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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

MEMÓRIAS DE JORGE BOTELHO - Parte 7

















Como sempre tive trabalho em teatro, fui levando a vida. E bastante tempo depois, fui chamado para fazer uma ponta numa novela com o Reginaldo Faria (Baila Comigo - 1981). Na hora da gravação veio a notícia que o texto não podia ser aquele que tínhamos decorado. Reginaldo então propôs que se improvisasse a cena. Eu topei e improvisamos tudo. Reginaldo, que não me conhecia, gostou e me convidou para participar do filme que iria rodar chamado "Agüenta Coração". Era o ano de 1982 e eu estava numa tremenda enrascada com uma namorada grávida e procurando dinheiro para pagar o parto. Se ele tivesse me convidado para varrer os estúdios, também topava. Posso dizer que o Reginaldo salvou minha cara e sou lhe grato até hoje. Fazer esse filme foi uma coisa sensacional, assim como desfrutar da companhia do Reginaldo e do Osmar Prado, dois atores do primeiro time. Achava que esse filme iria dar um novo alento a minha carreira. Não foi bem assim. A divulgação do filme foi bem modesta e, em São Paulo, foi lançado numa quarta-feira de cinzas. Acho que ninguém notou. Foi para mim um banho de água fria.  
 
No inicio do ano de 1975, minha mãe falecia. Já era órfão de pai desde 1962. Com a morte dela, a vida ficou mais assustadora do que já estava. Não tinha parentes para recorrer e o que ganhava era uma mixaria. Foi por essa época que passei seis meses a arroz e ovo. O café da manhã era num bar da rua do Catete, pão apenas sujo de manteiga e média de café com leite. Nessa época, tomado de sonhos de grandeza, ainda sonhava em casar com a filha de um deputado, uma moça que tinha bem mais status que eu, então comecei a engendrar um plano para me tirar daquela rua da amargura. Nunca passou pela minha cabeça pedir favor a alguém, e então, tomando o exemplo de um vizinho meu que melhorou de vida depois de ser aprovado em concurso público, comecei a considerar essa possibilidade. Por outro lado fui tomado por um pessimismo. Minha carreira não andava num ritmo que achava satisfatório. Enquanto ficava esperando que me dessem emprego, olhava com admiração para o Nanini, que produzindo a si mesmo, criava suas próprias oportunidades.
Por essa época, passeando pelos corredores da PUC-Rio de Janeiro com uma amiga, avistei sentado na primeira fileira numa aula do curso de psicologia, José Wilker, o que me causou um tremendo espanto.
Aquele encontro me motivou a também fazer um curso superior.


(continua ...)



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