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sábado, 27 de novembro de 2010

1983


BANDEIRANTES PROMETE UMA TV ESPORTIVA

Jornal do Brasil, 1983



São Paulo - Seria o esporte uma atividade já tão solidificada no Brasil a ponto de sustentar uma programação de 12 horas seguidas na televisão dominical e de significar um segmento atraente para a publicidade?
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Com o firme propósito de responder afirmativamente à questão, Luciano do Vale - "a voz da Copa" em 74 - prepara-se para um novo e tão arriscado lance quanto o de sua saída da Rede Globo há dois anos: em janeiro, muda-se da Record para a Bandeirantes em busca de maiores espaços.
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Luciano não esconde estar-se transferindo para uma rede com infra-estrutura que a Record não tem. E isso é necessário para desenvolver seu mais importante projeto em 1984, que é o de transmitir os Jogos Olímpicos de Los Angeles e que custarão, só para reserva de direitos, 100 milhões de dólares. E só poderão transmitir a Copa do Mundo de 1986, no México, as emissoras que adquirirem esses direitos.
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É um desafio que Luciano do Vale está acostumado a enfrentar desde que, aos 16 anos, iniciava sua carreira de locutor esportivo na Rádio Brasil de Campinas, cidade onde nasceu e se tornou torcedor da Ponte Preta. Nesse tempo, já se impunha pela a voz marcante, característica, precisa. A capacidade empresarial se manifestaria mais tarde, aos 35 anos, quando deixou a Globo e fundou a empresa Promoção, decidido a fazer do esporte algo mais do que uma simples diversão. A mesma voz que, em 1970, já na Rádio Globo, impressionou José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, a ponto de promovê-lo a primeiro locutor de esportes da TV Globo. Isso porque ficou impressionado ao ouvi-lo como stand-by (substituto) de estúdio numa transmissão da Copa do Mundo do México.
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Luciano acertou agora com Carlos Augusto de Oliveira, o Guga, diretor-geral da Bandeirantes, que a programação esportiva da Rede constará de duas edições diárias, ao meio-dia e à noite, ficando o prato forte para os domingos, com 12 horas seguidas de competições ao vivo ou gravadas, a partir das 10h40min, o que obrigará a transferência do programa de Hebe Camargo para um dia de semana:
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- Será uma programação destinada, basicamente, a preencher o domingo do telespectador masculino, embora não exclusivamente, pois haverá muitas atrações para as mulheres e crianças - diz Paulo Matiucci, um dos assessores de Luciano na Promoção.
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Luciano tem uma visão clara de como a televisão deve tratar do fato esportivo:
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- O esporte deve ser colocado ao vivo, não importa a duração do evento. Se um jogo de vôlei vai terminar em 3 a 2, com quase três horas de transmissão, essa emoção deve ser vista do primeiro ao último minuto. Isso vale para todos os esportes. Além disso, todos os ângulos do jogo devem ser mostrados. O máximo de câmeras, iluminação e cuidados técnicos especiais e produção para que o resultado final seja de alto nível.
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Dentro dessa perspectiva, ele pretende desenvolver um trabalho de âmbito nacional.
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- Vamos transmitir as Olimpíadas - acrescenta -, se os custos forem acessíveis, ocupar um espaço dedicado ao esporte, que nenhuma outra emissora no Brasil permitiu na história da nossa televisão. Teremos liberdade para transmitir o futebol brasileiro e o italiano, o superkart, o futebol de salão, o voleibol e outras modalidades, para atender ao público esportivo que sempre foi fiel, mas nunca teve a retribuição que nos propomos a dar agora.
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O grande tema, porém, são as Olimpíadas, um sonho pessoal de Luciano e um plano profissional da Promoação, "pois não existe no mundo um acontecimento de esporte amador igual a esses Jogos". Por isso, está levantando todos os custos e preparando uma equipe técnica e de jornalistas, além de um esquema comercial, que permitam a cobertura de nível internacional.
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Lembrando as dificuldades que encontrou na Record, onde só foram superadas com a boa vontade da direção, Luciano afirma que também na Bandeirantes as coisas não acontecerão como num passe de mágica. A começar pelo projeto Olimpíadas de Los Angeles:
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- As dificuldades técnicas são muitas, como localização nos estádios, horários de transmissão e horários de, satélites. As dificuldades comerciais, principalmente o alto custo calculado em dólar, serão transpostas com patrocínio de empresas que sempre acreditaram em nosso trabalho. A Promoção pode até não ter lucros comerciais, mas pretendemos transmitir os Jogos Olímpicos. Aí entra muito de idealismo.
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Apesar do envolvimento empresarial cada vez maior, Luciano não pretende deixar a locução, que é onde se realiza mais. Explica que é um empresário na medida em que preciso vender os eventos para torná-los viáveis. Mas em mim jamais o empresário vai sufocar o jornalista. O dia em que isso acontecer, mudo de profissão.
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