CANAL MEMÓRIA DA TV (escolha uma atração para assistir)

CONTROLE REMOTO (especial) - TÚNEL DO TEMPO

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013



40 INTERPRETAÇÕES FEMININAS ANTOLÓGICAS DA TV - Parte 4 (final)
por Guilherme Staush





31.  LÍLIA CABRAL  (Páginas da Vida) - 2006

O que acontece quando uma grande atriz recebe a incumbência de defender uma personagem que, supostamente, deveria ser a vilã da novela, e, sendo assim, fazer com que o público torcesse contra ela?
Resposta: essa grande atriz defende tão bem sua personagem, que acaba engolindo atrizes menos experientes, e fazendo com que boa parte do público acredite mais nas suas razões do que propriamente nas razões de quem deveria ser a vítima da história.
Foi assim que Lília Cabral provou definitivamente ser uma das maiores atrizes brasileiras da atualidade. Quando uma atriz realmente acredita (e entende) nos motivos que levam sua personagem a agir de uma certa maneira, acaba defendendo tão bem essa personagem, que o público acaba acreditando (e aceitando) suas razões. Marta foi bem mais convincente do que Nanda (Fernanda Vasconcellos), e acabou ganhando o apoio de muitos telespectadores nas diversas brigas que teve com a filha.
Mesmo com uma interpretação intensa, visceral, nunca pecou por exageros, conseguindo passar a carga de dramaticidade essencial em cada cena. Os duelos entre Marta e o marido (Marcos Caruso) entraram para a história, e marcaram os melhores momentos de Páginas da Vida.
A cena em que Marta friamente repudia a neta, que nasceu com a síndrome de Down, deixando-a para a adoção, está entre as melhores já protagonizadas pela atriz. E olha que sua parceira de cena foi ninguém menos do que Regina Duarte!



32.  REGINA DUARTE (Roque Santeiro) - 1985

Falando em Regina...
Porcina sempre estará na lista de todos que se propuserem a relembrar os tipos memoráveis da televisão. Mais uma criação extraordinária da atriz, que se libertava de vez das
heroínas cheias de princípios e recatos que sempre permearam sua carreira, dando vida à uma mulher escandalosa e divertida. Em 1984, a atriz rompeu definitivamente
a  imagem que a consagrou, arriscando-se em projetos bem diferentes: fez o seriado Joana em uma produtora independente, e o ousado filme Além da Paixão, onde protagonizou cenas de nudez e sexo ao lado do ator Paulo Castelli.
Porcina, definitivamente, marcou uma nova fase de Regina na TV, e o público passou a idolatrar ainda mais (e merecidamente) uma das nossas mais talentosas atrizes de todos os tempos.



33.  ELOISA MAFALDA  (Pedra Sobre Pedra) - 1992

Eloísa Mafalda merece todos os prêmios e todas as honras a que uma atriz tem direito. Incansavelmente, fez uma novela atrás da outra durante toda sua carreira, e sempre colecionando personagens de muito sucesso. Gioconda Pontes foi um dos grandes momentos da atriz na TV: uma mulher amargurada, futriqueira, malvada, que, além de viver às turras com a filha desmiolada e dominar o filho inseguro, infernizava a vida da cunhada, Hilda Pontes. Acabou por revelar-se uma assassina, e, no auge de sua loucura, acabou sendo internada, em um final que lembrou o de Glória Swanson, no filme Sunset Boulevard. Talento de igual pra igual.



34.   MYRIAM PIRES  (Locomotivas) - 1977

Dominadora, mal-humorada, rabugenta e manipuladora. Com tantos adjetivos adoráveis, dona Margarida acabou sendo uma das grandes sensações da novela Locomotivas. A mãe que sufocava o filho, Netinho (Dênnis Carvalho), na tentativa de afastá-lo de todas as mulheres que se aproximavam dele, rendeu à Myriam Pires um de seus melhores momentos na TV. A atriz deitou e rolou nos momentos de malvadeza da personagem. Dissimulada da raiz do cabelo ao dedão do pé, Margarida aprontava poucas e boas paras as coitadas que ousavam chegar perto do moço.
Em uma das cenas, por exemplo, após receber a visita de uma das pretendentes de Netinho, e ser presenteada com um buquê de flores, a megera, após a saída da moça, espalha todas as flores pelo chão do apartamento e se debulha em lágrimas, cinicamente, contando ao filho "todas as ofensas que sofrera".



