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domingo, 3 de fevereiro de 2013

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

MUSICAL
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GAL COSTA - NADA MAIS (Lately)
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Videoclip original da música "Nada Mais" na voz de Gal Costa, versão de "Lately", composta por Stevie Wonder.
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A música foi tema de Teresa, personagem de Glória Meneses na novela "Corpo a Corpo" (1984).
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O falecido ator Marcelo Ibrahim fez uma participação especial no clip, exibido no Fantástico, em 1984.
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Assista ao vídeo . .


Fonte: Balaio do Carl Ole
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sábado, 7 de agosto de 2010

VÍDEO

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BIA TEM UMA GRANDE DECEPÇÃO NA NOITE DE SEU NOIVADO COM ZECA MACIEL.
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Bia (Malu Mader) descobre que seu pai, Alfredo Fraga Dantas (Hugo Carvana), foi responsável pelo fechamento de uma fábrica que deixou muitos operários desempregados.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

CENAS INESQUECÍVEIS


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AMAURY É O PAI DE ALICE!
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Amaury (Stênio Garcia) implora o amor de Lúcia (Joana Fomm) e quer que ela assuma o romance dos dois. Enquanto os dois discutem, Sônia (Zezé Motta) revela a Alice (Luiza Tomé) que Amaury é seu pai.
Cena de grande impacto da novela "Corpo a Corpo" (1984), de Gilberto Braga.
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sexta-feira, 20 de novembro de 2009

CENAS INESQUECÍVEIS









ELOÁ PELLEGRINI É A MULHER DO ANO!
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No momento em que Eloá Pellegrini (Débora Duarte) vai receber o prêmio de Mulher do Ano no ramo da engenharia, seu marido Osmar (Antonio Fagundes) surge bêbado no evento e faz um discurso de marido machista, nitidamente incomodado com a ascensão social da mulher, deixando a esposa e o filho Naldinho (Selton Mello) arrasados.
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Um dos melhores momentos da novela "Corpo a Corpo" (1984), de Gilberto Braga.
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sábado, 14 de novembro de 2009

VÍDEO

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JOANA FOMM e LAURO CORONA em cena de Corpo a Corpo (1984).
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Lúcia Gouveia (Joana Fomm) tem uma tentativa frustrada ao se aproximar de Rafael (Lauro Corona).
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Assista online


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segunda-feira, 27 de julho de 2009

1985


DÊNIS CARVALHO
Censura faz o diabo com o trabalho do diretor.


Revista Amiga (1985)

sábado, 16 de maio de 2009

1985









RUTH DE SOUZA
"Corpo a Corpo" tem preconceito!
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Revista Amiga (1985)


quinta-feira, 16 de abril de 2009

1985









GILBERTO BRAGA
Apontado como o sucessor de Janete Clair, o autor, em entrevista, faz um balanço de "Corpo a Corpo".


Revista Amiga (1985)










terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

ESPECIAL









A novela "Corpo a Corpo" completa 25 anos este ano.
Escrita por Gilberto Braga e dirigida por Dênis Carvalho e Jayme Monjardim, a novela estreou no dia 26 de novembro de 1984.

A trama principal, confusa, envolvendo Eloá (Débora Duarte) e seu pacto com um suposto diabo (Flávio Galvão), acabou perdendo seu encanto e dando espaço aos temas fortes abordados pelo autor, sendo que o preconceito racial foi o que mais teve espaço. A atriz Zezé Motta acabou sendo vítima de discriminação racial dentro e fora da novela.

Destaque para os atores Glória Menezes, Hugo Carvana, Antonio Fagundes, Débora Duarte, Flávio Galvão, Lauro Corona, Eloisa Mafalda, Stênio Garcia, Zezé Motta, Malu Mader e Joana Fomm, vivendo uma de suas mais terríveis vilãs, a ambiciosa Lúcia Gouveia.

A novela marcou a estréia de três atrizes que consolidaram suas carreiras na televisão: Lília Cabral, Andréa Beltrão e Luiza Tomé.

Merece destaque também o trabalho dos atores Selton Mello, que ainda criança já demonstrava ter muito talento, e da veterana Zeni Pereira, que vivendo mais uma empregada, roubou várias cenas, como de costume.
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REPORTAGENS


Revista TV 7 Dias (Portugal).



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Reportagens e fotos gentilmente cedidas por Carolina Floare
Blog A Arte de Débora Duarte


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VÍDEOS
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PRIMEIRO CAPÍTULO NA ÍNTEGRA

Assista ao primeiro capítulo na íntegra da novela "Corpo a Corpo" no canal Memória da TV (Youtube) - CLIQUE AQUI

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ÚLTIMO CAPÍTULO NA ÍNTEGRA

Assista ao último capítulo na íntegra da novela "Corpo a Corpo" no canal Memória da TV (Ning) - CLIQUE AQUI


DEPOIMENTO DA ATRIZ ZEZÉ MOTTA

Assista ao depoimento da atriz Zezé Motta sobre sua personagem na novela Corpo a Corpo.



Ache outros vídeos como este em Memoria da TV

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Veja ainda as TRILHAS SONORAS da novela Corpo a Corpo na seção "trilhas" ou na seção da novela "Corpo a Corpo", no menu deste blog.
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sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

VÍDEOS








ÚLTIMO CAPÍTULO
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O Memória da TV disponibilizou, em seu canal, no ning, o último capítulo na íntegra da novela "Corpo a Corpo" (1984/85). Agora você pode (re)ver o final de uma das novelas mais polêmicas do escritor Gilberto Braga.

Clique na imagem abaixo para entrar no canal Memória da TV e assistir aos vídeos.
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quarta-feira, 16 de abril de 2008

CENAS INESQUECÍVEIS
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1984 - Rede Globo





A MORTE DE AMAURY E LÚCIA GOUVEIA


Tomado pelo ciúme, Amaury (Stênio Garcia) tenta matar Lúcia Gouveia (Joana Fomm), que o espera para um jantar feito em um estúdio improvisado, ainda em fase de construção.
Um inesperado incêndio ocorre e a porta de saída do estúdio não abre.

Um grande momento na carreira dos dois atores: Stênio Garcia, que fez um personagem pacífico à primeira vista, mas que se revelou o maior vilão da novela, e Joana Fomm, que deu vida a uma das maiores megeras de sua imensa galeria de vilãs. O resultado é uma grande cena!


Corpo a Corpo (1984) - A morte de Lúcia e Amaury por memoriadatv

terça-feira, 27 de novembro de 2007

TRILHAS


CORPO A CORPO - INTERNACIONAL


Nada como um mega-sucesso para alavancar as vendagens de uma trilha sonora. Um grande exemplo disso é a trilha internacional de "O Amor é Nosso!" (1981), cujo sucesso retumbante "Sunshine on My Shoulders", de John Denver foi o responsável absoluto por toda e qualquer vendagem desta trilha, já que era a única música de sucesso do disco e uma das poucas (ou seria também a única?) conhecidas pelo grande público.

Mas a trilha internacional de "Corpo a Corpo" difere da trilha de "O Amor é Nosso!" por dois motivos - primeiramente foram dois os mega-sucessos que puxaram as vendagens do disco da novela de Gilberto Braga: "Still Loving You" e "Purple Rain", e o mais importante é que o restante das músicas foram muito bem selecionadas e fizeram um razoável sucesso na época, o que justifica a qualidade musical desta trilha, lançada pela Som Livre em 1985.

As músicas mais dançantes do disco ficaram a cargo de Chaka Khan (I Feel for You), Maria Vidal (Body Rock) e Sophie St Laurent (Sex Appeal); já os momentos mais românticos foram imprimidos pela já citada "Still Loving You" (Scorpions), Edge of a Dream (Joe Cocker), "Missing You" (Diana Ross) e o lindo dueto de Barbra Streisand e Kim Carnes em "Make no mistake, he's mine".

Destaque para a brasileira Maysa que aparece na trilha cantando "Bonita", em inglês, de Tom Jobim e Ray Gilbert. Um outro destaque do disco é o triângulo amoroso mal resolvido da música "What about me?", com Kenny Rogers, Kim Carnes e James Ingram. Simplesmente lindo!

O disco tem uma ótima seleção de repertório, supervisionado por Sérgio Motta. O trabalho de edição das faixas foi bem realizado, com exceção de "Still Loving You". A música tem originalmente 6 minutos e 27 segundos, e no disco vem com pouco mais de 4 minutos. O problema é que a música foi cortada antes mesmo do refrão principal no qual o nome da música é citado, mutilando a obra musical do banda de heavy metal alemã. Mas este pequeno detalhe não compromete a trilha como um todo, uma das melhores da década.



