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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013



40 INTERPRETAÇÕES FEMININAS ANTOLÓGICAS DA TV     Parte 3
por Guilherme Staush



21 e 22.   ARACY BALABANIAN e GLÓRIA MENEZES (Rainha da Sucata) – 1990

 










A reprise de Rainha da Sucata, que começou essa semana, no canal Viva, é uma excelente oportunidade para recordar grandes personagens, como a Dona Armênia, um excelente trabalho de caracterização de Aracy Balabanian, que criou vários bordões de sucesso, como: “eu vai botar predinha na chôn”, ou então,  “cuidado com Renata... cobra perto dela é bicho bom”. Sua exacerbada preocupação com “suas três filhinhas” rendeu momentos bastante engraçados na novela.
Glória Menezes, interpretou uma de suas melhores personagens na TV: a malvada e amargurada Laurinha de Albuquerque Figueroa, uma grã-fina falida, que é obrigada a conviver com sua rival, Maria do Carmo (Regina Duarte), debaixo do mesmo teto. Além de ver a inimiga ao lado de seu grande amor, o enteado Edu (Tony Ramos), precisa aturar os maus modos da ex-sucateira, agora uma emergente, e dona da “bufunfa”.
A cena do suicídio de Laurinha é uma das mais memoráveis da teledramaturgia, quando esta, do alto do prédio da Sucata, arranca um brinco de Maria do Carmo e se joga lá de cima, para que sua rival seja responsabilizada por sua morte, e, assim, não consiga ser feliz ao lado de Edu. Coisas de Laurinha!



23.  RENATA SORRAH (Senhora do Destino) - 2004

Nazaré Tedesco não poderia mesmo ficar de fora dessa lista. Uma das maiores vilãs dos últimos tempos, “Naza pegadeira” se diferencia um pouco de suas colegas por não ser uma vilã requintada e glamourosa, mas uma criatura de bem baixo nível, de passado mais do que duvidoso. A loira, entre outras coisas, roubou uma criança da maternidade para criar como se fosse filha legítima, e matou o marido, empurrando-o do alto da escada de sua casa, além de chantagear e infernizar a mãe verdadeira da menina, Maria do Carmo, a quem chamava pelo carinhoso apelido de “anta nordestina”. Renata soube dosar muito bem o humor e a vilania da personagem, e, o que poderia se tornar uma caricatura nas mãos de uma outra atriz, acabou virando uma personagem inesquecível, inclusive servindo como referência para outra vilã criada por Aguinaldo Silva, a Tereza Cristina (Christiane Torloni), da novela Fina Estampa. Esta, entretanto, acabou virando uma caricatura de vilã, sem a menor graça, e sem idéias próprias, vivendo à sombra da grande Nazaré Tedesco.



24.  SUZANA VIEIRA  (Por Amor) - 1997

E por falar em grandes vilãs, Branca Letícia de Barros Motta não era grande só no nome, não. A ironia e a inveja eram suas características mais acentuadas. Além de se intrometer no casamento do filho, Marcelo (Fábio Assunção), a loira fazia as maiores armações para separar a filha do namorado, e, de quebra, dava em cima, descaradamente, de Atílio, o amor de sua vida. Seu passatempo predileto era implicar com Leonardo (Murilo Brício), seu filho mais novo (e mais feio).
Entre as pérolas proferidas por Branca, está aquela que sintetiza todo o amor que ela sentia pelos filhos: “E dizer que um dia ela estava se afogando, e eu mergulhei na piscina pra salvar... bem feito pra mim agora!”, disse ela, após uma briga feia com a  filha Milena (Carolina Ferraz).



