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sábado, 30 de outubro de 2010





















BOAS OU MÁS
Fera Radical trouxe mocinha e vilã de personalidades e condutas praticamente idênticas
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Por Eduardo Secco


“O demônio se veste de anjo para melhor enfeitiçar”. Com esta frase, Joana Flores (Yara Amaral) alertava o filho Fernando (José Mayer) dos perigos que a aparentemente inofensiva Cláudia (Malu Mader) poderia trazer ao rapaz. “Ela foi lá dar a última cartada. Ela foi lá pra me matar!” Assim, Cláudia rebatia as acusações de Joana, tendo como interlocutor o mesmo Fernando. Responsáveis pelo conflito central de Fera Radical, trama de Walter Negrão exibida em 1988, Cláudia e Joana fugiam do maniqueísmo vigente em quase todas as telenovelas, deixando de lado os perfis clássicos de mocinha e vilã. As duas possuíam contornos semelhantes e lutavam, cada uma a sua forma, pelo mesmo intento: defenderem suas famílias. Enquanto Cláudia almejava vingança contra os responsáveis pela chacina que dizimou os Silva, Joana tentava evitar a dissolução dos Flores, iniciada após a chegada da analista de sistemas à pequena cidade de Rio Novo, no interior fluminense.

Atendendo ao chamado de Heitor (Thales Pan Chacon), Cláudia passa a trabalhar no frigorífico da família Flores, escondendo consigo o real motivo que a fez aceitar tal emprego: descobrir o responsável pela morte de seus pais e vingar-se do mesmo. Lançando mão de sua aparente fragilidade e de seu charme, Cláudia consegue conquistar Heitor e Fernando, balançando a relação entre os irmãos, e ganha a confiança de Altino (Paulo Goulart), patriarca da família a quem Cláudia atribuía, de início, a autoria do crime do qual buscava vingança.






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Joana se incomodava com a presença da intrusa e tentava, de modo discreto, livrar-se da moça, sempre contando com o respaldo de sua filha, Olívia (Denise Del Vecchio), e de Marília (Carla Camuratti), noiva de Heitor e apaixonada por Fernando. Conforme Cláudia ganha terreno, Joana perde sua sanidade e passa a recorrer a artifícios como chantagens, dissimulação e até mesmo atos de terrorismo, como quando ateia fogo à cinco bonecos, que simbolizavam a família de Cláudia, amedrontando esta, que sofre com constantes pesadelos relacionados ao dia da chacina.

No confronto final, Joana, munida de um revólver, sai à procura de Cláudia, a esta altura provando o vestido de noiva que usaria em seu casamento com Fernando. No embate entre as duas, Cláudia aperta o gatilho, disparando contra Joana e conseguindo, enfim, concretizar sua vingança. Era o final do conflito de duas mulheres de personalidade forte, com objetivos parecidos e atitudes semelhantes. Era a fuga do óbvio, da mocinha clássica incapaz de pegar em uma arma e da vilã que agia somente por maldade. Fuga esta que transformou Fera Radical na segunda maior audiência da faixa das 18 horas, e marcou para sempre as trajetórias de Malu Mader e Yara Amaral, perfeitas na criação de Cláudia e Joana. Mais dois grandes personagens para a galeria de tipos inesquecíveis da nossa teledramaturgia.


4 comentários:

Rodrigo disse...

O Gui poderia ter feito uma matéria sobre "A maldição da 'Fera Radical'". (rsrsrsrs...)

Alice disse...

Fera é uma das minhas novelas preferidas! O imbate final entre Joana e Claudia é um dos melhores, realmente. Muita saudade de Yara Amaral, uma atriz que faz falta!
Parabéns pela revista de altíssimo nível!

Gui disse...

Obrigado, Duh, pela matéria de Fera!
Nao tinha nada no blog ainda sobre essa novela! Não era nem pelo fato de eu nao ter apreciado a trama, mas por falta de reportagens dessa época mesmo! Embora eu nao tenho gostado, sei que essa novela tem inúmeros fãs!

Renato disse...

Fera Radical segue a trilha de tantas outras novelas do Walther Negrão. Acho que o grande diferencial dessa novela é que ele conseguiu juntar um grande elenco, e um casal de protagonistas que estava no auge: José Mayer e Malu Mader.A História da moça que volta pra se vingar já era um dejavu mesmo naquela época.