CURIOSIDADES


Julian Lennon, filho do Beatle John Lennon, lançou seu álbum de estréia em 1984. Seu primeiro sucesso, "Too Late for Goodbyes" abre a trilha de "Corpo a Corpo" internacional.


Em uma das cenas da novela a personagem Heloísa (Isabela Garcia) durante uma conversa com Zeca Maciel (Caíque Ferreira) elogia a música que está tocando durante uma festa na casa dele. A música em questão é "Still Loving You".


Destaque para o comercial da trilha internacional da novela, que mostra uma festinha de adolescentes com a trilha da novela girando no toca-discos enquanto os casais dançam coladinhos, remetendo ao título da novela.


A canção "Missing You" foi composta por Lionel Ritchie especialmente para ser gravada por Diana Ross em homenagem ao cantor Marvin Gaye, grande amigo da cantora que faleceu em 1984, quando a música foi gravada. Na novela, a canção acabou virando tema de Amaury (Stênio Garcia) e Lúcia Gouveia (Joana Fomm).


Duas músicas da trilha destacam-se por terem sido a faixa-título de dois filmes musicais da época. A primeira delas é "Purple Rain" do musical homônimo estrelado pelo próprio Prince, e a segunda é "Body Rock", tema do filme de mesmo nome estrelado por Lorenzo Lamas, que após sua estréia neste musical, preferiu aventurar-se em filmes de ação.


Várias canções conhecidas foram utilizadas durante a novela como músicas incidentais ou mesmo como temas de personagens, mas não entraram para a trilha. Entre elas estão: "Somewhere in Time", do filme "Em Algum Lugar do Passado", que foi tema da personagem Ângela (Andréa Beltrão); "Theme from Carrie", do filme "Carrie, a estranha", que tocou para Rafael (Lauro Corona) e Bia (Malu Mader) no final da novela; um trecho da canção "Music", de John Miles tocou nas vinhetas de mudanças de locação durante a novela; "Coração de Estudante" (instrumental), de Wagner Tiso, foi tema musical de Sônia (Zezé Motta) e Cláudio (Marcos Paulo). Esta mesma música seria executada várias vezes durante a morte do presidente Tancredo Neves ainda naquele ano.


Guilherme Staush
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Foto: Mercado Livre
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segunda-feira, 30 de abril de 2007

TRILHAS
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CORPO A CORPO - NACIONAL
1984
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Uma das melhores trilhas nacionais de novelas, com um repertório bem estilizado e escolhido à dedo, que inclui Elis Regina, Gal Costa, Maria Bethânia, João Bosco, Caetano Veloso e toda a nata da MPB, o estilo favorito do autor Gilberto Braga.
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Várias músicas da trilha foram sucesso nas rádios: "Nada Mais" com Gal Costa, "Papel Maché" com João Bosco, "Dê um Rolê" com Zizi Possi, "Para Lennon e McCartney" com Elis, "Baby Suporte" com Barão Vermelho, "Sorvete" de Caetano Veloso, "Onde é Que a Gente Vai?" com Dalto e "Um Desejo Só Não Basta", interpretada por Simone.
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A trilha de "Corpo a Corpo" mostra que música de bom gosto também pode virar sucesso e tocar nas rádios. Até as músicas que raramente (ou nunca) foram executadas durante a novela são destaques da trilha, como a faixa que abre o disco - "Um Grande Amor", de Vinícius Cantuária, na voz de Fagner - a melhor da trilha.
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O mesmo destaque merece a balada "Férias de Verão", de Guilherme Arantes, na voz de Sandra Sá. Um primor!
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Também devem ser citadas "Pra Eu Parar de Me Doer", de Milton Nascimento, na voz de Bethânia e "Tão Beata , Tão a Toa", que já havia sido gravada por Ângela Rô, desta vez ganhou uma nova roupagem na voz de Marina, gravada especialmente para a abertura da novela.
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A edição comete apenas dois pecados: os cortes nas músicas "Papel Maché" e "Sorvete". Teria sido mais pertinente deixar as minúsculas canções completas e editado os intrumentais finais de "A Mulher Invisível" e "Férias de Verão".
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Com uma trilha tão boa assim, nem havia necessidade de utilizarem tantas músicas de cinema como trilha incidental da novela. Teria sido mais válido explorar esta excelente seleção de repertório.

Só falta mesmo a Somlivre relançar esta maravilhosa trilha em CD.

