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Por Walter Cerqueira
walter_cerqueira2@yahoo.com.br
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Uma das características da infelizmente extinta Rede Manchete de Televisão certamente foi a ousadia e espírito pioneiro de estar sempre um passo a frente das demais emissoras de sua época. Detentora de grandes sucessos como as telenovelas Pantanal, Dona Beija, Ana Raio e Zé Trovão, dentre outras, a emissora deu um grande passo com a produção da minissérie Mãe de Santo, da autoria de Paulo César Coutinho e dirigida por Henrique Martins, exibida de 09 de outubro a 2 de novembro de 1990 às 22:30 e reprisada de 18 de maio a 09 de junho de 1992..
Apesar da pouca repercussão segundo os números do Ibope e da crítica ter considerado a serie confusa por não ter uma trama central (cada episódio tratava de uma trama isolada), esta minissérie foi e é muito bem aceita pelo chamado povo de santo (adeptos das religiões de matriz africana como Candomblé e Umbanda), e é comercializada até hoje sob forma de DVD em vários sites da internet, além de ter os vídeos disponibilizados no site YouTube e em outros sites para download. Isto é uma prova de que a tal “baixa repercussão” é questionável.
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Além da questão do homossexualismo a minissérie abordou outros temas polêmicos como a AIDS, no episódio ligado ao orixá Omolu, relações entre uma mulher mais velha com um homem mais novo, no episódio de Oxumarê, traição e “bigamia”, no episódio de Nanã, intolerância religiosa no episódio de Oxalá entre outros.

Cenas do episódio Nanã, que trata da questões como bigamia, traição e perdão tendo como base um mito que fala do triângulo amoroso dos orixás Nanã, Oxalá e Iemanjá.
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A minissérie apresentou uma boa pesquisa sobre a mitologia dos Deuses Africanos e rituais tradicionais do Candomblé, associando-os a fatos do dia-a-dia abordados nas tramas de cada episódio, sem ter caráter doutrinário ou de menosprezar outras propostas religiosas.
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Um comentário:
A Manchete era a única emissora que ousava de verdade em suas produções. Vide as gravações no Pantanal e a itinerante Ana Raio e Zé Trovão. Mãe de Santo é mais uma prova desse espírito livre do canal dos Bloch.
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