25.  MARIETA SEVERO (Laços de Família) - 2000

Alma Flora Pirajá de Albuquerque, um grande nome para uma grande mulher. De fato, a personagem de Marieta Severo em “Laços de Família” é uma das mais bem escritas dos últimos tempos. Era uma mulher admirável pela sua praticidade em encarar os problemas da vida, tinha qualidades e defeitos perceptíveis em várias pessoas que conhecemos no nosso dia a dia, o que a tornou bastante humana nesse aspecto. Mesmo não assumindo ares de vilã, ela foi a antagonista da história, impondo vários obstáculos ao amor de Edu (Reynaldo Gianecchini) e Helena (Vera Fischer), e ainda assim era uma mulher admirável.  Uma composição fantástica de Marieta Severo, aliada ao texto magnífico de Manoel Carlos.
Em entrevista exclusiva ao nosso blog, o autor discorreu sobre a personagem:
“É um dos meus personagens favoritos, assim como a Marieta está entre as atrizes que eu mais admiro e de quem sou amigo devotado. Basicamente, não me inspirei em ninguém que possa nomear, mas num punhado de mulheres possessivas e encantadoras, que morrem e matam por amor, mas sempre com um sorriso nos lábios.”



26 e 27.   BETTY FARIA e ELIZABETH SAVALA  (Pecado Capital e O Astro) – 1975 / 1977

As heroínas de Janete Clair, Lucinha (Betty Faria, em Pecado Capital) e Lili (Elizabeth Savala, em O Astro) tinham muito em comum. Ambas eram suburbunas, namoravam um rapaz da mesma classe social, e acabaram tendo um envolvimento com um milionário. Lili foi uma mocinha bem atípica. Desprovida de vaidades, tinha um visual meio masculinizado, e executava tarefas normalmente realizadas por homens, na época: foi taxista e trabalhou em uma barbearia. Sofreu com a diferença social entre ela e Márcio Hayalla (Tony Ramos), chegando a ser presa em uma das armações de Clô (Tereza Rachel), mãe do rapaz. Lucinha, por sua vez, sofreu com a indiferença dos filhos de Salviano Lisboa (Lima Duarte), que não aceitavam o relacionamento do pai, fosse por preconceito social ou por puro egoísmo.
As duas atrizes brilharam em dois grandes sucessos de Janete, compondo personagens difíceis, que são lembradas até hoje pelo público, e imortalizadas, embora as duas novelas tenham tido um remake.




28.   FERNANDA MONTENEGRO  (Riacho Doce)

Vó Manuela foi um brilhante trabalho de caracterização de Fernanda Montenegro. Sem maquiagem, figurinos paupérrimos, cabelos desgrenhados, a atriz deixou todas as vaidades de lado, e encarnou a avó bruxa, que dominava a vida do neto e rogava uma praga em todas as mulheres que ousassem se aproximar dele. A atriz viveu grandes momentos de fortes cargas dramáticas nesta minissérie, adaptada da obra de José Lins do Rego. Um dos melhores momentos de Fernanda na TV.



29.  MYRIAM MUNIZ (Dona Flor e Seus Maridos) - 1998

Dona Miloca, a mãezinha nada doce e frágil do infeliz Teodoro (Marco Nanini), foi um dos grandes destaques da minissérie Dona Flor e Seus Dois Maridos, adaptada da obra de Jorge Amado. A velha fez um verdadeiro estrago na vida do filho. Suas intrigas diabólicas para separar o filho de suas pretendentes, inclusive fingindo-se estar entrevada, em uma cadeira de rodas, na tentativa de fragilizar o filho, renderam à Myriam um de seus melhores momentos na TV, ainda que em uma curta participação. Nunca uma personagem tão dissimulada foi interpretada de forma tão convincente na televisão. Um trabalho excepcional da atriz, que nos deixou em 2004.



30.  SÃO JOSÉ CORREIA  (Paixões Proibidas) - 2006

A única atriz que não é brasileira da minha lista, a lisboeta São José Correia foi a grande sensação da injustiçada  Paixões Proibidas, exibida pela Band, em 2006.
A sedutora Elisa de Mandeville, a duquesa de  Ponthieu, é uma mulher que não tem limites para o desejo, para a moral e para a ética. A personagem mostra todas as artimanhas de que uma mulher é capaz para seduzir o objeto de seu desejo, principalmente quando é desprezada por ele. Vingativa e amargurada, a personagem foi um prato cheio para o talento da atriz. Infelizmente seu trabalho foi pouco conhecido aqui no Brasil, mas entra, com mérito, na minha lista de interpretações inesquecíveis.



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