Guilherme Staush
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quinta-feira, 5 de abril de 2007






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Novela de Gilberto Braga
Direção geral de Dênis Carvalho
Rede Globo - 1984/85
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DISCUSSÃO SOBRE O RACISMO EM HORÁRIO NOBRE
Texto de Sérgio Sant'Anna, publicado no Jornal do Brasil em 1985.
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"Querer misturar seu sangue com o meu é muita folga. Nas veias de um Fraga Dantas não vai correr sangue de negro, não". A frase, dita pelo personagem Alfredo Fraga Dantas semana passada, na novela Corpo a Corpo, poderia ser apenas um recurso de folhetim, arrematado na cena seguinte: seu autor cai do cavalo e precisa de uma doação de sangue para escapar da morte. Exatamente o sangue da negra que ele acabara de espinafrar.O texto recitado por Hugo Carvana, o Alfredo Fraga Dantas, e por Sônia, encarnada pela atriz Zezé Motta, repercutiu forte entre o público, um impacto maior do que as similares do gênero. Pela primeira vez a televisão escancarava o racismo. O preconceito racial já foi tratado por outros autores mas sempre ficou pelas bordas da questão. Dessa vez, no entanto, Gilberto Braga, autor da novela, mergulhou fundo, sem enfeites e dissimulações.Por enquanto, o telefone do Centro de Atendimento do Telespectador da TV Globo continua tocando em ritmo normal. Aquietou-se desde que Sônia e Cláudio, vivido pelo ator Marcos Paulo, separaram-se. Mas quando o
romance entre o branco e a negra começou, o telefone tocava sem parar. Disparou na noite em que os jovens se beijaram. "Ridículo, esse romance", contestavam alguns. Outros, mais radicais, achavam "uma vergonha" esse tipo de amor exposto no vídeo.Quando alinhavou a sinopse de Cor po a Corpo, Gilberto Braga sabia que mexeria com muita gente. Mais do que a presença do diabo, ele intuiu que o público teria reações mais fortes diante da disputa profissional do casal Osmar/Eloá e poderia mesmo chegar à beira do escândalo com o romance, de final feliz, entre um jovem branco e rico e uma moça instruída, mas pobre e negra. "Não estou falando dos preconceitos de uma forma leviana. Conversei com muita gente e li dois livros que me deram muita ajuda: Fala, crioulo, do Haroldo Costa, e Tornar-se negro, da psicanalista Neusa Santos Souza. E, claro, botei toda minha experiência de racismo".O trabalho de Gilberto Braga acabou sendo facilitado pelo próprio público. Recebe cartas e telefonemas que pedem sempre a mesma coisa: separação para Cláudio e Sônia. Em uma das cartas, um espectador sugeriu que o ator Marcos Paulo limpasse a boca com água sanitária depois de beijar Zezé Motta. Outro, depois de tecer os maiores elogios aos trabalhos anteriores de Gilberto Braga, era taxativo: "Não continuarei a assistir a novela. Você virou comunista, feito Tancredo Neves".Ossos do ofício, avalia o autor que confessa ter sempre a preocupação de encontrar fórmulas que agradem ao público. Nesse caso, no entanto, ele não pretende inventar soluções conciliadoras: "Separar o casal mexe com meus princípios morais. Se estou sendo odiado por alguns, contento-me com o prêmio de ter recebido telefonemas de amigos que descobriram o racismo dentro deles e se envergonharam".Marcos Paulo e Zezé Motta sentem na pele a repercussão do papel que representam diariamente para milhões de espectadores. Assim que o namoro entre Cláudio e Sônia engatou, Marcos Paulo foi cercado, na saída do estúdio, por uma funcionária negra. Ela dizia que a filha estava escrevendo uma carta onde declarava, com todas as letras, que não queria vê-lo com aquela negrinha. "Isso para não falar nos beijos. Uns acham "nojento", outros "cuidado que a cor pode pegar". E já ouvi conselhos do tipo "Como é que você se presta para esse papel?" Mas a Sônia e o Cláudio acabam juntos e estou muito satisfeito com o papel", avisa.Algum tempo atrás, quando o ator Antônio Pitanga lhe deu as boas-vindas ao mundo dos negros, Marcos Paulo achou graça. "Não tinha a menor idéia de como é que rola o pau. Acabei descobrindo como funciona o racismo nesse país. É uma deformação cultural inconsciente e, hoje em dia, tenho o maior respeito. De uma forma fantasiosa, através da novela, estou vivendo o preconceito racial e passo a avaliar de uma forma bem mais realista a posição