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CONTROLE REMOTO (especial) - TÚNEL DO TEMPO

quarta-feira, 13 de maio de 2009

1999

ESTRELAS

TONY RAMOS
Missão cumprida em Torre de Babel.
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Tony Ramos chega à reta final de mais um trabalho com a sensação do dever cumprido. O ator garante que o rústico Clementino de "Torre de Babel" vai ocupar um lugar especial na galeria dos quase 40 personagens que interpretou ao longo dos 35 anos de carreira. "É um personagem que trabalha com a densidade do amor, tragédia e depois a redescoberta do próprio amor", analisa Tony. Ele tem razão quando diz ter ficado satisfeito com a própria atuação na novela de Sílvio de Abreu. Tony recebeu dois prêmios como melhor ator de 98: na eleição entre os 80 editores de cadernos de TV de todo o Brasil promovida pela TV Press e da Associação Paulista de Críticos e Artes, a APCA. "Fico envaidecido e surpreso com estas duas indicações. É sinal que meu trabalho continua agradando", agradece o ator.


A simplicidade, aliás, é uma das características marcantes de Tony Ramos. Aos 50 anos, ele garante ser avesso a badalações e não se deslumbra com o sucesso. Por isso, faz questão de dividir todas as conquistas com o elenco, direção e autores. "Não é papo furado o que vou dizer: não adianta o cara ser um grande ator, se não tiver uma equipe competente por trás", justifica Tony, esbanjando modéstia. O bom humor e tranqüilidade de Tony são reconhecidos pelos próprios colegas de trabalho e o ator faz questão de mantê-los a todo instante. "A vida sem humor é um pé no saco", filosofa o ator.


Ele só muda o tom da conversa, mas sem perder o equilíbrio, na hora de falar das críticas que "Torre de Babel" sofreu no início. "Malharam o Sílvio de Abreu injustamente", defende o ator. A maior prova para ele são os números do Ibope. Nas últimas semanas, a novela chegou a dar picos de 59 pontos. Para quem imagina que os prêmios conquistados seriam uma repostas para os críticos, Tony faz questão de ressaltar que sempre respeitou a opinião do público e dos especialistas. O que ele não tolera é quando a crítica descamba para o lado pessoal. "Só que não sou do tipo de ator de ficar respondendo. Estou fora", avisa.
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DE OLHO NA TELA
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Tony Ramos reconhece que é um telespectador assíduo das telenovelas. Acompanha praticamente todas as produções e faz questão de rever o resultado de seu trabalho no vídeo. "Assim a gente corrige algumas falhas", ensina Tony. Ele diz que se diverte muito com as produções e cita a atuação de Suzana Vieira, na pele da malvada Branca, em "Por Amor". "Adorava ver a Suzaninha. Ela realmente deu um show", diverte-se Tony.

Não é só Suzana Vieira que merece os elogios de um dos mais consagrados atores da televisão brasileira. Ele também destaca Marcos Palmeira, que interpreta o advogado Alexandre em "Torre de Babel". "É um rapaz dedicado e que já está preparado para protagonizar uma novela", aposta Tony. Os dois trabalham no mesmo núcleo da novela e Tony ressalta ainda a simplicidade e generosidade de Palmeira.

Outro ator que agrada Tony é Leonardo Brício, o pastor Juliano de "Meu Bem Querer". "Tenho ficado impressionado com a sensibilidade dele. É extremamente talentoso", elogia Tony. Ele sugere aos mais jovens a manter a consciência profissional e procurar não se deslumbrar. Também não ficar limitado apenas à tevê e fazer teatro e cinema. Para Tony, todo o processo é importante para a carreira de ator.
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ENTREVISTA
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Você acredita que o público teve um peso decisivo para a reviravolta de seu personagem em "Torre de Babel", que passou de vilão para o bom-moço?

Tony Ramos - Teve gente que se assustou no início, mas nunca deixou de me apoiar e acabou entendendo a proposta do personagem. Ao engordar para interpretar o Juca em "A Próxima Vítima", era uma homenagem e respeito que sempre tive ao telespectador. Ao fazer um assassino eventual, privado de seus sentimentos, era outra maneira de mostrar minha versatilidade. Aí está o segredo do Sílvio de Abreu. Escolhendo a mim, que sempre vinha fazendo personagens heróicos, acabou sendo importante para o sucesso. Ele antecipou algumas mudanças, acho que por causa da pressão do público que passou a torcer pelo Clementino. Mas tudo que estava previsto quando recebi a sinopse está acontecendo. Não houve nenhuma mudança. O Clementino tem quatro momentos: um sujeito que gosta da família e depois vê a mulher o traindo. Depois ele cometeu a loucura do assassinato. E em seguida, é preso. E por último, através do amor de Clara, personagem da Maitê Proença, ele se regenera. Só não posso antecipar o final. Nem mesmo os atores sabem.

No início da novela, Sílvio de Abreu sofreu muitos ataques. Acharam que explorou exageradamente a violência e temas polêmicos como homossexualismo e tráfico de drogas. Como você encarou estas críticas?

