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sexta-feira, 8 de julho de 2011

MEMÓRIAS DE JORGE BOTELHO - Parte 2



 
FEIJÃO MARAVILHA e  MEMÓRIAS DE AMOR (1979)


Minha participação no Feijão era quase invisível. Minha atenção estava toda voltada para o Ateneu, onde estava como assistente de direção e com um papel de bandido. Nessa época estava muito preocupado em me firmar na Globo porque dois anos antes havia passado quase seis meses vendendo o almoço para comprar o jantar, minha dieta era na base de arroz e um ovo, só dava para comprar um ovo por dia e o arroz, uma novidade da época, vinha num saquinho que se cozinhava na água fervente. Me tornei o maior especialista em um ovo, um dia era cozido, outro frito com a gema dura, no outro com a gema mole, mexido mole, mexido duro, arroz em cima do ovo, noutro dia ficava por baixo e pra variar ainda mais podia ficar de lado, neste caso bastava virar o prato para passar o ovo de um lado para o outro.


Na novela trabalhavam dois atores importantes para mim, um deles era o Marco Nanini, que apesar de termos nos formado juntos na escola de teatro, nunca fomos próximos. Nanini era uma pessoa um tanto reservada, ou então eu disse ou fiz alguma bobagem naquela época de escola e ele nunca me desculpou. Não me pergunte o quê porque não sei, ou então pode ser apenas alguma coisa de horóscopo. Mas minha admiração por ele, não é bem pelo ator, que aliás é muito bom, mas pelo administrador, o empresário. Sempre achei que se tivesse pelo menos 20% do talento dele como empresário, minha vida tinha sido bem diferente. O outro que também admirava era o Denis Carvalho, achava a voz dele linda, e tinha um controle fino sobre ela muito bom, modulava qualquer sentimento com muita facilidade e era dono de um senso de humor muito agradável. Uma vez ele me disse que tinha sido dublador, então pensei que deveria ser também dublador para ficar tão bom como ele. Fui procurar trabalho em dublagem, fiz uma espécie de cadastro, o sujeito me disse que eu tinha voz de herói, sai de lá achando que minha vida estava resolvida. Nunca me chamaram. Esqueci de perguntar quantos tinham voz de herói.


O diretor, o Paulo Ubiratan era muito competente e trabalhava como escravo de chinês, por isso morreu tão cedo. Apesar da minha situação de celofane, ele me deu umas minúsculas aulas de edição de TV que foram úteis mais na frente. O Ubiratan gostava do Nanini e comentava isso.


Como minha atenção estava voltada para o Ateneu, o Feijão é apenas uma pálida lembrança para mim.
 
 
(continua ...)
 

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