do negro no país".Zezé Motta recria no vídeo preconsituações que conhece muito bem. Há 15 anos ela viveu, durante dois anos, com um rapaz branco. Um dia. resolveram casar. Ele dizia que queria dar essa alegria à mãe de Zezé, preocupada em ver a filha bem casada. "A família dele imediatamente entrou em pânico. O problema foi tão grave que resolvemos desistir. Ficou muito clara essa situação de senzala: para amante, para o prazer, a mulher negra serve. Oficializar é outra questão. O engraçado é que antes de pensarmos em casamento a mãe dele me amava de paixão".O preconceito racial Zezé Motta detecta em várias camadas sociais. Logo no início de sua carreira, morou algum tempo no apartamento da amiga Marília Pera e não se esquece da empregada nordestina que a odiava sem disfarces. "Depois, entrou uma negra e a coisa se repetiu. As duas detestavam me servir, às vezes chegavam a se recusar. E, quando o faziam, quase jogavam as coisas em meu colo. Achavam uma humilhação trabalhar para mim". São essas experiências que levam Zezé Motta a não ter dúvidas: "Tudo o que o Gilberto Braga escreve eu assino embaixo Ele expõe na novela situações muito reais. Aquela história de colocar um pregador para afilar o nariz é a mais pura verdade".Hoje, depois de dois casamentos com brancos, Zezé está casada com um negro: "Emoção nada tem a ver com a raça," diz ela. Uma posição bem diferente do público que acompanha a via crucis de sua personagem Sônia, apaixonada por Cláudio, de quem foi separada nada mais do que pela cor da pele. Dia desses Zezé Motta recebeu um telegrama de Tim Maia que a deixou muito espantada. No telegrama, ele dizia: "Amiga Zezé Motta, não sei como você aceitou esse papel tão humilhante para a raça negra. Um beijo do Tim Maia".Zezé encara seu papel em Corpo a Corpo de uma forma bem diferente. Para ela, fazer a Sônia é uma espécie de catarse. Abre uma porta para a discussão de um assunto até agora mantido como tabu. "Tem gente que acha errado a Sônia ter ficado tão arrasada com as palavras do Alfredo Fraga Dantas. Discordo. Quando um negro é preterido ou agredido por ser negro, ele fica realmente arrasado, humilhado. Se a Sônia saísse cheia de glamour, demonstrada apenas uma grande alienação. Todos perceberiam a mentira em seu comportamento".Há alguns dias, Zezé viveu um momento muito parecido com o de sua personagem. Voltou de viagem e trouxe um presente para a amiga Renata Sorrah. Como não encontrava tempo para fazer a entrega, pediu à filha de 17 anos que levasse o presente ao apartamento de Renata. O porteiro se recusou a deixar a menina entrar pela portaria da frente. Renata fez o maior escândalo, mas o fato estava consumado, o preconceito aparecera da forma mais clara.O episódio serviu para que Zezé Motta provasse à amiga a força da discriminação. "Ela achava que eu era meio neurótica com essa história de preconceito. Mas ele existe mesmo. Só se fica sabendo quando acontece com gente famosa. Mas está todo mundo sofrendo esse tipo de coisa diariamente, sem que apareça no jornal. Humilhação para o negro existe com freqüência. Posso dizer que já encaro a questão sem mágoa porque estou em outro nível de compreensão e discussão".A atriz Ruth de Souza, a Jurema, de Corpo a Corpo, não vê nessa exposição do racismo nada muito positivo. Na sua opinião, o melhor seria mostrar negros que vencem na vida, indicar caminhos para driblar esse preconceito. Ruth de Souza acha que o texto de Gilberto Braga deixa bem claro o que os racistas pensam do negro. "Só o que me impressiona é que o discurso dos preconceituosos é mais forte do que os que não se incomodam com a diferença de raça. E o resultado é que esse xingamento todo tem magoado a comunidade negra. A filha de 16 anos de uma amiga minha chorou no outro dia, surpresa com o vigor usado pelo Alfredo. Naquele momento, e ficou sabendo a força do racismo. Para quê? Ninguém lhe indicou uma saída".
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VÍDEOS
A abertura da novela "Corpo a Corpo".
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Zezé Motta relata que não só sua personagem foi vítima de racismo na trama de Gilberto Braga. Cena do documentário "A Negação do Brasil".
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O elenco da novela creditado em cena do último capítulo.
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