Tony - Reagi com muita frieza. Mas o que não consigo é conviver com a intolerância. Muitas destas críticas eram frutos desta intolerância. Fruto da hipocrisia. Mas isto não significa que eu ache que a telenovela tenha que mostrar de tudo um pouco, incluindo cenas de sexo explícito. Não estou dizendo isto. Acho que tem de haver critério, bom senso e, principalmente, ética no horário. Li muitas crítica, mas são raras as que são bem fundamentadas. Muitas são colocadas no âmbito pessoal.

Receber prêmios como melhor ator do ano serve como uma resposta?

Tony - Fico muito feliz em ser escolhido por duas instituições qualificadas com a TV Press e APCA. Realmente isto comprova que meu trabalho continua sendo reconhecido. Mas não vou usar estes prêmios como resposta para aqueles que criticaram a novela no início. Não entro em polêmica e nunca ninguém vai me ver respondendo algumas acusações.

Além de não entrar em polêmicas, você normalmente não costuma fazer laboratórios para os personagens. Por quê?
Tony - Apenas colho opiniões. Se sou um advogado, quero saber como lidar com as leis. Mas não vou ficar duas semanas no Fórum ou dentro de um presídio para saber o comportamento de um detento. Não gosto de me confundir e não sofro com as emoções do personagem. Aliás, depois da gravação, o personagem fica no camarim da empresa.

Mas isso não provoca uma certa frieza?

Tony - Mas tem de ser assim. O ator não pode levar os problemas do personagem para casa. Conheço muita gente que se confundiu e absorveu as aflições do personagem. Meu objetivo é emocionar os telespectadores com minha emoção. A arte de fazer novela é a profissão que escolhi para minha vida. E com o Clementino está sendo assim também. Choro e brigo por ele. Mas, depois da cena, tudo volta ao normal. Eu volto a ser o Tony Ramos e o Clementino vira uma ficção.

Você se identifica com o Clementino de alguma forma?

Tony - A única coisa que eu tenho a ver com o Clementino é a necessidade de preservar a família. De querer ter a tribo por perto sempre reunida. Sou assim. Estas é uma das razões por eu estar tanto tempo trabalhando na televisão. Ter uma família sólida e viver em harmonia. Tenho prazer pela vida, que é um prazer de Deus.

A religiosidade sempre esteve presente em sua vida?

Tony - Com certeza. Não abro mão da minha religiosidade e sou católico. Só que não gosto de falar muito nisto. Se não, vão dizer que estou virando um pregador. Esta é minha receita de vida. Por isso, que não me deslumbro com o sucesso. Não fico cantando de galo. Nós não somos nada. Estamos aqui de passagem. Volto a ressaltar, a vida é bonita e é uma dádiva de Deus.

Voltando à sua profissão, qual avaliação você faz das produções dramatúrgicas de hoje, em relação a quando você começou?

Tony - Hoje existe uma evolução técnica absurda. É mais difícil, pois as cobranças são maiores. O horário também é mais longo. Antigamente, fazíamos um capítulo em 30 minutos. Hoje em dia, o capítulo tem uma hora. A novela é uma das produções mais importantes na grade de programação de uma emissora. E a novela nunca vai perder espaço.

Mas hoje a opinião do público é mais decisiva no andamento de uma novela. Você concorda com esta interferência?

Tony - Claro que sim. Mas sempre o público participou. Novela é um produto interativo. Talvez seja o primeiro produto do gênero. É uma obra aberta. Assim como eram os folhetins, quando eram publicados nos jornais. O autor precisa sentir a reação do público. Mas não pode se ligar apenas nisso. Os autores têm a missão de surpreender o público no final.

Em mais de 35 anos de carreira, existe algum autor com quem você ainda tenha vontade de trabalhar?

Tony - Tenho uma enorme vontade em trabalhar com Aguinaldo Silva e Benedito Ruy Barbosa. Acho os dois grandes craques, mas que infelizmente não tive a oportunidade de trabalhar com eles. Mas como tenho muitos anos de estrada ainda de profissão, espero encontrá-los no caminho. E, quem sabe, para fazer humor. Acho que me dei muito bem quando fiz personagens engraçados como Tonico, em "Bebê a Bordo" e também, o primeiro episódio que originou "A Comédia da Vida Privada".

A poucos dias do final de "Torre de Babel", qual avaliação que você faz de sua atuação?

Tony - Tenho mais de 35 anos de profissão. Imagine o que já fiz na televisão. Muitos se lembram das novelas "A Viagem", "O Astro", "Pai Herói", "Baila Comigo", "Sol de Verão", "Bebê a Bordo", "Rainha da Sucata", "Próxima Vítima", entre outras. São todas que guardo com maior carinho. Só que o Clementino é um personagem que mexeu muito comigo, por todas as mudanças que ele passou no transcorrer na novela. Um cara que viveu o amor e desamor e teve um pai extremamente agressivo. Tudo isso me comoveu muito na hora de atuar. Isto é o que importa na vida do ator. É você estar terminando um trabalho e já ficar com saudades. Isto dá aquela sensação do dever cumprido.
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Fonte: AN Tevê
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