho inseguro, infernizava a vida da cunhada, Hilda Pontes. Acabou
por revelar-se uma assassina, e, no auge de sua loucura, acabou sendo
internada, em um final que lembrou o de Glória Swanson, no filme Sunset Boulevard. Talento de igual pra
igual.
E Joana volta à minha lista.
Desta vez, encarnando uma mulher ambiciosa (marca registrada de diversas
personagens feitas pela atriz). Em sua segunda novela na Globo, Joana, em uma
substituição de última hora, acabou ganhando um dos papéis mais marcantes de
sua carreira. A novela Dancin’ Days tornou-se um clássico, e Yolanda Pratini
virou referência de muitas outras personagens do gênero, que viriam habitar
nossa telinha nos anos seguintes. A antagonista e irmã de Julia Mattos, a
ex-presidiária que tenta reconquistar o amor da filha, era uma mulher fria,
calculista e ambiciosa, mas que acaba se regenerando no final da trama.