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CONTROLE REMOTO (especial) - TÚNEL DO TEMPO

sábado, 29 de agosto de 2009







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Mãe e filha. Duas formas de subir na vida. Qual é a mais certa?
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Por Daniel Pepe e Wesley Vieira

A teledramaturgia brasileira é, sem dúvida, um dos mais importantes produtos culturais do Brasil, seja por representar o momento político ou por se tornar objeto de análise social e comportamental da sociedade. Em 1988, a Rede Globo produziu uma telenovela que conseguiu reunir todos esses campos importantes junto com as nuances do folhetim, partindo de uma pergunta contundente e agressiva a todos os brasileiros: “Vale a pena ser honesto no Brasil?”. “Vale Tudo”, escrita por Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, foi uma telenovela sarcástica e realista, principalmente por fazer uma dura crítica social ao país tratando de temas como ética, honestidade e moralismo de uma forma nunca antes vista na TV.
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Em “Vale Tudo” ninguém era exatamente honesto. Alguns eram assumidamente corruptos e inescrupulosos. Outros, aparentemente, tinham bons princípios, mas dependendo das circunstâncias, não mediam esforços para conseguir o que queriam, como no caso de Ivan (Antonio Fagundes) que aceita um suborno para facilitar os negócios de Odete Reutemann (Beatriz Segall). Até mesmo Raquel cometeu alguns delitos, sempre se arrependendo depois, como na ocasião em que ela se torna a amante de Ivan. Apesar de apresentar uma trajetória baseada na honestidade, ela mostrou que é capaz de cometer alguns erros.
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O mote da trama foi o vislumbre que Fátima teve no seu aniversário de 21 anos. Cansada da vida de classe média na pequena cidade de Foz do Iguaçu, ela coloca na cabeça que deseja subir na vida a qualquer custo e parte para o Rio de Janeiro, onde inicia uma jornada de golpes que justificavam o tal do “vale tudo”. Ao realizar todas as atrocidades para se dar bem na vida, Fátima revelava que suas escolhas se davam por meios imorais e sem ética. Para ela, o que importava era apenas o resultado final. Assim, a moça arrivista foi capaz de vender a casa onde morava deixando sua mãe na rua. Ela também destruiu o namoro de sua amiga com o intuito de dar o golpe do baú e depois de ser desmascarada e punida, ousou vender o próprio filho. Ao mesmo tempo em que trilhou esse caminho, nunca deixou de ter compaixão pela mãe. Sempre se dispôs a ajudá-la desde que estivesse do seu lado, ou seja, sendo conivente com o seu modo de vencer. Mas Raquel nunca aceitou isso, e diante das circunstâncias nas quais a filha a deixou, viu-se na obrigação de reconstruir sua vida. Corajosamente, começou a vender sanduíches na praia e com muito talento terminou a novela como uma empresária bem-sucedida, dona de uma cadeia de restaurantes.

A ascensão das duas deu-se de forma paralela, sendo que até certo ponto Raquel ainda dava chances para a filha se redimir. Mas, depois de uma intriga que Fátima fez para separar Raquel de Ivan, seu grande amor, o rompimento entre as duas pareceu ser definitivo. Ao mesmo tempo em que Fátima trilhava por um caminho obscuro, Raquel usava métodos honestos e ao final conseguiu vencer com os seus valores. Não era segredo para ninguém que a ética e a honestidade sempre foram primordiais em sua vida.
No caso de Raquel, a subida foi um sucesso sem volta. Já no de Fátima, seu mundo ruiu e suas mentiras foram descobertas. Depois de algum tempo ela recorre à mãe que a princípio lhe vira as costas. Mas Fátima parece ter mudado de comportamento. Ela se redime e aceita criar o filho junto com a mãe. Porém, novamente numa festa de aniversário, dessa vez a do seu filho, ela percebe que aquele mundinho não lhe pertence. O último fio de esperança de Raquel foi cortado quando Fátima decide fugir com César (Carlos Alberto Riccelli), o seu eterno parceiro. Ela pede à mãe que crie a criança e prova que na verdade não mudou... Continuava sendo a mesma arrivista e não iria desistir dos seus sonhos. Para isso, aceita se casar por conveniência com um príncipe milionário. Será que dessa vez o seu golpe daria certo?
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Vídeo: Fátima e Raquel apresentam divergências ideológicas



Vídeo: Narciso Guney
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Um comentário:

Duh Secco disse...

Parabéns aos autores! O texto deixa bem claro o quanto a relação entre Fátima e Raquel norteou a história, e o rumo de todos os outros personagens, divididos entre os princípios da honestidade e a total falta de escrúpulos.