35.  JOANA FOMM (Dancin’ Days) - 1978

E Joana volta à minha lista. Desta vez, encarnando uma mulher ambiciosa (marca registrada de diversas personagens feitas pela atriz). Em sua segunda novela na Globo, Joana, em uma substituição de última hora, acabou ganhando um dos papéis mais marcantes de sua carreira. A novela Dancin’ Days tornou-se um clássico, e Yolanda Pratini virou referência de muitas outras personagens do gênero, que viriam habitar nossa telinha nos anos seguintes. A antagonista e irmã de Julia Mattos, a ex-presidiária que tenta reconquistar o amor da filha, era uma mulher fria, calculista e ambiciosa, mas que acaba se regenerando no final da trama.
Joana brilhou, sobretudo nas cenas em que sua personagem humilhava a irmã, jogando na cara dela que sua filha jamais a aceitaria pobre, ex-presidiária, e com aquela aparência infame.



36.  NATHÁLIA TIMBERG  (Força de um Desejo) – 1999

Nathália é outra colecionadora de personagens cruéis na TV. Em Força de um Desejo, criou mais um tipo inesquecível de Gilberto Braga: a vilã interesseira e manipuladora, que usa de todas as artimanhas para separar o casal apaixonado: chantagem, cartas adulteradas, e mil e uma intrigas. Não é preciso dizer que a atriz tirou tudo isso de letra, e, como sempre, causou muita revolta nos telespectadores. Sua Idalina foi um sucesso! Mérito do trabalho extraordinário de uma atriz muitas vezes injustiçada na TV. 
A cena em que a mocinha Estér Dellamare (Malu Mader) expulsa a megera da fazenda onde moravam foi uma das mais festejadas pelos telespectadores da novela.




37.  DINA SFAT (Fogo Sobre Terra) –  1974

As personagens de Dina, assim como ela mesma, eram mulheres de personalidade forte: Risoleta, Zarolha, Paloma, Amanda, Fernanda, e tantos outros tipos criados pela atriz. Chica Martins, de Fogo Sobre Terra, foi mais uma das mulheres  irreverentes que permearam a carreira da atriz, fugindo do estereótipo da mocinha frágil e romântica. A atriz esteve impecável como a mulher que foi alvo de disputa dos irmãos Diogo (Jardel Filho) e Pedro Azulão (Juca de Oliveira), ganhando, inclusive, vários prêmios como melhor atriz daquele ano.



38.  LAURA CARDOSO (Mulheres de Areia) – 1993

As gêmeas Ruth e Raquel, de Mulheres de Areia, tinham a personalidade bem diferente. Enquanto a gêmea boa era bem parecida com o pai, o pacato pescador  Floriano (Sebastião Vasconcelos), a gêmea má era ambiciosa como a mãe, Isaura, um dos papéis mais marcantes de Laura Cardoso na TV. A atriz interpretou magistralmente a mulher de vida simples, porém ambiciosa e de caráter duvidoso, que defendia e alimentava as razões da filha em querer ter uma vida melhor, sem medir esforços para deixar de ser simplesmente uma “caiçara fedendo a camarão”. Laura brilhou em um núcleo da novela repleto de tantos talentos, como Sebastião Vasconcelos, Glória Pires e Marcos Frota.



39.   CÁSSIA KISS (Porto dos Milagres) – 2001

Jamais aceite qualquer coisa que Adma Guerreiro lhe oferecer para beber. Uma das maiores vilãs do horário nobre, a personagem costumava matar suas vítimas com veneno. Aliada a outro grande vilão da novela, Félix Guerreiro (Antonio Fagundes), a serial killer não mediu esforços para alimentar sua ambição, e conquistar o poder absoluto. Um trabalho excepcional de Cássia Kiss, que ficou grávida do terceiro filho durante a novela, tendo que esconder sua barriga dentro de  figurinos mais soltos. A atriz criou um tipo mais denso, sem o humor que se tornou característico entre as vilãs da época, dando mais veracidade às maldades da personagem. Um trabalho inesquecível da atriz, que na época já estava graduada em matar pessoas na ficção.



40.   FERNANDA MONTENEGRO  (Guerra dos Sexos) - 1983

Nunca houve uma mulher como Charlô, nem na teledramaturgia e nem fora dela. Fascinante, aventureira, inteligente, e uma típica lutadora dos direitos femininos. Obrigada a conviver (em casa e no trabalho) com o primo machista e mau caráter, ela provou ser uma verdadeira guerreira na luta contra a opressão masculina, mostrando que as mulheres estão acima dos homens, e que competência independe de sexo.
Um brilhante exercício para Fernanda Montenegro, que mostrou, impecavelmente, através do ótimo texto de Sílvio de Abreu, todo o vigor e todas as nuances exigidas por uma das personagens mais fascinantes da nossa teledramaturgia.


***




Nenhum comentário: